<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992</id><updated>2011-12-01T09:39:07.306-02:00</updated><title type='text'>Conexão Irajá</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Conexão Irajá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112353634316563823</id><published>2005-08-08T18:21:00.000-03:00</published><updated>2005-08-08T18:30:20.780-03:00</updated><title type='text'>Uma prece, uma esperança, uma força...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/921/625/1600/sao_sebastiao.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/921/625/320/sao_sebastiao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;... para o querido Fernando Toledo.&lt;br /&gt;Toledão, é muita gente gostando de você.&lt;br /&gt;Força, mano!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112353634316563823?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112353634316563823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112353634316563823&amp;isPopup=true' title='122 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112353634316563823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112353634316563823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/08/uma-prece-uma-esperana-uma-fora.html' title='Uma prece, uma esperança, uma força...'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>122</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112293691197601084</id><published>2005-08-01T19:49:00.000-03:00</published><updated>2005-08-01T19:55:27.753-03:00</updated><title type='text'>Fim de linha</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;É com uma boa ponta de tristeza, misturada a doses caprichadas de satisfação, que venho vos anunciar oficialmente, o que os ares e o título deste texto já denunciam. Não, não estou falando do governo Lula, não. Falo aqui da nossa revista, o &lt;b&gt;Conexão Irajá&lt;/b&gt;, que precocemente chega à sua derradeira estação, engrossando as já não boas estatísticas nacionais de mortalidade infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A satisfação é óbvia. Nesses meros três meses, conseguimos reunir uma assistência, que se não é numerosa, transborda em qualidade, inteligência, charme e disposição para participar. Zé Sérgio, Betinha, Flavinho, Marcão, Jota Cardoso - só pra citar os mais assíduos nos comentários, até porque o tom é mesmo confessional - embarcaram, com disposição, solicitude e indulgências para conosco, nessa conexão idealizada como um transporte virtual a uma dimensão que tanto nos enleva, mas que anda rara na praça: o mundo do bate-papo amigo, inteligente, respeitoso, crítico, afável, mesmo quando o tema ou o tom nos obrigam a certas durezas. Nisso fomos felizes, eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenhamos errado na condução dos vagões, que acabaram por descarrilar da idéia original de um espaço mais leve, mais ágil, menos formal. Talvez também a sombra dos tempos que vão nos tenha levado a tanto. Talvez não. O fato é que a obrigação de mais um texto semanal para todos os que somos atulhados de deveres para com a escrita não estava coadunando com a frustração dos objetivo originalmente traçados de ampliar espaços, diversificar o público, abrir os debates. Eu, por exemplo, praticamente enterrei o &lt;a href="“http://sodoiquandoeurio.weblogger.com.br”"&gt;Só Dói&lt;/a&gt;, que pretendo ressuscitar. Edu mantém o &lt;a href="“http://butecodoedu.blogspot.com”"&gt;Buteco&lt;/a&gt; bravamente atualizado todos os dias e o bom Toledão tem seus espaços no JB, na &lt;a href="“www.revistamusicabrasileira.com.br”"&gt;Revista Música Brasileira&lt;/a&gt; e na semanal coluna Carta Brazilis, cujo liame não consigo achar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tristeza também é indisfarçável. A gente tem certeza de que a idéia é boa e sobrevive. Voltará, tenho certeza, sob um outro formato, se tivermos sorte. Aguardem e verão. Em nome da equipe (leia-se eu, Edu e Toledo, já que a Mariana nos abandonou...), agradecemos comovidos a paciência, o carinho, a participação fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi bom que a última parada tenha sido essa belíssima ode à paixão que nos une a todos, os que escrevem e os que lêem este espaço: o butiquim. Aquele que nos salva, acima de tudo. Lembrem-se disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tchau!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#993399;"&gt;Fernando Szegeri&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112293691197601084?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112293691197601084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112293691197601084&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112293691197601084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112293691197601084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/08/fim-de-linha_01.html' title='Fim de linha'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112205887205320632</id><published>2005-07-22T15:57:00.000-03:00</published><updated>2005-07-22T16:01:12.063-03:00</updated><title type='text'>Elogio do porre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Beber, como tudo que é perpassado pelo que nos distingue dos outros mamíferos, é uma Arte (assim mesmo, com maiúscula). Não consta, nos anais e vaginais da vasta historiografia das espécies, que outras criaturas tenham abandonado o saudável leite de suas mães em favor de uma substância que arde na garganta e inebria os sentidos, como diriam os fãs dos poetas românticos.&lt;br /&gt;Onde se situa, exatamente, a nossa diferença em relação a estes outros seres, tão desinteressantes (não consta, a menos em relatos não muito críveis – obviamente relatados por indivíduos para lá de Marrakech –, que alguém tenha perdido uma noite a discorrer acerca da natureza ontológica do Universo, da escalação da Seleção Brasileira, da política externa de Bushes e afins, ao lado de florezinhas, abelhinhas, fiéis da Universal e outras criaturas chatas assemelhadas), onde se situa, afinal? Na capacidade de abstração. Como somos capazes de construir, elaborar e – o mais importante – nos deleitar com o abstrato, este atinge níveis de importância em nosso viver que não seriam admissíveis nos exemplos fora da existência humana. Somos, no botequim, a essência mesmo do Homo ludens de Huizinga, exercitando a criação de maneira desproposital e, por isto mesmo, mais digna do epíteto.&lt;br /&gt;Por este motivo entre outros, apreciamos o porre como Arte. Note-se bem, não o porre que denigre, que nos torna mais próximos de irracionais do que de nós mesmos. Apreciamos, sim, o porre saudável, aquele que desorienta mas que permite a noção – pelo menos mínima – do quanto estamos desorientados; o porre que rompe as amarras que nos são impostas no dia-a-dia e faz com que afloremos de maneira apoteótica; o porre que, no dizer de Rimbaud, produziria o desregramento dos sentidos, contudo sem ser total – pois que, em sua totalidade, este mesmo desregramento acaba por nos afastar de nós mesmos e tornar-nos mais desregramento que sentidos. No sentido perfeito de onde chegar encontra-se o porre. O bebedor profissional – não o alcoólatra contumaz e incontrolável – sabe, sempre, aonde quer chegar. E se ultrapassa a linha divisória, é capaz de não ultrapassá-la novamente, pelo menos de maneira idêntica.&lt;br /&gt;Os botequins são os templos do porre. Neles, a abstração, o entregar-se a uma atividade que não, necessariamente, resulta em ganhos imediatos, constitui-se, mesmo, em liturgia. A utilidade do inútil é ali louvada: boa parte da população que infesta os consultórios de psicanalistas não o faria caso fosse capaz de desenvolver uma relação saudável com a fauna, a flora e o meio-ambiente dos mesmos. O botequim é o lar do não-lar, em que as idiossincrasias ao mesmo tempo se acentuam e se desvanecem; onde o egoístico “eu” se afirma enquanto exercita sua relação com diversos outros “eus”.&lt;br /&gt;Boteco é religião: promove um encontro entre aquilo que mais temos de íntimo com aquilo que mais nos caracteriza como membros de uma coletividade. Todo um saudável exercício de solidão e convívio se estabelece e se afirma, em meio às rodas ocasionais de porrinha, sueca ou de bate-papo puro e simples. No boteco, todos se igualam, desde o momento em que há a aceitação no grupo: o bacharelado o mestrado e o botequinado têm igual respaldo. Existem somente os maus e os bons copos, medida máxima do ser, no momento da catarse.&lt;br /&gt;Catarse esta que é a própria alma do boteco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc6600;"&gt;Fernando Toledo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112205887205320632?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112205887205320632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112205887205320632&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112205887205320632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112205887205320632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/07/elogio-do-porre.html' title='Elogio do porre'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112169796569225670</id><published>2005-07-18T11:14:00.000-03:00</published><updated>2005-07-18T11:46:06.133-03:00</updated><title type='text'>Advogados, de novo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Toledão, dia desses, aqui mesmo na &lt;strong&gt;Conexão&lt;/strong&gt;, tratou dos advogados. Como sou um deles, e desafio alguém a apontar &lt;strong&gt;um &lt;/strong&gt;único advogado mais apaixonado que eu no trato com a profissão, quero trazer à tona, de novo, essa figura, eis que considero-me apto a tratar do troço. E veio a idéia de falar de advogados quando ontem, conversando com uns amigos, e o assunto da roda era justamente o advogado, eu disse algo como &lt;em&gt;"não há um único advogado rico que não esteja de lama até o alto da cabeça"&lt;/em&gt;. E explico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falávamos do Ministro da Justiça. Advogado, e rico, o Ministro tem em sua carteira de clientes as recentes vítimas das operações encabeçadas pela Polícia Federal. Sonegadores de impostos, &lt;em&gt;socialites&lt;/em&gt; que gastam os tubos de dinheiro sem origem clara em lojinhas como a Daslu, empresas fraudadoras, como a Schincariol, Silveirinhas etc etc etc, o que garante a ele honorários sempre na casa das centenas de milhares de reais. Disse alguém, durante a conversa, que ele, como tantos outros, estuda as tais brechas da lei para legitimar o que é ilícito e o Judiciário, que brande a venda dos olhos em defesa do tecnicismo agudo, acaba por tornar legal uma série de falcatruas. É o velho papo de que a Justiça acaba por legitimar o que é legal em detrimento do que é justo. E assim como ele, Ministro, outros tantos advogados, donos de bancas biliardárias, pareceristas que cobram milhões por opiniões que tomam força de lei, vão ficando ricos sendo, apenas, advogados. O que dá aparência de verdade, sem exceção, à minha frase dita lá no alto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu, que ingressei na carreira em busca da Justiça, e não da legalidade, vou sobrevivendo, apenas. Daí mamãe pedir, &lt;em&gt;"vá ser Juiz, meu filho"&lt;/em&gt;, daí papai dizer, &lt;em&gt;"tente um concurso, garoto!"&lt;/em&gt;, e por aí vai. Ocorre que é advogando que eu sou mais inteiro, mais feliz, mais realizado, mais apaixonado. Gosto das causas que os ricões dizem "pequenas" e "pouco interessantes do ponto de vista financeiro". Minha maior alegria até o momento, foi a seguinte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Madá, que fazia faxina lá em casa, chegou um dia arrasada pra trabalhar. Contou-me que tinham sumido com R$100,00 de sua poupança. E foi, a Madá, à gerente do Banco. Que lhe disse apenas o seguinte: &lt;em&gt;"Filhinha... estamos cansados desse golpe. Faça o seguinte. Saque o resto da sua poupança e contrate um bom advogado para ingressar com uma ação contra o banco. Eu mesma faço questão de comparecer à audiência para desmascarar seu golpe. Passe bem."&lt;/em&gt;. E riu, a filha da puta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ingressei com uma ação representando a Madá. E de fato a gerente do Bradesco compareceu à audiência. Eu, o bom Szegeri me conhece e sabe que isso é verdade, chorava feito um ganso gripado enquanto fazia a defesa da Madá diante do Juiz, socando a mesa, relatando os fatos e Madá, tadinha, hoje sentada numa nuvem me vendo escrever isso aqui, de cabeça baixa chorava e enxugava as lágrimas diante da pernóstica gerente. E o Juiz sentenciou na hora, condenando o banco a devolver à Madá os R$100,00 corrigidos desde a data do saque fraudulento e a pagar-lhe 40 salários mínimos a título de dano moral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é possível descrever-lhes a alegria da Madá. Sentiu-se, ali, provavelmente, gente grande pela primeira vez. E quando recebeu, de minhas mãos, semanas depois, o dinheiro, algo perto de R$10.000,00, retirou do maço duas notas de R$100,00 e me disse: &lt;em&gt;"Só queria o que é meu, Eduardo. O resto é seu."&lt;/em&gt;. Depois de muito discutir com a Madá, ela aceitou o dinheiro mas dois dias depois chegou à minha casa um ar-condicionado tinindo de novo, presente dela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis o papel que pretendo exercer dia após dia: dar dignidade a quem não tem. Pode lhes parecer utópico demais, inocente demais, mas é aí que reside minha satisfação profissional, e esse foi apenas um dos momentos em que chorei diante de uma vitória diante de um grande conglomoreado. Dirá alguém... &lt;em&gt;"faça concurso pra Defensoria!"&lt;/em&gt;, e eu direi que não, que quero mesmo é advogar, valendo-me do meu conhecimento, da minha capacidade, já que um Defensor não tem tempo para dedicar, a cada um, a atenção necessária e o carinho - por que não? - que essa gente mais-que-merece.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o que eu queria dizer ao Toledão. Que os advogados, os verdadeiros, estão acima das babaquices em latim, da pompa da linguagem inatingível, da cumplicidade que enriquece, da vilania que legitima o ilícito, da luta pelo que é legal em detrimento do que é justo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perdão, senhores, pelo desabafo. Mas hoje me deu uma saudade estranha da Madá e essa vontade, quase infantil, de defender a profissão que eu abracei com tanta gana, tão mal vista graças a porcos que defendem ladrões em troca de grana, grana, grana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;Eduardo Goldenberg&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112169796569225670?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112169796569225670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112169796569225670&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112169796569225670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112169796569225670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/07/advogados-de-novo.html' title='Advogados, de novo'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112145226823780791</id><published>2005-07-15T15:29:00.000-03:00</published><updated>2005-07-15T15:31:08.246-03:00</updated><title type='text'>Templos, templos, templos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando se retira de um membro do povo toda e qualquer consciência de que faz parte de um todo, o indivíduo em questão passa a considerar-se apenas isto: indivíduo, em contraposição ao que deveria ser, em última instância: um ser humano. Pois o homem nunca é apenas ele, um compartimento estanque, e sim membro de uma coletividade, parte atuante da mesma, na medida em que cada um de seus atos influencia o seu estrato, mesmo que a nível infinitesimal. Seremos todos infinitesimais para todo o sempre, se assumirmos a idéia de que não passamos de indivíduos.  Desta forma, se a nós mesmos negamos o respeito em termos humanos, num processo de auto-subestimação galopante, o que dirá do respeito em relação aos que nos rodeiam?&lt;br /&gt;O fenômeno realmente parece ter atingido um grau irreversível: libertos que fomos dos ônus da Cultura, substituída por simulacros estéreis, deixamos também de usufruir os bons frutos da coletividade, e buscamos saídas para o vazio que se estabelece no estrépito infindável e intransferível da valorização do isolamento pessoal. Desta forma, grassam os diversos tipos de templos, placebos onipresentes, que colorem e sonorizam nossas solidões, fazendo-as – apenas – parecer menos trágicas. E o maior dos deuses de todos estes templos de caráter paliativo, com certeza, é o Consumo.&lt;br /&gt;Este processo não é monopólio de determinada classe social: todos estamos sujeitos ao mesmo. Nas comunidades extremamente pobres, duas faces do tal deus se apresentam: a droga e a praga das igrejas evangélicas. O mundo do tráfico é sórdido, assustador, sanguinário, repugnante, para aqueles situados à margem do mesmo (marginais – no sentido clássico – às avessas), mas, para os nascidos e crescidos no terreno da desesperança absoluta, esvaziados como descrito no primeiro parágrafo, adquire ares extremamente atraentes. A partir de uma experiência de natureza interna, que isola (de maneira gritante, como no caso da cocaína) o ser dos que o rodeia (já que é impossível compartilhar uma experiência deste tipo), causa-se um estado de espírito que pode levar, em casos extremos, a uma negação de todo e qualquer conceito ético, o que pode ser comprovado pela relação entre os pertencentes ao meio, em que nenhum grau de lealdade pode ser ao menos entrevisto. As regras passam a não mais valer, mesmo aquelas inspiradas pelo terror espalhado – nem a este se respeita, mesmo que ao custo de morte dolorosa em meio à tortura.  Tudo isto perpassado por uma óptica de vender, comprar e consumir.&lt;br /&gt;O outro caso, em relação às populações carentes, é o cognominado Deus. Não cabe aqui uma discussão sobre a existência ou não do mesmo em termos físicos, espirituais etc., mas sim como é aplicado o conceito. Deus, no universo em questão, não assume a forma de manifestação etérea onipresente, com a qual o reencontrar-se dar-se-ia por meio da religião. Não: aqui o que se chama religião é um fim em si mesmo, e, em lugar de promover a aproximação entre seres humanos (e sua dita essência, por conseguinte), na verdade é disseminadora do afastamento. Exemplo claro disso é a imposição, de determinadas seitas, de um certo tipo de vestimenta ao fiel. Tipo este não-condizente com a realidade social que o rodeia, operando assim como fator diferenciador do fiel em relação àqueles condenados às chamas eternas (ou seja, o resto da espécie humana, aquele resto que não coaduna com o ideário macedista, davimirandesco, rexhumbardiano, piadacoziniano e assemelhados). A empáfia de muitos membros (convictos, por meio de um calvinismo rasteiro capaz de fazer corar o mais quaker dos mórmons de Israel, de que são o povo escolhido), oriundos de camadas paupérrimas, frente aos que não professam a sua fé, é assustadora. E nem é preciso apontar que um fenômeno religioso deveria atuar de forma absolutamente contrária ao que ocorre. Ou seja, desta forma, Deus – ou seja lá que homônimo ostente – pode ser comprado ou subornado, através de uma proto-abnegação ou, simplesmente, de dinheiro, moeda mais aceita em geral. A quantidade de grana que circula no meio atesta indiscutivelmente que esta atividade que deveria ser altamente piedosa na verdade é uma das mais lucrativas possíveis.&lt;br /&gt;Quando voltamos, contudo, o olhar para classes mais endinheiradas, o foco muda. A religião está presente, sim, muitas vezes. Idem a droga. Mas o que catalisa, anestesia e se onipresenta é o consumo puro, despido de subterfúgios. Como se a ascensão social desenvolvesse um olhar clínico e cínico que abolisse completamente a necessidade de mascaramento da natureza ontológica do motivo.&lt;br /&gt;O incidente com a rede Daslu, esta semana, apenas demonstra o quanto o dinheiro deixou de se um meio de aquisição de bens para se tornar mera e poderosamente um fim. Não se trata mais de moeda de troca de bens: tornou-se algo diferente. Os bens trocados pelos mesmos não possuem mais um valor real: o valor é simplesmente o quanto se paga pelos mesmos. Ou alguém realmente acredita que uma bolsa com alcinhas ridículas – a qual, analisando friamente, não executa tarefas superiores à de uma sacola de supermercado – possa realmente custar trinta vezes a renda mensal de uma família? O dístico exibido às portas da Daslu, “Só entre se for rico”, só pode se tratar de sarcasmo puro e simples, num país como o Brasil. E o que dizer da exigência de apresentação de identidade, CPF, comprovante de residência etc. para permitir a entrada de consumidores em potencial num espaço físico que se destina simplesmente a vender, e vender exclusivamente bens supérfluos? Não seria melhor tatuar logo números nos braços do estante da população impedida de adentrar o recinto? A loja é algo assim como o Paraíso do novo deus, onde seus eleitos se dedicam a epifanias regadas a doses maciças de champagnes de 200 dólares a garrafa, enquanto exibem sua mediocridade e futilidade bem-pagas por entre as prateleiras fluorescentes.&lt;br /&gt;Alguém já disse que é impossível que algum ser humano possua um milhão de dólares impunemente. E o incidente desta semana prova isto, de forma indelével. O que são 10 milhões de reais (quantia a que a Polícia federal conseguiu chegar, ou seja, o rombo deve ser muito maior), no erário público (dinheiro de impostos, a que nenhum trabalhador pode se negar)? Com certeza, uma quantia suficiente para impedir que metade da população da Rocinha se volte para o tráfico, para a violência gratuita, para a robotização das seitas evangélicas, durante anos. E isto apenas em uma única apreensão, em uma única loja.&lt;br /&gt;Estaria o pequinês correndo atrás de sua própria cauda? Interrelacionariam-se os diferentes templos de consumo? Estaríamos vivendo no meio de um processo de retroalimentação contínua, em que o roubo engravatado puro e simples gera rombos no orçamento público, gerando falta de Cultura e de conseqüentemente de cidadania, que reverteria em mais dinheiro rolando em cofres isentos de tributações, como os do tráfico e das igrejas em questão, para que mais e mais mergulhemos num vórtice de ignorância e bestialismo, fatores estas que alimentariam de novo, e de novo, e de novo, o momento já irreconhecível em que tudo se inicia?&lt;br /&gt;Ou seria tudo isto simplesmente fruto de uma inocente coincidência, na qual estamos, acidentalmente, envolvidos?&lt;br /&gt;Com a palavra Ubaldo, o paranóico, que com certeza enxergaria e se pronunciaria com muito mais decência e sinceridade que uma criatura como Hélio Honda, assessor jurídico da FIESP, o qual declarou, acerca do que ele considera uma arbitrariedade da Polícia Federal, no último caso:&lt;br /&gt;“Há uma grande diferença entre a invasão de uma loja e de uma favela com criminosos armados”.&lt;br /&gt;Há sim, Sr. Honda, uma grande diferença: nas favelas, ainda há – por incrível que pareça – inocentes.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;Fernando Toledo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112145226823780791?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112145226823780791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112145226823780791&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112145226823780791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112145226823780791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/07/templos-templos-templos.html' title='Templos, templos, templos'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112129430880271936</id><published>2005-07-13T18:07:00.000-03:00</published><updated>2005-07-13T19:39:14.606-03:00</updated><title type='text'>O eu profundo e os outros eus</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Pois não é que o nobre Toledo em boa hora começa a colocar o dedo em feridas mais profundas e questiona os fundamentos da nossa democracia, valor quase religioso no nosso ocidente pseudo-pós-moderno? Vamos por hoje a um pouco de filosofia, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um eminente professor-pensador de insuspeita competência e respeitabilidade intelectual há muitos anos gostava de usar um exemplo caricato para questionar esses absolutismos valorativos normalmente impensados, aos quais alguns bons companheiros de jornada tanto gostam de abraçar-se. Por ocasião de pleitos estudantis pueris por paridade indiscriminada em todas as instâncias decisórias da Universidade, o professor indagava: imaginem se, num hospital, resolverem pleitear a paridade entre doentes, funcionários e médicos para todas as decisões coletivas, inclusive às atinente à padronização de procedimentos? Pois é isso. Na verdade, a história vai mostrando que a democracia só é pensável mesmo enquanto valor para a gerência do estado. E mesmo assim, nem por falta de inventarem algo melhor, como quer o bom Zé Sérgio, mas algo que tenha menos defeitos. Simplesmente é isso: a democracia é, das formas de gestão desse leviatã que criamos e que temos que dar conta, não mais do que a menos pior. E por um motivo bem simples, herdado do liberalismo pós-iluminista da qual é filha direta: é o sistema que mais diretamente valoriza o indivíduo como realidade fundamental, a ser respeitado em sua existência física, social e política. Por isso, só nas democracias tem sentido falar em direitos fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não posso fazer coro com meu companheiro das sextas-feiras quando diz que o ouvir o outro só traz a perda de si mesmo. Pelo contrário, desde Platão, ainda que acreditasse que as formas puras e ideais da verdade preexistissem aos indivíduos, essa só era atingível pelo exercício do diálogo, que visava depurar as imperfeições da linguagem. Creio ainda, depois de 25 séculos, que o exercício do diálogo seja a única forma que permita que construamos uma razão despojada do totalitarismo que caracterizou-a desde a modernidade. Ir ao outro jamais representará o despojamento dos meus próprios sentimentos, valores e convicções, mas submetê-lo ao necessário juízo de validade e plausibilidade (vale dizer, de &lt;i&gt;razoabilidade&lt;/i&gt;) é a única coisa que pode nos apartar dos barbarismos totalitaristas que os séculos têm assistido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não quer dizer, obviamente, que se possa prescindir de algumas diretrizes da razão universal, que é justamente a que brota de uma possibilidade de consciência humana tão ampla quanto possível acerca de algumas validades fundamentais. Sem isso, simplesmente fenece a idéia, por exemplo, de direitos humanos. Da mesma forma, não pode o indivíduo abrir mão de um mínimo de idealismo, sem o qual ele não terá a capacidade de engendrar a idéia de uma realidade diferente da dada, conseqüentemente estando forçado a abdicar de qualquer interferência transformadora sobre a realidade. Da intersecção desse idealismo desejável com a necessária validação pelo diálogo é que se constrói o jogo político, pois a gestão da coisa pública passa por instâncias de intermediação que componham os diferentes idealismos, submetendo-os ao “teste” dialógico de razoabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os indivíduos, as instâncias políticas não podem abdicar desse grau de idealismo político apriorístico, vale dizer, não podem abdicar de ter um programa, de teses, de soluções próprias, diretrizes etc., ainda que a implementação desses tenha que ser dialogada permanentemente com as demais forças políticas que componham o quadro social. A idéia de uma democracia direta total a que levam, no limite, certas concepções de participação da sociedade civil na gestão pública, esbarra nesse óbice, portanto. Se estivermos sempre subordinados às razões particulares envolvidas na resolução de um determinado problema, na circunscrição de uma determinada questão, perde-se a possibilidade que a partir de uma instância dirigente mais universal possa-se implementar vetores de transformação social dirigidos a objetivos socialmente desejados. Ou seja, a existência da instituição política formal visa unicamente assegurar que, ao largo dos interesses particulares envolvidos em questões específicas, faça-se valer uma vontade mais geral orientadora da ação governativa, em busca do modelo social cuja representação é mais disseminada entre a maioria dos indivíduos, com os valores e representações mais universais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, portanto, muito bonito achar que as instâncias da sociedade civil possam deter o controle de todas as esferas das decisões públicas, mas salta aos olhos a ingenuidade da tese “democracia primeiro, justiça social depois”. Porque, como dito, essa democracia “direta” é particularista e não dá conta da composição de uma razão mais universal que tenha a capacidade de estabelecer diretrizes de intervenção na realidade rumo a um objetivo reconhecido comumente. Ademais, pressupõe uma capacidade ociosa de racionalidade dialógica disseminada nas instâncias sociais, desconsiderando que também nelas – e não só nas estruturas limitadas e defeituosas da democracia formal - os tentáculos da reificação quebra as possibilidades de um diálogo eficaz para o solucionamento de problemas, mesmo os particulares. Esses tentáculos há muito já abandonaram as esferas das relações mediatizadas pela política (poder) ou pela economia (dinheiro), para atingir as esferas mais particulares, da vida privada. Então, o problema do funcionamento do sistema democrático não estão circunscritas ao sistema em si, os seus limites e as suas contradições estruturais, como quer o Marcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, nobre Toledo, temo que você esteja confundindo “galhos com bugalhos”, como diria aquele conhecido dirigente corinthiano. Que o sistema democrático tenha limitações é necessário se admitir, por força de que não se pode ter uma homogeneidade completa de valores e representações, de modo que o diálogo e a participação direta e eqüitativa de todos os indivíduos seja capaz de gerir todas as esferas da vida social. Há que haver, portanto, um corpo diretivo institucionalizado a ser ocupado por um grupo de indivíduos que portem um conjunto de valores, representações e ideários programáticos que pareça ao conjunto dos indivíduos, capazes de implementação daqueles valores reconhecidos como os mais universais. Essa função diretiva geral, direcionada para a garantia da segurança e subsistência do corpo social, será pois exercida pelo poder político mediado democraticamente, como garantia da preservação dos indivíduos e de seus valores mais universais. Já as esferas de gestão mais particulares, podem estar subordinadas a instâncias decisórias menos formalizadas, desde que as condições mínimas de exercício dialógico estejam preservadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como corolário, o que eu imagino como utopia a ser posta como orientadora de nossa ação política é um sistema político formalizado contido aos limites estritos das necessidades que temos dele, com as outras esferas da vida social mediatizadas por uma racionalidade inclusiva e com o mínimos de instrumentalização formal. Isso passa por duas vias de ação: internamente ao sistema, no sentido de apropriação dos meios de poder e meios econômicos para o serviço da coletividade, para o banimento das desigualdades e provimento das necessidades materiais de todos os seres humanos, o que significa o fim do capitalismo. Num segundo passo, no sentido radicalmente oposto ao que foi feito por todos os sistemas socialistas, o confinamento dos sistemas aos seus limites, a desregulamentação formal da vida social, para que as comunidades possam respirar e retomar o desenvolvimento de uma racionalidade coletiva que dê conta dos processos decisórios, das normas de convivência etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se tem certeza de que essas comunidades conseguirão. Há uma aposta no valor intrínseco de uma racionalidade compartilhada, mas não se tem garantia de suas possibilidades de funcionalidade, seja pela incógnita relativamente à perspectiva de recuperação das estruturas reificadas do mundo da vida privada, seja pelos próprios limites naturais dessa nova racionalidade, que não pode ser completamente abrangente, haja vista os processos que refogem à própria idéia de racionalidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#996633;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fernando Szegeri&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112129430880271936?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112129430880271936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112129430880271936&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112129430880271936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112129430880271936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/07/o-eu-profundo-e-os-outros-eus.html' title='O eu profundo e os outros eus'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112111381172813304</id><published>2005-07-11T17:25:00.000-03:00</published><updated>2005-07-11T17:30:11.736-03:00</updated><title type='text'>Dona Ivone e o presidente do fundo de pensão</title><content type='html'>Dona Ivone Lara todo mundo conhece. Autora de pérolas do samba, primeira compositora a vencer um concurso de samba-enredo, uma artista genial que ralou décadas como enfermeira do hospício do Engenho de Dentro, lotada na terapia ocupacional, o setor que inventava diversão para os internos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Mulher vigorosa, de uma  bondade extrema, perto dos oitenta e cinco anos ela continua sendo um esteio não só da nossa música popular, como também de um monte de gente que depende dela. É o mais velho arrimo de família que conheço! O que será que aquela gente toda vai fazer quando ela faltar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A vida inteira dependeram de Dona Ivone. No hospício, tinha carta branca da doutora Nise da Silveira para fazer arte com os pacientes. Pois era justamente o que ela fazia: pegava o cavaco e botava os malucos para sambar. Alguns até ficaram bons da cabeça, pois não eram doentes do pé. “Ficaram bonzinhos que só vendo”, disse Dona Ivone, que tem essa mania de terminar algumas frases com a expressão “que só vendo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Dona Ivone abriu o baú do Museu do Inconsciente e me contou suas histórias do hospício, uma tarde inteira, na quadra do Império Serrano, sentada no camarote que leva o nome da Tia Eulália. Nesta época, eu era editor do jornal impresso e do site de um fundo de pensão e a entrevistei porque estávamos fazendo o relatório anual da instituição, cujo tema era a terceira idade produtiva. Terceira idade produtiva era com ela mesma, que sustenta tanta gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Para encurtar: conversa vai, conversa vem, descobri que um irmão de Dona Ivone, o falecido Waldir José da Silva, havia trabalhado na grande empresa patrocinadora do tal fundo de pensão. Fiquei com aquilo na cabeça e pesquisei no trabalho sobre o moço. Dois dias depois, um atuário me procurou para dizer que havia localizado a ficha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         O Waldir deve ter sido um figuraço. Era solteiro e, ao passar desta para a melhor, deixara várias mulheres que entraram com requerimento de pensão, todas alegando que tinham sido companheiras dele. Nenhuma conseguiu marcar o gol. Isso porque o Waldir fora bem claro em seu pedido de deixar o pecúlio para a única irmã, que o criara como se fosse uma segunda mãe, e somente para ela, para mais ninguém, a Ivone da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Durante anos a fio, o fundo de pensão procurou a irmã do Waldir e nada. O sobrenome era diferente. Ivone Lara era o nome artístico, bingo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Pois não é que havia uma bela grana guardada em nome dela? Dona Ivone vibrou. Um dia marcamos para que ela fosse lá receber a bufunfa. Foi uma festa no prédio da Rua do Ouvidor. Irradiando simpatia, a antiga componente do Prazer da Serrinha e veterana integrante da ala das baianas e da ala dos compositores do Império Serrano adentrou o edifício onde funciona o fundo de pensão como se estivesse evoluindo na avenida. Todos queriam tocá-la, beijá-la, pedir autógrafos. Quando me viu, cantou serelepe, ao lado da sempre presente empresária: “Foram me chamar/ Eu estou aqui, que-é-que-há!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Passou no guichê e foi comigo e com mais dois assessores de imprensa do fundo de pensão até o gabinete do presidente da entidade, que queria conhecê-la. Ótima pessoa, aquele presidente. Sério, honesto, formal e tímido. Só que, de repente, ficou sem saber o que falar com a grande compositora, e foi então que deitou a discorrer sobre seu time de futebol, o Corinthians. Queria aproximar-se mais daquela pessoa do povo, daquela artista popular... Como nada sabia de samba, engrenou um papo de futebol, assunto que dominava ... menos ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Dona Ivone, por sua vez, diante daquele senhor refinado e boa gente, também perdeu o repertório. Resolveu rememorar uma grande figura que conheceu, o Major Paredes. Não sei por que cargas d´água ela lembrou desse Major Paredes, que só muito tempo depois descobri ter sido um dos jurados que deu o primeiro título de escola de samba campeã ao Império Serrano. “O senhor ia gostar muito do Major Paredes, seu presidente. Era educado que só vendo”... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Ficaram os dois sem assunto – a sambista e o presidente do fundo de pensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         E o jeito foi um falar do Corinthians, como se tivesse passado a vida inteira numa arquibancada, e a outra tecer elogios a um militar falecido há mais de 50 anos, pessoa que ninguém ali tinha ouvido falar. Não tinha a ver o cós com a calça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Eu e meus dois colegas nos segurávamos para não cair na gargalhada. Era preciso encerrar logo aquela audiência. Alguém lembrou que estava na hora do almoço e que iríamos comemorar com Dona Ivone e sua empresária num restaurante de comida mineira. O presidente do fundo de pensão não podia ir, por causa de outro compromisso ou porque estava com medo de ficar mais algumas horas sem saber o que dizer. Mas foi aquela menção à comida mineira que salvou a “conversa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         “Ah, um feijãozinho preto carregado! O senhor gosta, seu presidente?”, tascou Dona Ivone, para fechar com chave de ouro a conversa de maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         “Ah, sim, gosto muito! Na minha terra botam um ovo e chamam de virado...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A sambista ficou meio sem jeito. Deu para perceber no ato que ela havia entendido outra frase e antes que Dona Ivone perguntasse a qual dos veados o presidente estava se referindo – um ou dois funcionários do fundo de pensão que testemunharam a conversa tinham essa opção sexual -, peguei-a pelo braço e entramos no elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         No elevador, Dona Ivone relaxou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         “Que senhor simpático! Vai perder um feijãozinho que só vendo, né mesmo?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#6600cc;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;José Sérgio Rocha&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112111381172813304?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112111381172813304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112111381172813304&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112111381172813304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112111381172813304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/07/dona-ivone-e-o-presidente-do-fundo-de.html' title='Dona Ivone e o presidente do fundo de pensão'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112083093751133898</id><published>2005-07-08T10:53:00.000-03:00</published><updated>2005-07-08T10:55:37.516-03:00</updated><title type='text'>E a governabilidade matou o gato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os homens deveriam evoluir. É um princípio intrínseco dos seres vivos, ou, como diria Mauro Duarte, a concepção da vida admite. Eliminar, gradualmente, aspectos que remetem à lama primordial e avançar rumo a esferas mais elevadas é uma lei da natureza, repetida desde que Darwin é Darwin, e, de maneira menos perfeita e exata, desde que certos gregos deram uma pausa nas seções vespertinas de sodomia e se dedicaram a dedicar-se a botar os neurônios para funcionar. Como explicar então que certos organismos, que deveriam ter se libertado da lama comum, retornem a ela após tomarem o gosto pelo ar fresco e puro? A pergunta pode ser aplicada ao Partido dos Trabalhadores, nos dias de hoje.&lt;br /&gt;O PT foi criado, na década de 70, visando ser uma alternativa tanto ao governo ditatorial claramente de direita que então detinha o poder, quanto a uma esquerda histórica calcada em dogmas que pareceram, a alguns pretensamente antenados do momento, como inviável – o que talvez tenha constituído seu maior erro. A partir do viés que pregava que a democracia parecia ser maior que a justiça social, construiu-se um partido moderno, sim, em termos de levar o debate até um grau nunca antes pensado, mas por isto mesmo ineficaz. A partir do momento em que se estabelece como porta-pluralidade-de-vozes, o PT alcançou, a princípio, uma estatura moral e humana que se opunha à do meio político então – claramente contra a idéia de atribuir-se este peso a pensamentos individuais. Resta perguntar: estatura por si mesma se mantém de pé?&lt;br /&gt;Á medida em que se ouve, mais e mais o outro, cai-se no limite de negar-se a própria natureza primordial daquilo que nos move. Quando tudo é relativizado (como em certos tomos antropológicos que tentam até mesmo conferir caráter musical ao funk carioca), pode-se conceder valor a elementos que não o mereceriam, e, a partir daí, criar-se uma forma de pensar que se abstrai de qualquer conceito de absoluto, legitimando as mais impensáveis das coisas em função de uma coexistência humana. A pergunta que resta é: num país em que a grande maioria da população perdeu o controle de – ou desconhece, em absoluto – sua capacidade de discernimento, é correto que se conceba que o poder de decisão pode emanar igualmente de todos dentro de um partido? Ora, um partido não é um povo inteiro: é a reunião de elementos que poderão ou não vir a representar este mesmo povo, contudo não a reunião de elementos quaisquer. Supõe-se que estes elementos estejam devidamente aparelhados, em suas respectivas áreas, para tomar decisões representativas para este mesmo povo – o que é fábula, numa terra em que as pessoas se elegem distribuindo copinhos de mocotó em dia de eleição, como certo deputado de São João de Meriti.&lt;br /&gt;Desta maneira, não se pode nivelar todos os homens. Resta, então, efetuar filtragens no mecanismo do partido, se é que este deseja se manter a margem da lama citada lá no primeiro parágrafo. E deve-se admitir que durante algum tempo o PT realizou uma filtragem razoável. Por que a mudança agora? Os quadros do partido mudaram?&lt;br /&gt;Não, muitos dos envolvidos na atual erupção de lixo são petistas históricos, teoricamente servidores de um povo que os levou, pela primeira vez, às mais altas esferas do poder. E que deveriam agir como se assim o fossem. Mas há a questão da governabilidade.&lt;br /&gt;Julgando-se democrático ao extremo, o PT foi capaz de admitir para si mesmo que assinar com o próprio sangue um pacto com Mefistófeles poderia resultar em algo produtivo e sem ônus morais. Mas os pactos desta natureza só o parecem ser no início, quando advêm as vantagens. O diabo é traiçoeiro, e nunca esquece uma dívida (uma espécie de Credicard metafísico). Por isto, em função da mesma governabilidade, pequenos diabinhos se aglomeraram em torno do PT, se imiscuindo, fazendo parecer que “aquilo não era nada demais” e assemelhados. E o partido que se dizia o mantenedor da probidade acabou por se tornar nada mais nada menos que um partido político brasileiro, como outro qualquer. Uma prova disso é que um dos maiores corruptos que este País já conheceu hoje posa de homem bravo e corajoso, de Grande Denunciador, mesmo tendo admitido que só assumira esta atitude porque, mergulhado como estava na lama, ia acabar sobrando para ele.  O roto falando do mal-lavado, com o agravante, para este último, que o mal-lavado deveria, por sua natureza e discurso passado, se manter mais puro que véu de noiva virgem na Sicília.&lt;br /&gt;A governabilidade matou o gato. O mais doloroso para todos nós, que sonhamos em ver este País sob a égide de um governo socialista um dia, é constatar que, no Brasil, não se deve negociar, enquanto não se extirpar, de uma vez por todas, com a abundância de demônios que grassa nas atmosferas do Poder. E que talvez o caminho da não-negociação seja o único possível, por mais doloroso e sangrento que este mesmo possa parecer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#333333;"&gt;Fernando Toledo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112083093751133898?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112083093751133898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112083093751133898&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112083093751133898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112083093751133898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/07/e-governabilidade-matou-o-gato.html' title='E a governabilidade matou o gato'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-112068340849664591</id><published>2005-07-06T17:30:00.000-03:00</published><updated>2005-07-06T17:56:48.506-03:00</updated><title type='text'>O que foi sem nunca ter sido</title><content type='html'>Bem, vou aqui desincumbindo-me do ônus que sobre mim recai às quartas-feiras – ainda que atrasado, devido a problemas com o sistema de postagem do nosso hospedeiro - já que meus companheiros de composição parece que perderam o trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos surgir nos últimos dias, depois do mar de lama parecer generalizar-se sobre o partido do presidente, naturalmente ameaçando sempre respingar no governo, e da exacerbação de alguns discursos, vozes respeitáveis virem à público na tentativa de desconstruir a idéia que se dissemina e que de certa forma tenho defendido, segundo a qual o governo Lula em nada se diferencia não só de FHC, mas da tradição dos mandatários nacionais subservientes ao grande capital e aos interesses colonialistas de sempre. Destaco os bons artigos dos professores Flávio Aguiar na &lt;a href="http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=1349&amp;coluna=boletim"&gt;Agência Carta Maior&lt;/a&gt; e Emir Sader, reproduzido no &lt;a href="“http://www.vermelho.org.br/diario/2005/0705/0705_opsader.asp”"&gt;Portal Vermelho&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malgrado a qualidade dos argumentos expendidos, acredito que esta visão esteja essencialmente encobrindo uma falácia e uma verdade mais profunda. A falácia é a que tenta colocar na boca dos críticos do governo do PT a idéia de que para o grande capital e os interesses colonialistas (que nem sempre se confundem na prática, como no caso do capital agrário, industrial e comercial brasileiro massacrado pela lógica financista que vem imperando desde a década passada; mas ao que tudo indica as construções ideológicas que aproximam esses setores parece estar falando mais alto até o momento, a despeito das evidências claras que só a retomada da soberania sobre os rumos nacionais e uma conseqüente política desenvolvimentista de expansão de mercado interno podem salvar o capital nacional) seja &lt;b&gt;indiferente&lt;/b&gt; que esteja no poder Lula, de um lado, ou, de outro, FHC, Malan, Delfim, Alckimin etc. Não precisa ter capacidade reflexiva privilegiada pra se notar a estultice óbvia que essa idéia enseja. Porque &lt;b&gt;nós&lt;/b&gt; exercermos o poder é sempre diferente &lt;b&gt;deles&lt;/b&gt; o fazerem, por qualquer dos lados que se olhe. Mas, no fundo, não passa muito disso, numa versão globalizada, pra ficar na moda, daquela definição outrora corrente: ditadura é quando eles mandam em nós; democracia é quando nós mandamos neles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, pois, importa admitir como inconteste que Lula não é “nosso” em nenhum sentido, para os donos do poder históricos. Não é de família tradicional, não faz parte da elite intelectual acadêmica, não vem dos setores do capital e nem sequer enriqueceu trabalhando. Então, sob a ótica da Casa Grande, para usar a denominação do professor Aguiar, quem está no Palácio do Planalto é “deles” e obviamente melhor seria para perpetrarem os seus desmandos seriais em proveito próprio que lá estivesse um “nosso”. Negar isso seria negar o jogo político que ainda contrapõe o PSDB e o PT, que de outra forma reunir-se-iam definitivamente para a pilhagem nacional, como já dissemos por aqui. Ao mesmo tempo, também não se ousa mais negar que a política econômica agrada religiosamente, até as minúcias, os interesses da tal Casa Grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a verdade profunda que ora também se enconbre, como também amiúde temos defendido (&lt;a href="“http://sodoiquandoeurio.weblogger.terra.com.br/200405_sodoiquandoeurio_arquivo.htm”"&gt; A verdadeira herança maldita ou da morte da política&lt;/a&gt;, de 11/05/2004), é que o período FHC conseguiu implantar perversamente a semente de uma lógica gerencial financista indepentente que se perpetua a despeito do exercente formal do poder. Dizia eu, na ocasião: “Isso nos conduz à triste conclusão de que a verdadeira herança maldita deixada pela era tucana não se resume à exponenciação da dívida pública, ao aniquilamento do parque industrial nacional, à completa estagnação econômica e à dilapidação do patrimônio estatal. O legado fatídico é a perpetuação de uma lógica financista auto-referente e auto-suficiente que, mais do que desprezar, faz prescindir-se da política como arte dos cidadão de uma &lt;i&gt;polis&lt;/i&gt; disputarem os rumos da coletividade e negociarem a tomada de decisões. A lógica contábil dos superávits (que obviamente é não mais que a máscara ideológica para o verdadeiro substrato consistente na intangenciabilidade da obrigação de honra aos compromissos formais com os credores) governa os destinos do estado brasileiro como um andróide insensível pré-programado para exercer a sua sanha exterminadora, rebelado e incontrolável ... O imobilismo de um governo que incorpora setores altamente representativos da esquerda brasileira, sua quase patética incapacidade de desmontar as armadilhas mais simplórias do modelo financista, mostram-nos o quanto precisamos urgentemente ressuscitar a política como forma de controle do estado pelos cidadãos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula não conseguiu desenredar-se desta teia maliciosa construída habilmente para manter as estruturas fundamentais da lógica macro-econômica. Ainda que, como admitido na famosa Carta aos Brasileiros, marco da rendição política do PT ao núcleo cancerígeno que destrói o país, preservássemos os contratos, ainda que a honra aos compromissos financeiros seguisse estrangulando orçamentos e margens de manobra, o eleitorado que votou em Lula esperava que dentro dessa margem estreita se invertessem substancialmente as práticas políticas e os objetivos primários da ação estatal no Brasil. Esse foi o sinal que foi negado à nação e que legitimaria ainda mais o pleito por um segundo mandato: a ação de um líder popular que, valendo-se de seu apoio, denunciasse publicamente as tentativas espúrias de se trancar as ações governamentais, as chantagens políticas, as negociatas por cargos e todo o lodaçal que vem à tona agora como nunca. Mas foi nessa hora, precisamente, na hora em que o Brasil confiou em seu líder, que Lula foi menor do que esperávamos dele, entregando o comando das ações políticas ao PT burocrático, capitaneado pela mente autoritária, arrogante e bem pouco escrupulosa (ainda que bem intencionada, sigo acreditando nisso) do ex-ministro José Dirceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse ponto que se evidencia a contradição do discurso do eminente professor Sader, que é fundamentalmente a mesma da orientação do meu partido, com a vênia devida. Qual o sentido de se fazer a defesa intransigente de Lula apontando a necessidade urgente da retomada do comando do curso político e da inversão da lógica da política econômica? O sistema econômico presentemente vigente foi concebido para “quem quer que seja o presidente do país, nada muda, nem mudará”... “no conteúdo das políticas”, na letra do citado articulista, mas foi o PT, sim senhor, que tratou de atestar que essa continuidade se estenderia incólume sobre o “ manejo nada ético do governo e de suas alianças”. E o que fez Lula diante de tudo isso? Nada. Sua liderança é inexistente, o peso do seu cargo e de sua história pessoal não se fazem sentir em nenhum momento no deslinde das ações no teatro político. A patética reforma ministerial patina, por isso, há bem mais de seis meses, e chegam a despertar piedade as demonstrações de inabilidade, as trapalhadas, sob o olhar atônito e “triste” do presidente que nem mais parece querer ser candidato, como assinala Clóvis Rossi na &lt;i&gt;Folha&lt;/i&gt; de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resumo da ópera é que por mais que se peçam votos de confiança pessoal a este homem honrado chamado Luiz Inácio da Silva, o fato é que nenhum argumento racional dá conta de que terá ele condições de chamar a si a responsabilidade por uma virada política respaldada no seu prestígio, na sua liderança, que teria que corresponder necessariamente a um contraponto ao poder absoluto do fiscalismo cego e subserviente operado por Palocci, o empalador. É o próprio Sader que estampa a tibieza de suas esperanças: “Se quiser romper o cerco de que está sendo vítima, o governo precisa movimentar-se, retomando a iniciativa e deslocando a atual situação. O problema é que pensa movimentar-se rodopiando no mesmo lugar, obtendo uma sobrevivência imediata aliando-se ao PMDB, mas sob o risco de não conseguir derrotar a ofensiva de denúncias.” Ou seja, mais uma vez, acuado, intimidado, o presidente furta-se a fazer o que dele se espera e opta pela saída mais fácil, prendedo-se mais e mais a setores fisiológicos espúrios que não estão minimamente comprometidos com as esperanças de transformação e justiça que o Brasil anseia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhando, pois, o raciocínio sugerido por Janio de Freitas ontem na mesma &lt;i&gt;Folha&lt;/i&gt;: o presidente, a esta altura do campeonato, é sem dúvida diretamente responsável pela crise. Infelizmente, tenho que admitir o que passei a vida negando, desdobrando-me em argumentos, contendas e brigas até as raias das vias de fato: Lula&lt;br /&gt;não está a altura da liderança política que dele se espera e da confiança que nele depositou o povo, não para resolver os problemas todos do Brasil, mas oferecer um mínimo contraponto à história de apropriação privada do estado e sua instrumentalização para a perpetuação das formas de opressão, desigualdade e acumulação. Infelizmente, senhores, Lula mostrou-se um fraco. É um homem honrado, de bem, comprometido até, eu diria, com os anseios da maioria oprimida da nação. Mas não vai mudar a política econômica, nem vai quebrar os ovos, professor Emir. Lula não é Vargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se o presidente Lula, apesar de jogar do lado que certamente não é o “deles”, não é o homem a conduzir o Brasil a um avanço, mínimo que seja, na assunção de uma postura independente e soberana cada vez mais rara entre os colonizados, mister empunhemos, uma vez mais, as idéias e as armas todas que dispusermos para a reconstrução de um caminho que recoloque a política como instrumento de condução dos destinos da nação, que corte os grilhões que nos aferram a um modelo sugador de nosso sangue, de nossas riquezas, energias, esperanças e dignidade. Lamento profundamente ver os comunistas agarrados a uma náufraga esperança, à liderança não consumada de Lula, em vez de erguendo a bandeira de uma nova alternativa democrática que recomponha o &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; do enfrentamento político como resistência a esta financismo auto-referente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, senhores, a recusa de Lula e da inépcia política petista não significa em absoluto rendição ao projeto de poder prefigurado exemplarmente na ambição tucana da retomada do Palácio do Planalto. Afirmar esta equivalência significa aceitar a incolumidade dos ultra-contemporâneos mecanismos de expoliação financeira a qualquer ação política, o que significa estarmos para sempre condenados a meros expectadores dessa pantomima monstruosa cujo cenário vai sendo composto por nossos próprios cadáveres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fernando Szegeri&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-112068340849664591?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/112068340849664591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=112068340849664591&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112068340849664591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/112068340849664591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/07/o-que-foi-sem-nunca-ter-sido.html' title='O que foi sem nunca ter sido'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111998871941449509</id><published>2005-06-29T06:00:00.000-03:00</published><updated>2005-06-28T17:03:02.706-03:00</updated><title type='text'>A derradeira cruzada anti-nacional</title><content type='html'>Na semana passada insinuei a idéia de como o advento da antena parabólica, que disseminou a chegada da televisão com plena força aos mais distantes rincões nacionais, acabou sendo um golpe duríssimo na resistência dos valores tradicionais da cultura nacional. O nobre Toledo embarcou nesta Conexão belissimamente, falando sobre um certo relativismo fajutista, que vai da religião às artes e que parece tragar toda a humanidade. Bem pontua meu caríssimo xará a respeito do individualismo exacerbado nesse tipo de postura, com suas inegáveis e desastrosas conseqüências. Nosso bom Zé Sérgio captou muito bem um sentimento que nos invade acima de toda e qualquer argumentação e análise racional, de que aquelas pessoas que conhecíamos, aquele país em que nascemos e crescemos, parecem de uma hora pra outra terem desaparecido. De repente, como nos piores pesadelos infantis, eis-nos abandonados e solitários num lugar estranho, estrangeiros em nossa própria terra, alienígenas em nosso próprio mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quero retomar, como prometido, a linha da argumentação, pois o pouco que talvez tenha sobrado deste nosso país de verdade, das pessoas reais que conhecíamos, vem sendo posto abaixo a golpes de machado e motosserra disferidos pelas diversas seitas evangélicas espalhadas pelo país, conforme a força que detenham, diretamente proporcional ao poderio econômico que se traduz sobretudo no domínio/detença de veículos de comunicação de massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lacuna deixada no seio da sociedade pela ausência quase absoluta do estado como provedor de necessidades elementares e minimamente garantidor da &lt;i&gt;pax&lt;/i&gt; social foi o espaço absolutamente perfeito para que se instalassem entre nós este outro câncer que está a destruir completamente o pouco que resta dos valores e referências simbólicas da cultura brasileira, tradicionalmente baseados na tolerância, na camaradagem, no entendimento, na solidariedade. O crescimento das tais igrejas alimenta-se tanto das carências materiais e simbólicas das populações abandonadas, como por estas representarem, muitas vezes, a única possibilidade de contraponto à alternativa extremista ligada ao jogo da violência e da vida criminosa, ou ao menos marginal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que o tema é delicado, sei que o espaço pode não ser o mais propício, que invocarão a liberdade religiosa etc. De antemão, parafraseando o dito célebre: defenderei até a morte o direito daqueles cidadãos de freqüentarem as suas igrejas independentemente de qualquer interferência pública ou privada, mas não abrirei mão de criticar o fundamento de sua pregação. Não é, absolutamente, minha intenção aqui discutir o papel das religiões intitucionais no &lt;i&gt;imbroglio&lt;/i&gt; no qual conseguimos transformar nosso mundinho. Não há dúvida que o fator religioso representa um grande complicador - Bush está aí pra quem quiser ver -, mas é fato também que as tradições religiosas representam importantes instâncias de transmissão e reprodução cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso religioso institucionalizado costuma compensar o que tem de dogmático e, por isso mesmo, alienante, com uma ênfase sobre solidariedade, respeito à pessoa humana, condenação da violência etc., de cunho evidentemente positivo como formador de substratos comuns de entendimento. O discurso dessas seitas, porém baseia-se numa premissa única: tudo o que está errado na sua vida é fruto da ausência de Deus (ou da presença do "mal", que se pode identificar com o demônio propriamente dito, ou na forma difusa de "encostos", "mandingas" e que tais). A conclusão: você precisa aceitar Deus e viver próximo a ele (na igreja, evidentemente), que todo o resto se ajeitará, suas dificuldades financeiras, seus problemas familiares, seus fracassos pessoais etc. Corolário: você não precisa melhorar como pessoa, estudar, refletir, participar socialmente, organizar-se, reivindicar. Você estando na igreja (e pagando o dízimo, claro!), nada mais importa. Evidentemente, trata-se da sentença de morte da política e da cultura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que se defender, é certo, a liberdade religiosa, bem como a liberdade de organização de uma sociedade e um estado laicos. Mas a praxe destes segmentos parece orientar-se no sentido oposto, organizando-se politicamente, inclusive, para fazer valerem seus pontos de vista morais por sobre toda a sociedade, não só como legítima manifestação de segmento civil organizado, mas como representação político-partidária aspirante ao exercício dos poderes republicanos, vale dizer, buscando a formação de maiorias para governar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os "pentecostais" (e aqui quero expressamente diferenciá-los das igrejas protestantes sérias e de tradição, com as quais sempre convivi num excelente diálogo e colaboração fraternos: batistas, presbiterianos, luteranos, metodistas, principalmente, mas não só) já são 30% da população brasileira. Não conheço os números, mas as rádios ligadas a essas seitas são maioria absoluta na banda de "AM" e avançam vorazmente sobre a banda "FM" aqui em São Paulo, é só correr o &lt;i&gt;dial&lt;/i&gt; para constatar. As bancadas evangélicas são poderosas nas Assembléias Legislativas, Câmaras de Vereadores e no Congresso Nacional. Os templos espalham-se por todas as cidades e todos os bairros dos grandes centros e chega a existir na maior cidade do país - pasmem! - uma legislação que regula os limites de emissão sonora desses estabelecimentos diferenciada e bem mais "elástica" do que aquela que regula o ruído produzido por bares, casas de espetáculos etc. A justificativa do autor da lei, votada e aprovada pelo terceiro maior parlamento do país? "O povo de Deus não pode ser comparado a meros freqüentadores de botecos..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendo, portanto, questionar um determinado modelo de instituição pretensamente religiosa, que sistematicamente ataca os fundamentos históricos da nossa cultura, como também expressamente dissemina a intolerância contra outras manifestações, como amiúde temos visto acontecer, sobretudo em relação ao catolicismo e às religiões afro-brasileiras, as duas pricipais matrizes religiosas da nossa cultura. Certamente não concorre para a liberdade religiosa o progressivo estabelelecimento de monopólios dos meios de comunicação social de massa e seu uso para a detração pública de manifestações religiosas tradicionais da cultura brasileira. Estes monopólios, bem como o institucionalização do poder político desses grupos dentro das estruturas do estado de direito representa, assim, evidente contraposição à forma democrática de governo, baseada na alternância dos grupos no exercício do poder e no respeito à representação política da vontade das minorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmo, portanto, que a disseminação incontrolada dessas formas "religiosas" representa ameaça para os valores tradicionais da política e da cultura brasileiros, desde os princípios mais gerais do republicanismo (entre os quais a separação entre estado e igrejas), passando pelas formas políticas da democracia, até os valores mais característicos do &lt;i&gt;ethos&lt;/i&gt; do povo brasileiro, historicamente caracterizado pela tolerância e sincretismo religiosos, pela pujança das manifestações populares ligadas à arte (dança e música, muito especialmente) etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que é exasperante essa sensação de estarmos sendo progressivamente dominados. Pra você, Zé Sérgio, que ainda confia no povo do samba e do butiquim,  informações que tive há algum tempo dão conta de que trabalhos de educação musical em favelas da região do bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, que buscava a iniciação de crianças e adolescentes na teoria musical e prática de instrumentos tradicionais do samba e do choro estão sendo abortados porque os "pastores" espalham que samba é coisa do demônio. Os cursos estão esvaziando, o trabalho comprometido. Provavelmente, não querem os ditos líderes que seu rebanho esteja dedicando mais tempo ao estudo musical do que a assistir aos seus discursos aliciadores, fundamento do seu sistema de "angariamento" de recursos financeiros. Ou, pior, talvez não queiram que suas ovelhas estejam expostas a uma prática que vá despertar a consciência cultural e social nessas crianças, consciência de pertença, de inserção histórica, de tradição. Tudo o que seus discursos pseudo-religiosos buscam negar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#009900;"&gt;Fernando Szegeri&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111998871941449509?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111998871941449509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111998871941449509&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111998871941449509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111998871941449509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/derradeira-cruzada-anti-nacional.html' title='A derradeira cruzada anti-nacional'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111989035220693267</id><published>2005-06-27T13:29:00.000-03:00</published><updated>2005-06-27T13:39:12.220-03:00</updated><title type='text'>O sorriso do lagarto do PMDB</title><content type='html'>Mais do que nunca, política me enche o saco. Desgrudar do noticiário, no entanto, tem sido difícil pra mim. Um dia vou conseguir somente ler as páginas de esportes, de cidade, o segundo caderno... até lá, vou ter que engolir sapos como essa foto do Lula e do Mercadante segurando firme as mãos dos peemedebistas Renan Calheiros e Michel Temer. Demorei um pouco para entender por que a foto estava me batendo tão mal... até que me dei conta! Foi a cara de constrangimento do ... Michel Temer! Era para ser o contrário, mas quem demonstrou desconforto com a nova aliança – aliança, qual o quê!, já foi batizada como coalizão – foi o representante do partido que mais se agarra ao poder, a qualquer esfera do poder, como craca de navio enferrujado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me sinto liberto e alegre por não ter mais crenças nem ídolos. O pôster do Che que dependurei anos em meu quarto está no lixo há tanto tempo que já deve ter sido reciclado. Continuo admirando o autor da foto, Alberto Korda. O Che, nem tanto. Não me pergunto por quê essa ranzinzice minha até com um morto ilustre. Evidente que o Che não tem culpa das besteiras que o PT cometeu na oposição e no governo. Não há motivos para se culpar o guerrilheiro argentino pelo processo suicida-autofágico das esquerdas, que já existia antes dele nascer. Mesmo assim, já não tenho o mesmo carinho por ele e nem por seu pôster. Talvez porque hoje acredite que o Che só se agarrou à idéia de espalhar a revolução pelo continente depois de ter concluído, com os próprios botões, que não existe beleza alguma no poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, o Che acovardou-se, o Che deduziu que também ele tinha um preço (não necessariamente um valor monetário) e, para não cair na tentação, mergulhou de cabeça na parte menos complicada da revolução ou do sonho – a luta. Se morresse lutando, melhor ainda. Que herói, que nada, penso querendo não pensar assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a expressão Partido dos Trabalhadores pela primeira vez em 1976, quando tinha 24 anos. Estava na faculdade, mas já exercia o jornalismo desde 1973, beneficiado pela lei antiga. Na UFF conheci um figuraço, o Luiz Arnaldo, e através dele engajei-me no Movimento pela Emancipação do Proletariado. Nome porreta, pessoal gente fina, a qualquer momento a gente ia retomar a luta armada e o sonho do Che! A ditadura que se cuidasse!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não é que o MEP já falava, então, em “construir o Partido dos Trabalhadores”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda não era militante, pois me faltava algo essencial. Eu não tinha tempo. De manhã era o curso de Cinema. Na hora do almoço, saía voando de Niterói rumo ao Centro do Rio para trabalhar em meio expediente numa agência de notícias. Um trabalho que eu adorava fazer e que me completava a grana do aluguel do apê em Copacabana. Pela primeira vez na vida, depois de viver em pensões de estudantes, eu morava sozinho num lugar só meu. A partir das 17h, eu era redator da Editoria Internacional do “Jornal do Brasil”. Em algumas noites, fugia do JB para assistir algum crédito de Jornalismo. E assim quase virei estudante profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha experiência no ramo da subversão vinha de 1968, no Colégio Pedro II, Centro, onde fui defensor assanhado da participação das turmas noturnas do científico e do clássico nas passeatas que aconteceram depois da morte do estudante paraense Edson Luiz de Lima Souto (era um tempo bonito, a gente guarda até hoje o nome inteiro de algumas pessoas...). No Pedro II (tudo ou nada? tudo! então comequié...), fiquei próximo de determinada tendência, que passei a considerar conservadora quando cheguei à faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei mesmo fã do MEP, que tinha pessoas inteligentes, cultas e diferentes. Era um grupo que possuía negros e mulatos, muitas mulheres, como eu não via em outras tendências estudantis. Ou pelo menos eu via assim. Tudo muito bonito, mas com o tempo percebi que o conjunto lembrava certos times de futebol que são cheios de craques que não se entrosam. No caso do MEP, faltava entrosamento do nosso pessoal com a realidade brasileira. Era realmente um problema grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nem cheguei a atingir a condição de militante. Em 1977, já estava louco para mudar de organização. Isso porque todos os demais colegas da faculdade e da UFF já estavam riscando as paredes com spray e falando em Anistia e Liberdades Democráticas. E meus queridos companheiros do MEP eram contra! Anistia, diziam, “significa perdão, e não estamos em busca de perdão. O que defendemos é a soltura imediata dos presos políticos e a volta dos exilados!”. Liberdades democráticas? “São liberdades que só interessam à burguesia. O que queremos são liberdades políticas para todo o povo trabalhador, a ditadura do proletariado!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;!?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, não dava mais pé. Certo dia me vi ajudando outro grupo a fazer uma pichação do jeito que eu achava que as pichações deviam ser, e levei um esporro. Chegaram as férias de meio de ano e eu me mandei para Goiás, onde meu pai morava. Peguei o avião e cheguei à tarde. Passei a noite em Goiânia, com uns jornais que havia comprado no aeroporto, entre eles a “Folha”, o “Estado” e o JB, que mal folheei. Imaginei que teria tempo de ler tudo na fazenda que meu pai administrava. Na manhã seguinte, peguei o ônibus para Jussara, encontrei o velho e passei um mês descansando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só lá pelo décimo dia na fazenda, já cansado da vida mansa, lembrei dos jornais e tirei da mala para ver se espantava a pasmaceira. Nem TV havia ali. Uma das notícias que estavam na primeira página me chamou a atenção, pois se referia à prisão de uns maconheiros em Santa Teresa. Como andei fumando uns baseados, fui verificar. Li alguns nomes e gelei. Eram meus companheiros do MEP, rotulados assim pela repressão para não serem reconhecidos como presos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários amigos torturados. No caso da Fernanda, por pouco não provocaram sua cegueira. O marido, que estudava em outra faculdade, também sofreu o diabo, apesar de sobrinho de um ministro da ditadura, prova inconteste de que o alto escalão, por mais que negasse, sabia que nos porões se torturava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar da viagem, encontrei na rua amigos de outras tendências que se propuseram a me esconder em suas casas, enquanto a coisa continuasse feia. Preferi o lugar mais bandeiroso de todos (achando que seria o contrário) e passei uma semana no apartamento de minha mãe. Um dia, tomei coragem e fui à faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num rápido encontro com alguém que também estava na minha situação – éramos “quase militantes”, não “militantes” do MEP – fiquei sabendo que Fernanda e Luiz Arnaldo não haviam entregado ninguém e, àquela altura do campeonato, à repressão só interessavam os quadros dirigentes. Tarefeiros, como eu, não interessavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliviado, voltei a estudar e a fazer política, agora, como todos os estudantes do Rio e de Niterói, empenhado nos atos de vigília pela libertação do pessoal do MEP. É claro que não saí logo do grupo, como desejava fazer antes das prisões. Ia parecer covardia. Mudei de tendência somente depois da soltura do Luiz Arnaldo, da Fernanda, da Margareth, do Cidão, enfim, daquelas pessoas legais com as quais convivi mais de ano, e com as quais me envolvi em episódios cívicos e em situações cômicas. Mas das quais passei a discordar irreversivelmente. Um mais um, pra mim, devia ser dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, minha vida de agitador de merda nunca foi muito além disso. Na verdade, só estou contando essa história porque em 1979/1980, para minha surpresa, estava sendo legalmente constituída uma organização partidária com o nome que eu já conhecia lá atrás: Partido dos Trabalhadores. Vejam vocês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os meus chapas do MEP e da maioria das outras tendências com as quais vivia esbarrando entraram no PT. Eu não, eu mané preferi abraçar outra causa. Um grande chapa meu, Osvaldo Maneschy, seria candidato a vereador pelo PDT do Brizola. E outro colega de faculdade, Jorge Roberto Silveira, começava ali uma caminhada que o levaria a ser o melhor prefeito da minha cidade por três mandatos. Sem ingressar formalmente no partido, botei um lenço vermelho imaginário no pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado algum tempo, já no primeiro governo Brizola, me deu uma vontade enorme de ir para aquele partido que começava a encarnar uma vontade nacional por higiene na política. Fiquei, então, namorando à distância o PT. Chegavam as eleições, meus amigos berrando “Brizoooola! Brizoooola!” e eu votando escondido nos candidatos do PT (e no Brizola, claro, o caudilho era um nome melhor do que as chapas majoritárias do PT).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maneschy chegou a suplente e foi vereador em Niterói durante alguns meses. Honestíssimo, acabou saindo porque o PDT arranjou um jeito de livrar-se dele (que o Maneschy não me leia, pois é pedetista roxo até hoje). Era a gota d´água para que eu, definitivamente, oPTasse, LULasse! E foi o que fiz. Pela primeira vez em minha vida, entrei para um clube que demorou a me aceitar como sócio (tive meu pedido ignorado uma vez pela direção municipal de Niterói). Virei, finalmente, petista de carteirinha. Isso aconteceu em 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, foi a grande festa pela conquista do poder, um poder que só nós saberíamos como usar. Mas perdemos para o Collor. Não me lembro de outro baixo astral tão forte na minha vida e na de meus amigos todos, inclusive os brizolistas. No entanto, com o impeachment, tivemos a certeza de que era questão de tempo empolgar o povo inteiro, sentir que a população um dia não mais teria o tal medo de ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, todos sabem que ainda foram necessárias mais duas derrotas eleitorais. Desde então, antes da conquista efetiva do poder, pintaram e bordaram no país. Pior: entregaram a siderúrgica do doutor Getúlio! Pior ainda: venderam a Vale!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que o sonho do poder se realizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho mais ídolos nem heróis, mas costumo acompanhar duas pessoas dentro do PT, o senador Suplicy e o deputado Chico Alencar. Enquanto estiverem lá, vou fingir que ainda acredito, mesmo que não veja diferença alguma entre o Palocci e o Malan, entre o Zé Dirceu e o Serjão, entre as putarias que fizeram com os aposentados no tempo do sociólogo e do metalúrgico etc. Tá difícil, viu? Acho que o Che é que estava certo quando disse que o sonho se esgota na luta, jamais chegará ao poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epa! O Che nunca disse isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;José Sérgio Rocha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111989035220693267?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111989035220693267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111989035220693267&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111989035220693267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111989035220693267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/o-sorriso-do-lagarto-do-pmdb.html' title='O sorriso do lagarto do PMDB'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111964818831766972</id><published>2005-06-24T18:21:00.000-03:00</published><updated>2005-06-24T18:23:08.323-03:00</updated><title type='text'>Assíntotas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Simplicidade e complexidade são dois termos que, embora se assemelhem a conceitos paradoxais, podem coexistir perfeitamente. A singela beleza de uma rosa, de um pôr-do-sol, de uma única das milhões e milhões de ondas que se quebram em todas as praias e arrecifes do mundo neste momento, traz em si a carga de todo um universo, com suas leis e miríades de inter-relações que parecem, a olho nu, afetar o mecanismo mesmo destas leis. Como compreender o motivo pelo qual um único espermatozóide, entre milhões numa corrida louca; entre milhões de corridas loucas perpetradas, neste mesmo instante, em úteros de todo o mundo, possa fecundar um único óvulo e gerar ora um Marx, ora um Goebbels, ora um Joyce e ora um Paulo Coelho? Aos olhos do régua de um metro, o metro em si é um mistério insolúvel – como estabelecer parâmetros para a compreensão de nossa própria compreensão? Daí a profundidade das pequenas coisas, imperceptíveis na maioria do tempo por aqueles mergulhados, embebidos e parte mesmo destas pequenas coisas.&lt;br /&gt;Os seres humanos, estes fenômenos contados hoje aos bilhões e contudo únicos em si, já foram, um dia, em sua imensa maioria, extremamente simples e extremamente complexos. Simples porque o alcance de seu dom de transformação da natureza era limitado por condições até mesmo geográficas, no tocante à disseminação e troca de informações acerca da transformação da natureza: ou seja, transformavam o que lhes era necessário e compreensível em determinado instante, sob determinada condição local, e – humanos que eram – transmitiam estas informações entre si, estabelecendo pois o que se chama de Cultura: conjunto de coisas que lhe permitem saber de onde veio, o que é e, mesmo, ter um vislumbre – por meio do conhecimento do conjunto – de onde se poderá chegar. A Cultura é o Passado presente no Futuro e o Futuro que está em potencial no Passado. Desta forma, a "simplicidade" citada lá em cima, funcional para certo espaço geo-social, também não se afigura assim como tão "simples", apenas como aparentemente, a nossos olhos desdenhosos de hoje, como mais tosca.&lt;br /&gt;Reunidos ao redor de fogueiras, seres humanos se reuniam e trocavam experiências. Posteriormente, chegavam os barcos de terras distantes, não interessa se fenícios ou cretas, trazendo novas descobertas, novos conhecimentos. Mais tarde, barcos de regiões mais remotas e geograficamente distantes se aconchegaram, assim como caravanas que nem mesmo sabiam a que ponto de destinavam. E as narrativas nasciam, passadas de ser humano para ser humano, fosse através da tradição puramente oral, ou na forma dos escritos que viriam a constituir a História ou a Mitologia. Sempre de homem para homem, mesmo quando nasceram os impérios e criou-se um distanciamento entre indivíduo e liderança. Pois que a informação servia a um fim, era apenas um meio, e não uma imensa máquina a servir a si mesma, como que a perpetuar-se por geração espontânea.&lt;br /&gt;Pode-se discutir em que ponto houve esta ruptura: com o advento da imprensa? Discordo. A imprensa em si apenas ampliou o alcance dos trovadores. A informação continuava a ter caráter humano, mesmo quando alegoria (tal qual como nos ditos escritos sagrados de todas as religiões): ainda trazia em si o gérmen de toda uma espécie à parte, a única poder se organizar e transformar, de forma efetiva, a natureza. Talvez o ponto de mutação tenha se dado quando o conceito de natureza se esvaziou, ou seja, a partir da segunda metade do século XX.&lt;br /&gt;Não se trata de atirar a culpa, através de uma leitura rasteira de Adorno, na reprodutibilidade. Esta, em si, nada mais é que o conceito de imprensa aplicado a todas as formas de Saber e de Cultura. Por si só, é uma reles ferramenta, útil como todas as ferramentas. O problema é quando a reprodutibilidade ganha vida autônoma, e engole irremediavelmente o objeto reproduzido.&lt;br /&gt;Quando os modernistas destruíam discursos estéticos, poder-se-ia dizer que, em uma primeira instância, tratava-se de uma iconoclastia pura e simples: destruir por destruir, e aqui cito o caso do artista do grupo de André Breton que, em uma palestra, elaborou uma pintura a giz num quadro-negro para em seguida apagá-la. Acontece que tal atitude dadaísta revelou-se uma canibal de si mesma, pois, esvaziada completamente do discurso, o que seria a obra de Arte? E os modernistas desejavam, sim, criar. Eram artistas legítimos. Por isso, com raras exceções, todos migraram para um processo em que, aplicando-se as conquistas obtidas a partir da iconoclastia, construíram-se obras de Arte verdadeiramente belas. Exemplos crassos são os de Mattisse, Breton, e, até mesmo, Picasso, que não era surrealista estrito.&lt;br /&gt;Tal só foi possível porque não se buscava a extinção, a anulação do princípio humano, mas sim uma oposição entre visões do mundo, assim do tipo "os malucos contra os caretas". Na época, funcionou.&lt;br /&gt;No entanto, após a década de cinqüenta, o discurso modernista já apresentava sinais de cansaço, e surgiram duas vertentes: uma buscou uma volta ao passado (vide Stravinski em sua fase neoclássica, e os neo-sonetistas), outra radicalizou e transformou o meio no fim, extirpando o fator "mensagem" da equação. Nada precisava significar nada, e o industrial, o ready-made duchampsiano (apesar dos propósitos do Duchamps serem bem diferentes) tomou conta. Tudo poderia ser Arte, tudo poderia ser Cultura – o que equivale a dizer que o Nada também o poderia ser. E o Nada, por ser mais fácil de produzir, mais acessível à mediocridade, apoderou-se da premissa e fez sua entrada triunfal e multicolorida. Nada mais de oposições: como não há conteúdo no discurso, ou, mesmo, como abole-se o conceito de discurso, todas as justaposições são possíveis, resultando naquilo que o teórico Jair Ferreira dos Santos chama de zero patafísico: a extinção do "ou" e a ascensão do "e". Não tem mais sentido ser ateu ou religioso: pode-se ser agnóstico e sacrificar morangos em altares no canto de apartamentos; pode-se criar uma nova ordem religiosa altamente cristã que permita o canibalismo e o homossexualismo; pode-se autoproclamar criptocomunista e ter um bom cargo na empresa do papai. Toda esta série de "e"s conduz ao signo sem significado. E tal visão do mundo tornou-se massificadora por meio de meios como a televisão, internet, e sabe-se mais que bicho vai aparecer por aí.&lt;br /&gt;A televisão é signo puro: suas imagens e sons não têm relação real com o significante nem transmitem algum significado, na maneira como é utilizada hoje. De meio de comunicação torna-se um obstáculo para a mesma, isolando pessoas mesmo quando estas sentam-se lado a lado. Somente alguém embotado por ela pode ter uma atitude como é muito comum nos dias correntes: receber amigos em frente à telinha e permanecerem, anfitriões e visitantes, degustando as pífias aventuras da fulaninha de biquíni por entre as passarelas da Barra da Tijuca, enquanto a mãe da fulaninha, manicure de subúrbio, aproveita os finais-de-semana vendendo alface na feira – claro, até o dia em que Rodolfo Leopoldo, rico industrial de meia-idade, frustrado em seu primeiro casamento, descobre a verdadeira beleza interior (aquela localizada entre as dobras do joelho e o colo do útero, exacerbada pelos hábeis maquiadores globais) da pobre feirante, e a pede em casamento. E todas estas aventuras e desventuras ocorridas em reinos completamente virtuais, e absurdamente distantes do universo que rodeia a dita roda de amigos reunida em torno do aparelho, os absorve de tal maneira que esquecem-se mesmo que, como amigos, estariam reunidos para darem-se entre si como humanos, e não recolherem-se em esferas tão consistentes quanto bolas de sabão, apenas para usar um clichê bem ao gosto dos redatores do meio televisivo. E a internet radicaliza ainda mais, excluindo mesmo a roda em torno do ícone na sala, multiplicando-se em ícones customizados distantes entre si, individualizados ao extremo, em seus milhões de pontos mundo afora. Perpetra-se a ilusão do vizinho em detrimento da capacidade de aproximar-se de forma efetiva do mesmo.&lt;br /&gt;O mesmo pode ser dito quanto a religiões e seitas que pululam como larvas de mosquito por aí: em vez de se procurar o reencontrar de um conteúdo comum, quase que atávico, a todo ser humano personalizam-se as vertentes. Tanto de pode seguir o Budismo Aramaico da Martinica quanto o Protestantismo Evangélico da Escritura das Sagradas Almôndegas ao Sugo. Tudo vale, desde que seja "mais a ver com meu eu, sabe, um negócio que fala mais dentro de mim" – o importante é a primeira pessoa, e se esta for do singular, melhor ainda. E exemplos poderiam ser dados em termos de profissões, gostos gastronômicos ("O quê? Você nunca provou meu "Filet a Mim Mesmo"?) etc. E, no fundo desta ilusão, pensamos agir como exceções no rebanho, quando na verdade tornamo-nos mais e mais impessoais e vazios. Digerimos engodos imaginando estarmos nos tornando a cada dia mais únicos, o que é falso. Acabamos por nos assemelhar às Marylins de Andy Warhol, não passando mesmo de silk-screens imperfeitos de modelos inexistentes na Realidade.&lt;br /&gt;É difícil saber o que gerou o que, mas pode-se ter certeza que os fatores citados são multiplicadores, ferozes extintores em massa das antigas fogueira e lampiões: o que nos afasta, cria muros e faz com que, a cada dia, o conceito do humano se torne cada vez mais forma e menos conteúdo. E caminhando, como retas idênticas, contudo assíntotas, rumo a um Nada que pode ser tudo, menos inócuo, à sua chegada.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#33cc00;"&gt;Fernando Toledo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111964818831766972?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111964818831766972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111964818831766972&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111964818831766972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111964818831766972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/assntotas_24.html' title='Assíntotas'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111945319392466194</id><published>2005-06-22T12:03:00.000-03:00</published><updated>2005-06-22T12:13:48.926-03:00</updated><title type='text'>Resistência e (des)esperança</title><content type='html'>&lt;p&gt;Pois é, a belíssima crônica do Zé Sérgio lembrou-me aquela história do ator e ex-policial Eliezer Motta, fiel escudeiro de Jô Soares em tempos do humorístico &lt;i&gt;Planeta dos Homens&lt;/i&gt; e dos programas que lhe deram seqüência, que o bom Marcão sempre gosta de lembrar. Contou o comediante que certa vez numa operação policial trocou tiros brabos com uns determinados bandidos. Muito tempo depois, arquibancada do Maracanã em dia de clássico, ele já conhecido da televisão, um cidadão o cutuca: "Lembra de mim?" A familiaridade da fisionomia não foi suficiente para dissipar aquela sensação tão bem de nós conhecida, de modo que permanecesse calado, perscrutando a cara do sujeito e revolvendo os porões da memória. Volta o sujeito: "Eu sou aquele que na ocasião tal mandou um monte de tiros pra cima de você. Olha eu queria que você soubesse que aquilo não foi nada pessoal, sacomé? Cada um fazendo o seu trabalho..." O papo que rolou a partir de então só foi interrompido com um golaço do time deles, que comemoraram se abraçando devidamente, como em qualquer arquibancada que se preze.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois "esse é o Brasil", gostávamos de dizer toda vez que o Marcão contava essa fábula real e alegórica da nossa pantomima brazuca. Porque encerra tão bem os exemplos da nossa decantada cordialidade, certeiramente alinhavada com um referencial valorativo e simbólico razoavelmente disseminado em regiões e estratos sociais os mais diversos. É certo que alguns, na esteira respeitável de DaMatta, já viram por aí o cerne do nosso &lt;i&gt;ethos&lt;/i&gt; social baseado na hierarquização, mas é certo que esse seja talvez o traço mais impressionante da nossa singularidade: como um país continental tenha conseguido - bem considerados desde a tenacidade lusa até os "subterfúgios" nacionalizantes de Vargas, passando pelas repressões sangrentas aos movimentos autárquicos da época imperial - manter traços de uniformidade cultural tão significativos, malgrado a importante e desejável diversidade. E é justamente à medida preocupante da perda paulatina desses referenciais culturais comuns que a cada dia mais temo que seja mais próprio dizer que "esse &lt;i&gt;era&lt;/i&gt; o Brasil".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já escrevi alhures ("&lt;a href="http://sodoiquandoeurio.weblogger.terra.com.br/200402_sodoiquandoeurio_arquivo.htm"&gt;Conexão e revolução&lt;/a&gt;") que essa sensação crescente de incomunicabilidade, de falta de condições mínimas para o diálogo nos níveis sociais que ultrapassem os círculos restritos da família e das amizades pessoais, deve-se, por um lado, à progressiva reificação das relações sociais cada vez mais mediatizadas pela lógica rasteira da mercadoria, o que não é propriamente novidade; e por outro, à incapacidade das estruturas tradicionais de reprodução dos valores sociais e referenciais simbólicos (basicamente a religião em sentido clássico, a família e a escola) darem conta dessa tarefa numa sociedade altamente complexa, atomizada, multisignificante, colonizada e tremendamente desigual. É nesse terreno fecundíssimo que crescem as duas maiores ervas daninhas que vão, se não nos mexermos, devorar o Brasil bem mais depressa que a saúva: a violência associada aos mercados clandestinos (de drogas, de armas e do que mais inventarem proibir) e a proliferação das igrejas ditas pentescostais. Faces opostas e lamentavelmente complementares da nossa desgraça.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A questão da violência por si só daria um tratado, e há gente mais capacitada para escrevê-lo. Mas há os fatos notórios que estão aí pra só não ver quem não queira, como a ocorrência praticamente concomitante da decadência das escolas de samba como ambientes de mediação social em comunidades carentes do Rio de Janeiro e a ascensão do domínio do crime organizado nessas mesmas regiões. A relação não é de causalidade, vejam bem, mas é de resistência. Eu vi senhores essa resistência sendo minada pouco a pouco, dia a dia nos quatro cantos do país por diversos fatores, entre os quais não titubeio um segundo em apontar como preponderante a invasão da televisão. O bom Marcão mais uma vez é testemunha da diferença do interior do Brasil pré e pós antena parabólica. A conversa de calçada, de butiquim, da praça - a famosa tertúlia! (este texto está "marcônico" demais...) - foi substituída pelo ajuntamento de almas caladas, passivas, atônitas diante do guru eletrônico a ditar comportamentos, anseios, desejos, valores, referências. Todos, evidentemente, muito próximos da realidade das populações do interior do Piauí, dos cafundós amazônicos, do Vale do Jequitinhonha...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Creiam senhores, eu andei uma boa metade desta nação imensa. Violência, drogas e demais mazelas que há quinze anos eram privativas de três ou quatro grandes centros urbanos hoje estão absolutamente disseminadas por todos os pontos da nação. Até as menores vilas hoje têm suas gangues, seus territórios francos com seus gerentinhos do tráfico e da violência (com a empáfia de seus dezoito anos) a ombrear-se com o poder regulatório, normatizante e repressor do estado. Ora, onde não há entendimento (possível), a violência é o método por excelência de mediação dos conflitos. E se a cultura tradicional, transmitida oralmente, reproduzida no âmbito da família, da educação formal escolar e da formação religiosa tradicional não funcionam e estão substituídas pela televisão (e não é qualquer televisão, é a televisão brasileira, com o completo abandono de qualquer tentativa regulatória do estado, de qualquer direcionamento cultural, gerida pela lógica mais bruta do lucro a qualquer custo) como instância de reprodução simbólica, então, meus amigos, a nossa condenação ao desaparecimento é iminente: morreremos todos pelas mãos das hordas de jovens despossuídos de esperança, de identidade, de limites, saúde, cultura, trabalho, dignidade.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#009900;"&gt;Fernando Szegeri&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#333333;"&gt;P.S. Continuo, talvez na próxima semana, pra falar (mal) da outra praga nacional: as seitas evangélicas.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111945319392466194?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111945319392466194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111945319392466194&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111945319392466194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111945319392466194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/resistncia-e-desesperana.html' title='Resistência e (des)esperança'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111928753188038099</id><published>2005-06-20T14:07:00.000-03:00</published><updated>2005-06-20T14:12:11.890-03:00</updated><title type='text'>Mamãe Dolores e a ditadura militar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi há muito tempo, nos anos 70, quando começaram a surgir cineclubes em todo o Rio de Janeiro. Eu tinha o meu, junto com dois colegas do curso de cinema da UFF, Albertino da Paz e Chico Moreira. Albertino chegou a ser um bom operador de som, mas trocou o cinema pelo Banco do Brasil. Chico foi pesquisador e montador dos documentários “Os Anos JK” e “Jango”, ambos dirigidos por Sílvio Tendler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso cineclube tinha o nome de Ademar Gonzaga – o homem da Cinédia, um dos pioneiros do cinema brasileiro - e ficava no bairro da Abolição, onde eu havia passado a infância. Fizemos acordo com uma escola e lá exibíamos, no tempo do Médici e do Geisel, o que o Cinema Novo e o Neorrealismo produziram de melhor - Gláuber, Nelson, Rui Guerra, Rossellini, De Sica, Antonioni, Monicelli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finda a exibição, começava o debate, porque este era o objetivo inconfesso da maioria dos cineclubes – usar o cinema para provocar, fazer as pessoas pensarem primeiro no filme, depois na própria vida e na política. Não por acaso, muitos cineclubistas eram ligados a partidos clandestinos. Tarefa da organização. Hoje, isso pode soar infantil, mas a gente levava a sério. Nós e o pessoal do Cineclube Glauber Rocha, em Santa Teresa; do Cineclube Grande Otelo, no alto do Salgueiro; do Macunaíma, na ABI; do Cineclube do Leme, semente dos cinemas do grupo Estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora do flashback. Afinal, falamos em cinema. Para entender a história que vou contar, é preciso voltar mais ainda no tempo, até 1964. Eu era um guri de 12 anos e fiquei sabendo do golpe porque meu avô de criação, seu Correia, mulato, ex-capoeira regenerado, chofer de táxi e brizolista roxo, passou a noite de 31 de março acordado, e eu do lado dele, ouvindo notícias terríveis pela Rádio Mayrink Veiga e torcendo para que as forças leais ao Governo João Goulart derrotassem o inimigo. Só que não havia forças leais. Era tudo traíra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, jogando bola na ladeira onde morávamos, vi os tanques passando a poucos metros lá de casa, dezenas deles, lá embaixo na Avenida Suburbana. No portão, dona Adelina, minha avó de criação, semi-analfabeta e desbocada, fez o comentário que definiu os 20 anos seguintes: - Puta que pariu, vai começar a pouca vergonha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha idade, o golpe não tinha a menor importância. Em maio de 1964 adoeci. Peguei hepatite e fiquei o resto do semestre em casa lendo Monteiro Lobato e o Tesouro da Juventude e comendo tudo quanto é tipo de doce. Era este o tratamento. Foi então que ganhei um presentaço da minha mãe, um gravador de rolo cuja marca e modelo nunca esqueci, Transicorder TR 300. Espetáculo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cansei de mexer no brinquedo sozinho, chamei a molecada inteira da rua para brincar no portão lá de casa e foi aí que alguém teve a idéia da gente fazer uma novela no gravador. Na TV estava passando “O Direito de Nascer”. Nós faríamos uma imitação, como se fosse para o rádio. E cada amigo tinha um papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe o garoto que é dono da bola e escolhe o ataque ou a ponta direita? Pois é. Meu personagem, evidentemente, só podia ser o principal. O do galã. O mais velho da turma, um tal de Condorcet, ficou sendo a mocinha. Por ser o mais parrudo, ninguém duvidava da masculinidade dele, apesar de certo exagero nos falsetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente que a novela era uma farra. Misturava situações do próprio enredo lacrimejante que estava sendo transmitido pela tv, política – o pouco que sabíamos – e escatologia até não mais poder. Levando em conta o nosso altíssimo nível intelectual, alguns diálogos eram na base do “Querida, vou comer você!”. “Ó meu amor, põe tudo, mas vê se enfia direito essa porra!”. Coisas do Condorcet, que tinha idade e cara de pau para comprar as revistinhas do Carlos Zéfiro e emprestava para o resto da turma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a gente também misturava política porque a política era muito presente naquele tempo. Nossa ladeirinha era conhecida por ter um dos melhores carnavais do subúrbio, com palanque organizado por um eterno candidato do PTB, seu Zappone. Por causa disso, surgiam diálogos mais elaborados, tais como “Querida, vou comer você e vou botar na bunda do Lacerda!”, “Ó meu amor, me faz um filho e arromba aquele filho da puta da UDN!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha que dar pausa na gravação (só eu podia mexer no aparelho, pombas!) porque todo mundo caía na gargalhada. Os coroas da rua não acreditavam quando viam a turminha da Cantilda Maciel, que vivia saindo na porrada com a turminha da Macedo Braga, ali quietinha, todo mundo concentrado, sentado na escada, conversando. Poucos entendiam o que estava se passando ali. Desconfio que ninguém mais no bairro tinha gravador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram dois os principais papéis femininos. O da namorada do galã e o da empregada negra da família cubana ou mexicana, sei lá. Era a Mamãe Dolores. Personagem que foi entregue ao único garoto negro retinto do grupo, o Joel PQD. Joel, que tinha então uns 14 anos, sonhava com o pára-quedismo, daí o apelido.&lt;br /&gt;Joel morava no Morro do Urubu, para onde volta e meia a turma inteira se mandava e passava tardes inteiras soltando pipa. A avó dele não deixava faltar o refresquinho e o pão com goiabada na hora do lanche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que o Joel era um desastre como ator. Ninguém ria de suas falas, ele esquecia os falsetes, era um desastre. Outra coisa: ele só admitia ser chamado de Mamãe Dolores durante as “gravações”. Fora delas, ameaçava sair na porrada. Mas acabou se conformando com o apelido cruel. Tempos depois, se um de nós o chamasse de Mamãe Dolores, depois reduzido para Mamãe, tudo bem. Mas ai de quem, não sendo da turma, se atrevesse a falar assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta aos anos 70. Numa noite de domingo fiquei até mais tarde no cineclube. Os outros “sócios” saíram antes por algum motivo. O lugar ficou deserto. Dez e meia, sozinho na Avenida Suburbana, esperando o ônibus para o Castelo (e no Centro pegaria outra condução até Copacabana, onde morava), só não tive grande medo porque aquela era a minha área e os índices de violência eram baixíssimos. Medo, naquele tempo, era mais ou menos como hoje em dia: a gente tinha medo, sim, mas da polícia. No caso, da polícia política, mesmo sendo apenas tarefeiro de alguma organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que do nada surgiu um sujeito armado, um negro. Veio direto na minha direção: - Passa a grana senão vai morrer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ter ficado trêmulo como qualquer pessoa normal, mas a sensação ruim passou logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mam... Mamãe Dolores? É você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caralho! Zé Sergio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de dez anos depois da novela. Um abraço forte de velhos camaradas, amigos de infância. E muita tristeza do Joel, que nunca entrou para o corpo de pára-quedistas. Nem do Exército fez parte porque era arrimo de família. Com a morte da avó, e depois do padrasto, que morreu atropelado por um caminhão, ali mesmo na Suburbana, perto do ponto de ônibus, ficou com Joel a incumbência de ajudar a mãe e os irmãos mais novos. E ele nunca deu conta daquele papel direito. Vivia sendo despedido dos empregos de merda que arranjava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorou. Aliás, choramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as lágrimas secaram, lembramos os bons tempos. E foi então que fiquei sabendo que o Condorcet havia terminado Medicina. Que o Arnaldo tinha se casado com a Ângela, a menina mais bonitinha da rua. Que o Bebeto morava no Méier com a irmã e o cunhado. E que o Minguinho era funcionário da Abolição Veículos, ali na esquina da Rua Silva Xavier, a rua do Colégio Guarani, que cedia suas instalações para o Cineclube Ademar Gonzaga. Alguém havia morrido de meningite na epidemia que a ditadura proibiu de divulgar. Eu sabia, porque naquele tempo já trabalhava no JB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que caímos na realidade. Eram quase onze da noite e a polícia – agora a preocupação era com a civil ou a militar - poderia aparecer de repente. Juro que pensei na integridade daquele amigo de infância, um camarada que levou uma banana do destino. Comecei a torcer pela chegada rápida do Castelo-Padre Nóbrega. Só então me dei conta do perigo: - Porra, Mamãe! Guarda essa arma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joel também havia esquecido de seu (hoje) ridículo revólver calibre 32, que continuava apontado na minha direção. - Desculpa, Zé. Nem percebi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emoção tinha passado. Agora eu estava puto com a ditadura (sim, a culpa do Joe ter virado assaltante era da ditadura, de quem mais?) e cansado. Cansado e impaciente. Eu queria ver a Abolição pelas costas - Mamãe, não é melhor você se mandar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o fim da vida não vou esquecer a resposta daquele pobre sujeito, já na casa dos 30 anos: - Não, Zé Sergio. Vou ficar até chegar teu ônibus. Tá tarde ... tem dado muito assalto aqui...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;José Sérgio Rocha&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;José Sérgio Rocha &lt;/b&gt;&lt;i&gt;é jornalista e escritor, tendo trabalhado por muito tempo n’O Globo e no Jornal do Brasil. É autor do ótimo&lt;/i&gt; &lt;b&gt;Roberto Silveira: a pedra e o fogo&lt;/b&gt;, &lt;i&gt;editado pela Casa Jorge.  O titular das segundas-feiras, nosso querido Edu Goldenberg está de férias, fazendo não sei bem o quê, lá em Amsterdã...&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111928753188038099?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111928753188038099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111928753188038099&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111928753188038099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111928753188038099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/mame-dolores-e-ditadura-militar.html' title='Mamãe Dolores e a ditadura militar'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111902032939180409</id><published>2005-06-17T11:55:00.000-03:00</published><updated>2005-06-17T12:02:34.366-03:00</updated><title type='text'>Nós, oxímoros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;oxímoro: [Var. de oximóron, do grego oxymorón S. M. Ret. Figura que consiste em reunir palavras contraditórias; paradoxismo (do Aurélio)&lt;gr.&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;gr.&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;gr.&gt;Existe um princípio subentendido na lógica do Direito de que ninguém pode alegar inocência a partir do desconhecimento de determinada legislação. Levando-se esta assertiva às últimas conseqüências, chega-se à brilhante conclusão que, se em determinado local existir algum tipo de lei idiota proibindo que pessoas nascidas em 19 de Março de 1959 cantem árias de Carlos Gomes às cinco e trinta e dois da tarde, com uma galinha carijó morta nos braços, aquele que se enquadrar nos pré-requisitos e resolver, por desconhecimento da tal claúsula setecentos e trinta, alínea 9, parágrafo 27, pia-de-cozinha 14, fundos, perpetrar tal esdrúxulo ato, pode ser autuado em flagrante e levado a julgamento.&lt;br /&gt;Tal afirmação pode parecer um absurdo. Não é. Existe uma história apócrifa, amplamente divulgada na Aeronáutica, sobre a origem da instituição "guarda do banco": um visitante pergunta ao seu guia, em um quartel, por que um soldado era designado para manter vigilância ao lado de um certo banco de praça. A resposta, cartesiana ao extremo, é paradoxalmente surpreendente: "Simplesmente porque, no século passado, esse banco tinha sido recém-pintado e o oficial de dia resolveu que, enquanto a tinta não secasse, ninguém deveria sentar-se no mesmo. O oficial se esqueceu da ordem, foi substituído, o guarda permaneceu, e assim é". Simples, lógico assim.&lt;br /&gt;Ergo (apenas para ser metalingüístico e sacanear a classe) pode-se afirmar que a profissão de advogado nasce de um hiato entre um princípio considerado mesmo como auto-evidente e uma aplicação extrema do mesmo. Pois, se o indivíduo não pode alegar que desconhecia as normas quando as quebra, depreende-se que cada um dos habitantes de um meio-ambiente regido pelas mesma normas deve conhecê-las todas, em todas as suas nuances, alíneas, parágrafos, pias-da-cozinha etc. E o que é o advogado, este desconhecido, além de um indivíduo que passa toda a sua existência exatamente debruçado sobre as tais normas, esmiuçando-as, interpretando-as e ganhando seu pão de cada dia por meio da aplicação destas mesmas interpretações? Desde o instante em que se afirma que a ninguém é dado o direito de desconhecer a lei e suas sutilezas, imediatamente pode-se também afirmar que a todos é obrigatório conhecê-la. Desta forma, advogados deveríamos ser todos, se não quisermos correr o risco de ir em cana por cantar árias segurando galinhas carijós etc. etc. Silogismo e nada mais.&lt;br /&gt;Logo, a existência da profissão, por si só, é um oxímoro, uma contradição em si mesma. Mas vamos tentar desfazer este nó górdio.&lt;br /&gt;Por que está na natureza humana o estabelecer-se regras? E por que está, também nesta mesma natureza, a ambição, a atração por quebrá-las? Por que não somos selvagenzinhos bonitinhos e engraçadinhos à la Rousseau, e nos portamos, na maioria das vezes, como lobos de nós mesmos, na melhor tradição de Thomas Hobbes (quem o negar que experimente passar três horas preso num engarrafamento na Avenida Brasil tendo a seu lado alguém com um rádio-gravador no máximo tocando funk)? Simplesmente porque somos humanos e fazemos escolhas. Existe em nós uma bactéria autofágica chamada livre arbítrio que nos informa, a cada instante, que o nosso melhor não é o do outro, sendo assim único e intransferível, aplicável somente àquele que o escolhe.&lt;br /&gt;Mas como podemos, se assim somos, construir sociedades, erigir cidades, viver em conjunto contínuo com aqueles que também possuem o seu melhor intransferível? Simplesmente porque, ao mesmo tempo em que o ser humano se constitui de uma exceção em si mesma, trata-se de um ser vivo com necessidades inerentes a esta condição, e – felizmente – espertinho o suficiente para compreender que, animal pelado, sem garras, chifres ou carapaças, só poderia sobreviver no ambiente hostil que o rodeia abdicando, até certo ponto, do melhor intransferível em prol da chance de existir. Obviamente, por causa do tal livre arbítrio (olha ele aí de novo!), nem todos compreendem desta forma, ou compreendem tão bem que acham que não precisam demonstrar isto. Daí a necessidade, deste antes de Hamurábi, de um mínimo denominador comum, ou seja, as normas coletiva, assim como de mecanismos também coletivos para apurar o cumprimento das mesmas e punir os que insistem em ignorá-las.&lt;br /&gt;Desta forma, chega-se a outra brilhante conclusão: a de que a entidade "advogado" só é possível porque somos humanos, ou seja, também oxímoros.&lt;br /&gt;P.S.: Já que o Edu falou em Sérgio Naya, segundo o Código do Hamurábi citado lá em cima, este seria condenado à morte. Uma das cláusulas dizia claramente que àquele que construir uma casa cujas paredes caiam a matem seus ocupantes estaria reservado este fim. O que prova que os sumérios de vários milhares de anos atrás eram mais sensatos que certos membros de certos júris de certos países de língua portuguesa de uma certa América do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#009900;"&gt;Fernando Toledo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111902032939180409?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111902032939180409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111902032939180409&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111902032939180409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111902032939180409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/ns-oxmoros.html' title='Nós, oxímoros'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111878808219210330</id><published>2005-06-15T06:27:00.000-03:00</published><updated>2005-06-14T19:28:02.200-03:00</updated><title type='text'>Por uma Justiça sem vendas</title><content type='html'>Pois eis aí, meus senhores, um tema sobre o qual há tempos ensaio escrever e acabo sempre evitando, em vista de uma série de circunstâncias. Mas a lebre que meu nobre irmão Eduardo levanta não posso deixar passar, ainda que a audiência aparentemente não tenha gostado muito do rumo da prosa, ou que incomode alguém com essas idéias antiquadas de justiça social, transformação da ordem opressora, banimento das desigualdades etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente nos lembramos que as decisões dos nossos tribunais podem ser assombrosas quando inocentam um salafrário conhecido ou quando, como recentemente, &lt;a href="http://ultimainstancia.ig.com.br/busca/ler_noticia.php?idNoticia=15628&amp;amp;kw=direito+de+resposta"&gt;cassam uma decisão de primeira instância que concedia direito de resposta&lt;/a&gt; às representações das religiões afro-brasileiras constantemente desrespeitadas pelos programas da rede dos pastores-escroques. Mas, senhores, as decisões questionáveis são produzidas aos borbotões todos os dias e não reside aí propriamente o cerne do problema. Sim, porque vivemos numa sociedade composta de indivíduos humanos, falíveis, que se organizam politicamente para o regramento do convívio e concedem a alguns desses o exercício do poder enquanto conjunto de prerrogativas para fazer valer a vontade geral. Esses exercentes do poder são também falíveis, como é lógico e empiricamente demonstrado à saciedade. A diferença é que parlamentares e titulares do Poder Executivo estão constantemente na mira da imprensa e, conseqüentemente, da opinião pública, de modo que não somente a honestidade de suas condutas, mas também o conteúdo político das decisões que tomam estejam constantemente sob o juízo da sociedade. Essa mesma sociedade executa o conteúdo dos juízos que tece sobre seus parlamentares e governantes por diversos mecanismos, o mais importante deles a eleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é bem assim relativamente aos exercentes do terceiro poder da república. Não são eleitos, mas empossados por concursos organizados, fiscalizados e julgados pelos próprios membros da instituição e seus cargos são vitalícios. Suas decisões, portanto, não se podem submeter ao juízo de conformidade política da população que queda sob suas ordens diretas. Dirão alguns que assim deve ser, posto que o exercício da função jurisdicional deva-se proceder com imparcialidade, aplicando impessoalmente as normas abstratas às situações concretas. Vem daí - na verdade, do substrato ideológico e respectiva carga simbólica que o sistema opera para conferir legitimação aos atos de poder mais diretamente passíveis de imposição coercitiva - que os magistrados são tidos como seres imparciais, dotados de grande respeitabilidade e sabedoria para a distribuição de um bem vago chamado justiça. Os casos de imoralidade e desvios de conduta como os que têm sido mais visíveis nos últimos anos normalmente são consideradas aberrações individuais perfeitamente extirpáveis por procedimentos repressivos específicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas parece-nos bem difícil entender por que o parlamento seria endêmicamente corrupto, intrinsecamente não funcional, palco de negociatas e falcatruas de toda a ordem e o Judiciário um celeiro de pessoas de bem, imparciais, bastiões da moralidade pública. Por que seriam os governantes sempre larápios e perdulários, rapineiros da coisa pública, e os magistrados abnegados funcionários de carreira a serviço do bem comum e da eqüidade? Descontada a carga simbólico-ideológica a que nos referimos, posta quase como axioma do sistema jurídico, há qualquer coisa de mais por aí, uma vez que as instituições políticas nada mais são do que a representação quase ritualística das mazelas disseminadas pelo tecido social. E esta circunstância reside precisamente no fato, ouso dizer, de que o Judiciário é dos poderes republicanos o mais infenso aos necessários freios e contrapesos de que nos falava Montesquieu há 300 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Presidente da República tem seus atos constantemente postos sob o crivo dos outros dois poderes. Suas medidas provisórias são apreciadas pelo Congresso, suas pretensões normativas só podem efetivar-se mediante assentimento do legislativo e mesmo seu cargo pode ser destituído mediante processo de &lt;i&gt;impeachment&lt;/i&gt; julgado pelo parlamento. Seus atos de gestão podem ser questionados e fulminados pelo Judiciário a qualquer momento se contrários às determinações da Constituição ou do próprio Legislativo, consubstanciadas nas leis. Os atos normativos do Congresso, por sua vez, são passíveis de veto presidencial e podem ser questionados perante o Judiciário. Perante quem podem ser questionados os atos do Judiciário? Perante instâncias superiores da própria instituição e nada mais. E deve ser assim, dirão novamente os mesmos, para que a solução dos conflitos tenha sempre uma palavra final. Mas juntemos essa impossibilidade de questionamento exterior com o controle de entrada de novos membros pela própria instituição, mais vitaliciedade de mandatos e teremos aí o cenário perfeito para que uma instituição conservadora possa, na medida de suas próprias aspirações, assenhorar-se dos destinos políticos de uma nação ou, pelo menos, do fluxo das suas transformações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, portanto, natural que uma instância social tamanhamente poderosa seja, mais que respeitada, temida. A imprensa não toca nos tribunais porque sabe que está sujeita aos seus atos de poder que se hoje já não se traduzem em empastelamentos e censura genérica, podem perfeitamente representar entraves sérios para os objetivos econômicos pouco confessáveis dos grandes conglomerados da comunicação; para não falar do exercício dessa censura casuística tão ou mais nefasta que assistimos vez por outra consubstanciada em proibições e apreensões de diversas ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que a reforma constitucional, ainda que tímida de um sem número de pontos de vista, veio em boa hora instituir um órgão de controle externo sobre o Judiciário, que por óbvio não se traduzirá em manipulação do conteúdo de decisões, mas em vigilância social sobre o funcionamento em si da instituição, sobre a transparência dos processos de composição dos quadros e os limites da atuação dos tribunais, inclusive explicitando o caráter político dos seus atos de poder. A questionabilidade das decisões judiciais é - contrariamente ao que querem fazer crer os teóricos do liberalismo constitucionalista e à postura arrogante, prepotente e presunçosa habitualmente encontrável na magistratura - pressuposto de racionalidade (ou, se quisermos, razoabilidade). Somente a politização dos procedimentos, com a revelação do caráter de disputa de poder que encerram os conflitos nele intrumentalizados, exatamente como nas outras esferas estatais, poderá contribuir para que o Judiciário assuma de uma vez por todas, muito além da tibieza das reformas ora perpetradas, seu caráter de poder republicano, comprometido com a vontade da sociedade que o sustenta financeira e politicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Fausto Wolff gosta de dizer, nós queremos é uma instituição parcial em defesa dos despossúídos, que assuma seu papel na correção das desigualdades e no banimento de todas as formas de opressão. É óbvio que a pseudo-imparcialidade do Judiciário traduz-se simplesmente em mais um instrumento de conservação de uma ordem instituída para a perpetuação das relações de dominação e assenhoramento da riqueza nacional pela mesma meia-dúzia de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fernando Szegeri&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111878808219210330?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111878808219210330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111878808219210330&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111878808219210330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111878808219210330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/por-uma-justia-sem-vendas.html' title='Por uma Justiça sem vendas'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111866865408611736</id><published>2005-06-13T09:55:00.000-03:00</published><updated>2005-06-13T10:20:50.536-03:00</updated><title type='text'>A Justiça é cega quando lhe convém</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já disse e disse de novo, e outras tantas vezes, que jamais poderia - e jamais poderei - realizar um dos sonhos de mamãe, que é o de me ver como Juiz de Direito uma vez que me falta, aliás numa escassez absoluta, a imparcialidade. Sempre fui e sempre serei pelo lado mais fraco ou pelo lado dos que amo (não fosse assim e o bom Szegeri não teria carimbado em mim a pecha de fiel como um cão para com aqueles que ama, aqui ao lado, nas apresentações).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis que na semana passada o País recebeu a notícia de que Sérgio Naya foi absolvido. Repetindo: o ex-deputado federal Sergio Naya foi absolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro do crime de responsabilidade pelo desabamento do edifício Palace II, em 1998. E absolvido por unanimidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por cinco votos a zero, a 7ª Câmara Criminal do Tribunal manteve a sentença dada em 1ª instância e anulou o acórdão da 5ª Câmara Criminal do TJ, que em 2002, ao julgar a apelação do Ministério Público, havia condenado os réus a dois anos e oito meses de prisão (o que já seria pouquíssimo para um criminoso como ele).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo informe oficial do Tribunal de Justiça, &lt;em&gt;"os desembargadores concluíram que, ao apelar da sentença que havia absolvido Naya, o Ministério Público desrespeitou o Código de Processo Penal e mudou indevidamente a classificação do crime de desabamento doloso - o prédio teria sido feito para cair - para culposo - os réus teriam agido com negligência, desatenção e descaso."&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda de acordo com o informe, a relatora do processo, Desembargadora Elizabeth Gregory, explicou que a alteração não pode ocorrer nos processos que chegam à 2ª instância. Isso é a primeira coisa vergonhosa: não me recordo de ver Julgadores virem à frente das câmeras para explicações. Mas enfim, vamos em frente. A segunda coisa vergonhosa reside nessa frase... &lt;em&gt;"... o Ministério Público desrespeitou o Código de Processo Penal..."&lt;/em&gt;. E daí? E o desrespeito, a desfaçatez, o deboche, a conduta asquerosa, o caráter e o comportamento desse Naya, um canalha olímpico que terminou premiado? Não contam? Não. Infelizmente, não.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"O caso deve ser encarado tecnicamente. Na denúncia apresentada pelo MP ao juiz da 33ª Vara Criminal, não há nenhuma menção ao tipo culposo. A desclassificação ofende o princípio da correlação entre a denúncia e a sentença, ou seja, operou-se a desclassificação e a defesa não teve a oportunidade de apresentar defesa"&lt;/em&gt;, diz a desembargadora no informe do tribunal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O texto divulgado pelo tribunal em sua página na internet diz ainda que, para a relatora, os laudos periciais feitos pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e pelo Instituto Nacional de Tecnologia não permitem afirmar que Naya e Domingues tenham dado causa à queda do edifício: &lt;em&gt;"O laudo do ICCE aponta que a causa do desabamento foi o erro de cálculo no dimensionamento dos pilares P4 e P44, e o erro de cálculo foi do projetista, que já foi julgado. Por sua vez, os peritos do Instituto Nacional de Tecnologia não foram específicos e nem demonstraram convicção quanto aos motivos do desabamento."&lt;/em&gt; Segundo a relatora, em sua justificativa, &lt;em&gt;"no juízo criminal não há espaço para incertezas&lt;/em&gt;.&lt;em&gt;"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejam que nojo. Eu me recordo - e seguramente isso fazia parte do conjunto probatório do processo - de ouvir uma gravação autorizada pela Justiça, na qual o porco do Naya dizia que pouco importava a qualidade do material usado na construção do prédio. Tudo gentalha, segundo ele, que não merecia nada melhor do que um material de quinta categoria (eu me lembro com precisão desse troço&lt;em&gt;, quinta &lt;/em&gt;categoria). Lembro-me, mais, de um video que foi mostrado pela TV, onde o escroque do Naya aparecida bebendo champagne num de seus hotéis, em Miami, reclamando da taça que não seria de cristal, taça de gentinha, de pobre, de sub-raça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se a relatora disse - e disse, consta do informe oficial - que no juízo criminal não há espaço para incertezas, eu grito daqui &lt;em&gt;que "mas há espaço para tráfico de influências, corrupção, jogo de poder, nojeira, jogo sujo e falta de sensibilidade&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, porque não é possível que um sujeito que se depare com um processo envolvendo um criminoso como o pulha do Naya não seja sensível ao drama das vítimas, ao drama das famílias que perderam parentes no desabamento, que perderam todas as suas histórias de vida entre os escombros. Se faltou ao Naya técnica apurada na construção do Palace II, não pode sobrar técnica no julgamento para que, justamente, uma falha na denúncia do Ministério Público (eu quero dizer que não entendo &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt; de processo penal, mas entendo que a técnica não pode ser mais forte que a justiça, que é o que deve pautar a conduta dos Julgadores).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"O caso deve ser encarado tecnicamente"&lt;/em&gt; porque os Julgadores não moravam no Palace II. Não tinham parentes no Palace II. E porque estão, vê-se isso, muito mais para o lado de um pária como o Naya do que para o lado das vítimas, sedentas da Justiça que lhes foi negada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vê-se que a Justiça não é cega porra nenhuma (porra nenhuma mesmo, minha ira está aí nessa frase com dois "r" rascante). Teve os olhinhos bem abertos para fuxicar os autos (compulsar, como falam os doutos Julgadores) e descobrir &lt;strong&gt;uma&lt;/strong&gt; falha técnica capaz de absolver um sujeito que tem &lt;strong&gt;dezenas, centenas, milhares&lt;/strong&gt; de razões para apodrecer no xadrez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso não sou Juiz. Não compactuo com isso. Não suporto isso. Não agüento isso. Enoja-me, sobremaneira, tudo isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Eduardo Goldenberg&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111866865408611736?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111866865408611736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111866865408611736&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111866865408611736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111866865408611736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/justia-cega-quando-lhe-convm.html' title='A Justiça é cega quando lhe convém'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111843479477913213</id><published>2005-06-10T17:16:00.000-03:00</published><updated>2005-06-10T17:19:54.786-03:00</updated><title type='text'>A perenidade da fêmea ou Como se manter infinitamente bela até o fim dos tempos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sphinx, thy name is woman – poderia dizer um certo Bill (shakin’ his spear, sword que era). E estaria absolutamente certo (como, aliás, certo sempre esteve, ao premonizar as Ciências Sociais, a Psicologia e muitos dos ramos da Filosofia ainda na Era Elizabetana).&lt;br /&gt;A vaguidão específica (apud Millôr Fernandes) é um dos atributos mais marcantes do sexo feminino: a capacidade da fêmea em conseguir exatamente o que deseja sem, contudo, especificá-lo a olhos vistos, torna-as infinitamente superior ao tosco sexo masculino – tanto que, ao contrário destes que, desde imemoriais tempos, se esforçavam apenas em arrancar as tripas uns dos outros, enumerando-as em cartazes nos acampamentos militares (outra infeliz invenção dita macha), troféus de sua falta de senso, a mulher sempre se preocupou com a manutenção da espécie, sempre trouxe em si a carga da preservação da espécie. Exterminadores, nós; criadoras e recriadoras, elas. Desta forma, adquirem o direito a serem entes translúcidos – vivos e palpáveis, mas impenetráveis em termos de nossa (pretensa) lógica ignara.&lt;br /&gt;Em querer ser mulher consiste sua maior virtude: estar, pau a pau com seus parceiros mais grosseiros, em termos de poder de trabalho e decisão, mas abrindo mão, com aquele risinho de lado (que tanto pode insinuar que estão com o dito "soninho", como apontar, com a sutileza que lhes é inerente, para outros e mais excitantes caminhos), da grosseria que nos faz pensar o tempo inteiro em dominar aquele bananal que dá sustento a outra tribo apenas para que esta outra tribo se esvaia em fome enquanto assistimos às recém-adquiridas bananas apodrecerem em júbilo estéril. Porque, sim, somos estéreis em potencial, enquanto tudo na mulher é fertilidade.&lt;br /&gt;E a beleza, por si só, não bastasse, em nossa língua, ser um substantivo feminino, o é em todo o seu esplendor: porque a beleza é curva, e, por isso, feminina. Picasso (este grande apreciador do sexo feminino), quando pintava suas mulheres com profusões de linhas retas, as organizava (as linhas) de forma a tornar impossível que o conjunto das mesmas não apontasse, peremptoriamente para curvas abundantes, reduções das mesmas a um universo gráfico insuficiente para retratá-las. Talvez o Cubismo tenha ido longe, mesmo, na maneira de interpretar, pelas linhas de origem masculina, o feminino que reside no que é belo, pura e simplesmente. Como dizia André Breton: "A beleza será convulsiva, ou não será nada" – e o que pode ser mais serenamente convulsivo, mais convulsivamente sereno que a mulher deitada suspirando à noite, sonhando sabe-se lá em que telas de Magritte? Ouvindo, no fundo de seus trompe l’oeils (e pode haver algo mais ontologicamente feminino que o trompe l’oeil?), sabe-se lá que Corellis insuspeitos? A convulsão é um jogo de contradições no mesmo plano, que se torna Arte quando em equilíbrio. E assim é a mulher bela.&lt;br /&gt;O curioso é que, tomadas por uma apoderação de um discurso de origem pretensamente masculina (masculina no sentido positivo do termo), muitos dos membros do sexo feminino se iludem em relação ao que deveriam almejar, e se torna meros simulacros de mulheres. Em vez de compor, juntamente com aqueles a seu lado, uma complementação, buscam o paradoxo violento. Em lugar de simplesmente serem o que são, procuram se transformar em êngodos artificiais, em afirmações de conceitos de beleza meramente mercantis. E deixam de ser belas. Podem ser tudo: apetitosas, fotogênicas, ou, como diriam os másculos estilistas: "um ca-bi-de, que-ri-da!". Deixando de ser fêmeas, por todos os poros possíveis. E, do ponto de vista do eterno infantil masculino, tornam-se ótimos, agradabilíssimos play-grounds, prazerosíssimas rodas-gigantes, carrosséis e montanhas-russas. Abdicando, desta forma, da perenidade que as tornaria, sim, habittações e habitantes de um interminável jogo a dois.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#336666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fernando Toledo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111843479477913213?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111843479477913213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111843479477913213&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111843479477913213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111843479477913213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/perenidade-da-fmea-ou-como-se-manter_10.html' title='A perenidade da fêmea ou Como se manter infinitamente bela até o fim dos tempos'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111818499383724667</id><published>2005-06-08T18:00:00.000-03:00</published><updated>2005-06-07T19:59:32.006-03:00</updated><title type='text'>... e o Espírito pairará sobre a merda</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;É, meus amigos, a tentação é grande demais. Os pratos fartos, ainda que tremendamente enjoativos, servem de inestimável ajuda para a inspiração que anda pouca. Roberto Jáffezsom, Deludo Soares, José Quase Genuíno, as opções estão aí, &lt;i&gt;à la carte&lt;/i&gt;. Mas fiquei pensando se, pelos diabos, esses caras não resolveram agora sacar as fedorências todas dos armários só pra pautar o &lt;b&gt;Conexão Irajá&lt;/b&gt;? Sim, porque, desde que esta página foi ao ar, a quantidade de parlapatices perpetradas pelos néo-escroques-rubro-estrelados está assim de fazer inveja aos bons tempos (para os cronistas, claro) do presidente dos olhos esbugalhados. Com a diferença que enquanto aquele bradava frenético o tristemente famoso “não me deixem só!”, nosso papai-grande atualmente de plantão deve estar implorando aos céus justamente o contrário. Isso que dá, diria mamãe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou podíamos continuar pelo futebol, porque até o Clóvis Rossi resolveu passear com seu trenozinho de estultices distribuendas, espécie de alter-ego nefasto do Papai Noel, pelos campos de futebol. Até acho graça, porque aí fica mais evidente - em política ele disfarça melhor - que o que ele escreve não passa muito de palavrório arrumadinho obedientemente segundo as regras de charlatanice jornalística estampadas no manual da &lt;i&gt;Folha de S. Paulo&lt;/i&gt;. A pérola (juro que termino o ano com um colar de três voltas, das legítimas, que eu vou deixar de herança pra Iara junto com o Chevette que já não anda e com o violão que já não toco) da vez é que o atual quarteto ofensivo “titular” da seleção canarinho - que não jogou nunca, frise-se -, a saber, Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho, Cacá e Robinho, é melhor que o campeão em 70 (Pelé, Tostão, Gerson e Rivelino, segundo ele). Sem comentários. Só mesmo comparável ao Roberto Carlos (não o cantor) dizendo que o Robinho é o Garrincha da atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não sucumbirei, hienas tonitruantes, que já vos vejo de bocarras arreganhadas a caçoar da pusilanimidade das minhas disposições de alma. Farei, então, como tem mandado o costume, coro com meu irmão Eduardo e falarei desse que é o assunto que menos entendo na vida: mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque por não raras vezes tenho confessado ser daqueles sujeitos que podem conversar sobre quase todos os assuntos. Por não mais do que cinco minutos, é verdade, como já admitia o velho Otto Lara Resende (certamente vem daí a alta dignidade a mim conferida pelo bom Edu, cognominando-me o seu “Otto”). A única coisa que advogo conhecer em profundidade é o bar. Opostamente, é absolutamente notória minha quase completa incapacidade de percorrer minimamente as obscuras, instigantes e inóspitas estradas que cortam a alma feminina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justo por ser um viajante irremediavelmente perdido nesse emaranhado de sinuosidades enganadoras, é que tenho tentado adotar como condição de sobrevivência (sim, porque, queiramos ou não, há em nós aquele algo que nos impele a essas arriscadas e por isso mesmo fantásticas epopéias) os mapas traçados por quem, por maior sabedoria ou experiência, aparentemente já conseguiu desbravar um pouco mais o terreno, de modo a estabelecer os nortes mínimos para evitar a completa desorientação. Um dos meus líderes nessa matéria é o meu bom e querido amigo Júlio Vellozo. Quando ele se põe a discorrer sobre o tema, ponho-me de orelhinhas abaixadas, caderninho na mão, tentando aproveitar o máximo das suas palestras. E o bom Júlio ajudou-me a admitir o que as evidências há muito atiravam-me à cara: as mulheres são seres infinitamente superiores; por isso mesmo, muito mais complexas. Então é que, convencido de que para elas estamos na mesma razão em que nós para os cães, por exemplo, é que fui começar a me haver mais desembaraçado em alguns probleminhas iniciáticos. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Em primeiríssimo lugar: somos indiscutivelmente mais felizes! Estou convencido disso. A mesma felicidade que somente pode ter quem jamais ouviu falar de Hitler, do delegado fleury (sempre em minúscula), do Bush ou do Garotinho. Quem não leu Proust nem Pedro Nava. Em suma: a felicidade dos medíocres. Prova cabal empírica irrefutável é a satisfação plena de alma que sentimos quando sentamos num butiquim com dois ou três amigos queridos, tomando uma cerveja gelada, apreciando o movimento de saias e pernas e cabelos e peitos e olhos. Tem coisa melhor? Isso para um legítimo ser humano do sexo masculino é muitíssimo próximo do máximo (gostei da aliteração involuntária - vai ficar!) que ele pode almejar em vida! E para uma mulher? Ela pode estar em Paris, hospedada no Ritz, ao lado de um sujeito com a cara do Marlon Brando (eu sou muito mais antigo que você, Edu!) e a conta bancária do Onassis, apaixonado por ela, tomando uma Veuve Clicquot Ponsardin bem geladinha num café charmoso às margens do Sena, onde um Maurice Chevalier redivivo cantaria acompanhado de um jovem violinista de cabelos loiros. Estaria ela feliz? Meus caros, tenham absoluta convicção de que uma certa melancolia lhe alfinetaria de leve a alma, e ela não disfarçaria um ar algo assim perdido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por quê???”, perguntarão vocês, homens (as mulheres certamente sabem do que falo, sem trocadilho) que não leram Júlio Vellozo! Porque a elas sempre estará faltando algo mais! Porque muito mais podem almejar, muito mais longe suas almas infinitas poderão viajar e alçar vôos nunca por nós sonhados. Sua apreensão da existência é infinitamente superior e justamente por isso nos parecem incompreensivas das coisas mais elementares. É que as coisas, queridos, não são simples assim. Somente NOS PARECEM assim, pobrezinhos de nós. A elas que sentem tão além, rigorosamente nada nunca será simples. Alguém aí ousa discordar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso, também, seja que nós tenhamos essa agradável e completamente inverossímil sensação de mandar no mundo há tanto tempo. Inverossímil, porque sabemos que de fato são elas a ditar os grandes destinos da espécie há muito. Chamo de grandes aqueles passos que nos fizeram descer das árvores, controlar o fogo, acreditar que se pode amar ao invés de subjugar, compor as sinfonias de Beethoven. Os pequenos são de nossa responsabilidade: as guerras, as regras de mercado, as razões de segurança nacional, os debates judiciários, as brigas de trânsito. Os homens são responsáveis pela pequena merda que, indistintamente espalhada, afoga completamente o mundo e obnubila a grandeza das realizações do espírito humano. Porque a nós, somente é dado o pouco, o pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há senhores, por óbvio, grandes homens e mulheres estúpidas - a Hebe Camargo está aí pra não deixar que essa crônica fique completamente despropositada. Apenas, os nossos destinos são diversos; os quinhões que nos couberam neste legado que não se sabe exatamente de onde veio são muito desproporcionais. Nós, animaizinhos melhorados, que usamos bem o engenho e a lógica pra subjugar a natureza, construir ferramentas e técnicas que em geral só nos ajudam a tornar o mundo um lugar cada vez mais insuportável de se viver. Talvez seja esse mesmo o nosso destino, a que elas, tristemente, também estão aprisionadas. Elas têm bem mais que razão e entendimento. Têm em si o Espírito que, no começo de tudo e sempre, pairará sobre as Águas. Mas talvez não possam - ou não lhes caiba! - nos salvar. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fernando Szegeri&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111818499383724667?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111818499383724667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111818499383724667&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111818499383724667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111818499383724667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/e-o-esprito-pairar-sobre-merda.html' title='... e o Espírito pairará sobre a merda'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111789893046940361</id><published>2005-06-06T06:00:00.000-03:00</published><updated>2005-06-04T13:22:32.630-03:00</updated><title type='text'>Mulher, mulher, mulher, mulher</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Francamente, como diria meu bom Caudilho, que anda fazendo muita falta, já chutamos o pau da barraca aqui nos vagões do trem falando de futebol, de política, de jornalismo, e eu gostaria muitíssimo de, com o cotovelo no balcão imaginário que há dentro de um dos vagões desse trem, trazer à tona um assunto obrigatório: mulher. Afinal de contas, eu, Fernando Szegeri e Fernando Toledo (que somos amigos, e não sócios, como fez supor na sexta-feira uma desqualificada diante do meu irmão paulista) temos tido nos comentários a companhia essencial de espadas como Zé Sérgio, Jota, Marcão, Taboada, Flavinho, e ainda não levantamos a pelota pra falar dessa coisa fundamental que é a mulher. E fundamental &lt;em&gt;latu sensu&lt;/em&gt;. Como companhia, como objeto de desejo, como alvo dos mais delirantes comentários, como enfeite que seja. Quero antes transcrever (não sei se todos conhecem) a letra de um samba composto pelo Edmundo Souto escrita pelo não-menos-espada Nelsinho Rodrigues, quando esteve preso. O Edmundo mandou entregar a fita com a melodia e, anos depois, o Nelsinho mandou devolvê-la com a letra acompanhada de um bilhete onde estava escrito apenas &lt;em&gt;"Edmundo, só penso nisso."&lt;/em&gt;. O samba chama-se "Tem Gente que Não Gosta". Vamos a ela:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Mulher, mulher, mulher&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Mulher, mulher, mulher&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher, mulher, mulher&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher, mulher, mulher, mulher, mulher.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(e o que é que tem?)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher, mulher, mulher, mulher, mulher"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gênio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí eu dei uma passada de olhos por todos os textos já escritos aqui. E uma única mulher foi mencionada: Maria Fernanda Cândido, eleita como a mulher mais bonita do milênio (aliás, um erro crasso, imposto pela TV Globo, já que a moça era a estrela da novela das oito à época). Não me recordo dessa eleição, tampouco sei quem foram os eleitores que cometeram esse crime contra o nosso patrimônio. Mas suponhamos que fôssemos fazer novo pleito, aqui, na &lt;strong&gt;Conexão&lt;/strong&gt;. O pau vai quebrar, não tenho a menor dúvida, até mesmo por que, já que estou sugerindo o troço, a primeira das únicas duas regra reza que o voto pode ser pra várias moças, várias. Até mesmo pra que a quebradeira seja mais extensa. A segunda e última regra é a que dita que a mulher da gente não vale, pô!, temos que eleger aquelas do imaginário, as impossíveis, as que nunca nos dirão um único e árido "oi".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo mundo tem a sua preferida. E que pode mudar de um dia pro outro, de um bar pro outro, por exemplo, quando passa um par de coxas alucinante à nossa frente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falei em coxa e lembrei-me de um depoimento do Lan que eu ouvi, cara a cara. Eu havia acabado de me separar e Aldir convocou-me pra um chopp no Pilão de Pedra, na Tijuca. Mesa de quatro, eu, Aldir, papai e Lan. Obviamente que o assunto "mulher" veio à mesa. E disse o Lan a certa altura: &lt;em&gt;"As pernas mais bonitas, as coxas mais bonitas, estão na Tijuca, e eu ainda não consegui descobrir o por quê"&lt;/em&gt;. E é a pura verdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas voltando ao imaginário pleito. Cravo meu "x" (vejam como sou antigo, a urna hoje é eletrônica) no nome de Cleo Pires, a única composição brilhante do Fábio Jr.. Que morena, que morena! Até mesmo a Dani, a mulher que me ensinou a sorrir, diante de minhas estranhíssimas reações quando a Cleo (vejam a imaginária intimidade!) aparece na TV, tem comprado pra mim a Contigo, a Caras, a Capricho, a Quem, quando Cleo é capa. Porque é preciso que a mulher da gente tenha essa compreensão diante de nossos delírios, que, no meu caso, Szegeri é testemunha disso, são apenas delírios que nunca se transformam em realidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não posso deixar de falar da T., empregada da mamãe quando eu ainda era um meninote (vejam que termo antigo!!!!!), que era de uma feiúra absoluta, mas foi a primeira a me apresentar aquilo que viria a se transformar na minha mais furiosa, no que a fúria tem de bonito, perseguição vida afora: um par de seios. Eu era um meninote a a T. era, pra mim, um par de seios alvíssimos com bicos como dedais mais rosados que o que há de mais rosa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E da Adele Fátima, a mulata da Sardinhas 88, a quem pude, anos mais tarde, agradecer pelo que de diversão me rendeu, aquela revista Amiga pousada no chão, à minha direita, e eu obcecado pelo prazer que eu começava a descobrir sozinho, como todos nós.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tô falando de mulheres e lembrei-me do Comandante, vou explicar. Comandante, meu sogro, figuraça, 70 anos nas costas, sempre que está num bar bebendo comigo e com uns amigos, tem um código particular. Passa uma beldade e ele, &lt;em&gt;"mas heim!?"&lt;/em&gt;. É como ele crava sua cédula. E sempre no bar, sempre no bar, e quando o bar tem mesas na calçada, então o troço fica ainda mais divertido. São moças que vêm e que passam, como Heloísa Eneida passou diante do Tom e do Vinicius no Veloso, na Rua Montenegro, numa Ipanema que não existe mais (as moças ainda existem, ainda bem).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tá feita a sugestão da semana (aliás, que privilégio abri-la e sugerir o mote pros Fernandos!). Toledão, Szegeri, espadas olímpicos, Jota, Zé Sérgio, Taboada, Flavinho, Marcão, vamos pôr os cotovelos no balcão de mármore e descer o verbo sobre o assunto, inesgotável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tá com vocês a bola.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Eduardo Goldenberg&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111789893046940361?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111789893046940361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111789893046940361&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111789893046940361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111789893046940361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/mulher-mulher-mulher-mulher.html' title='Mulher, mulher, mulher, mulher'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111780516887821966</id><published>2005-06-03T10:24:00.000-03:00</published><updated>2005-06-03T10:26:08.886-03:00</updated><title type='text'>Arenques vermelhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqueles habituados à leitura de romances policiais (e qual leitor médio não cultivou, um dia, este salutar e divertido hábito?) estão acostumados com os arenques vermelhos – se não com a expressão, pelo menos com o conceito. Os arenques vermelhos são elemento indispensável para o interesse nos whodunits (contração de "who done it", geralmente atribuída a Alfred Hitchcock, que designa obras – filmes, livros, peças – onde o principal mote é a descoberta de quem cometeu o crime, e como).&lt;br /&gt;O romance policial é um gênero de arquitetura sólida que, para triunfar como obra, deve conter o elemento de mistério e do processo de desvelo do mesmo. Os elementos de que o herói se vale para deduzir e apresentar aos demais personagens o criminoso e o método que utiliza, além dos motivos (muitas vezes), devem ser apresentados ao leitor da maneira mais natural possível, sem que este se aperceba dos mesmos – esta é uma das regras, evidentemente diversas vezes quebradas, que Ellery Queen (ele mesmo bom autor do metiê) estabeleceu para a feitura de um bom romance policial. O leitor deve receber todos os dados que o herói recebe, estar presente a seu lado quando de seu recebimento, e não notar que os possui em suas mãos. A virtude do gênero, a capacidade de empolgar o leitor, deve residir na exclamação deste ao final da leitura: "Puxa, e eu não percebi isso! Esse Holmes realmente é o cão chupando manga!".&lt;br /&gt;Acontece que, para que o fenômeno de não-percepção dos elementos se estabeleça, diversos dados paralelos, que constituirão o alicerce de um romance (com elementos de drama, comédia, tragédia etc.), devem transcorrer à margem da pura ciência de investigação. Ou o romance não chega a sê-lo e resulta somente num manual a ser usado em aulas de criminologia, nunca em um gênero que se pretende literário – apesar de alguns críticos, como Álvaro Lins, o situarem como entidade à parte. E aí estão os arenques vermelhos, aquelas historinhas correlatas que possuem, sim, ligação com o cerne da obra (o crime), mas que não são o crime e a resolução deste em si. Nessa categoria incluem-se, além dos fatores romanescos puros, também as pistas falsas, as digressões e as viradas de jogo. O nome deriva do uso dos pobres peixinhos defumados, de odor caracteristicamente forte e singular (red herring), para despistar o olfato dos famosos sabujos farejadores capazes de seguir pegadas por todas as ruas da sombria Londres Vitoriana – o uso dos bravos cãezinhos está bem retratado num dos capítulos de "O signo dos quatro", de Arthur Conan Doyle. Pausa para uma visita aos noticiários.&lt;br /&gt;A imprensa brasileira vive, em grande parte, de pequenos auês: o (pseudo) escândalo disso, o (proto) escândalo daquilo, o deputado que narra sua visita ao proctologista, as declarações sem pé nem cabeça (deformações, em temos de conveniência, de lugares-comuns) que nosso imprevidente Luís Ináfio (apud Ota) espalha por aí etc. Auês estes que, após o cessar do impacto de sua carga anedótica, retornam a sua condição de marolas num oceano inescrutável. Somos levados a perceber as marolas, e nada mais. As profundezas, quando trazidas à tona, carecem do poder de despertar interesse imediato, pois contêm elementos técnicos em demasia: não são compreensíveis ao primeiro vislumbre. Para que sejam devidamente compreendidas (e não somente apreendidas) requerem um grau de paciência um pouco maior, e todos sabemos a quantas andam a paciência e a capacidade de análise do grosso (com duplo sentido a escolher) da população. Vamos, pois, ao espetáculo – "aí, galera", como diria a filósofa Ivete Sangalo.&lt;br /&gt;Quantos se lembram de que Fernando Collor de Melllo, após declarar, na primeira água, que seu governo representava o futuro do Brasil e que iria empregar apenas nomes ainda não contaminados por vícios políticos (entre outras frases de efeito oportunas), em determinado momento nomeou ministro Jarbas Passarinho, emérito resto de uma ditadura da qual pensávamos ter nos livrado então? Poucos, claro. No entanto, todos se recordam do affair Zélia &amp; Bernardo Cabral, um homem casado se envolvendo às escâncaras com uma CDF aparentemente assexuada, em pleno Palácio do Poder. Curiosamente (e isto praticamente ninguém vai lembrar mesmo) os dois fatos (a nomeação e a vinda à tona do tal affair) ocorreram simultaneamente. E adivinhem qual ocupou as primeiras páginas dos periódicos? Errou quem disse que aquele mais relevante e revelador da verdadeira natureza política do primeiro presidente eleito pelo povo em muitos anos.&lt;br /&gt;O prefeito do Rio, César Maia, é um craque do marketing, do jogo de fumaças e espelhos. Consegue passar a impressão de empreendedor espalhando tapumes por toda a cidade e levando mandatos seguidos para retirá-los – quando os retira. Arranca os hospitais municipais das mãos do governo federal – que os encampara após uma intervenção mais do que justificada – e permite que funcionem sem emergências, ou que não funcionem, fingindo não vê-lo, apesar de ser impossível deixar de sentir o odor de putrefação dos que aguardam a sua vez de morrer nas filas, à espera de serem atendidos (Ave, Caesar, morituri te salutant). Protesta contra uma unidade médica num campo público, temendo que o vai-e-vem de morituris desesperados perturbe o sossego de cotias mais urbanas que o Tom Wolfe, posando desta forma de grande ecologista. E, a fim de combate a poluição visual e sonora, além das pequenas misérias humanas que perturbam tremendamente o turista que vem aqui largar alguns cobres, institui, para a Zona Sul, um "xerife", a fim de promover uma "faxina" em nossa linda e tão cobiçada orla.&lt;br /&gt;O termo "xerife" perturba tremendamente. Estaria o alcaide atribuindo ao Rio o status de far-west? Estaria admitindo finalmente sua incapacidade de manter a lei e a ordem na cidade pelas vias regulares? "Este é um trabalho para Wyatt Earp"? E o termo "faxina"? Acredita piamente César Maia que aqueles que segrega não passam de lixo? E mais: por que somente se efetua a tal faxina na Zona Sul? O prefeito deveria visitar áreas de Madureira, Méier, Campo Grande, Santa Cruz e da Favela da Maré para constatar que, se aquilo que degrada e humilha pode ser chamado simplesmente de "lixo", a Zona Sul pode se considerar muito deslixada (é assim, mesmo, nobre e extremamente bem-pago revisor), à exceção de seus morros.&lt;br /&gt;E assim esfrega-se o arenque vermelho nas pegadas: uns apoiarão César, argumentando que lei é lei e deve ser cumprida; que o turismo é a maior fonte de renda do Rio; que muitos camelôs constituem (é verdade) problemas mesmo de saúde pública etc. Outros dirão que é uma segregação de outras áreas da cidade, perseguição a pobres coitados que querem apenas trabalhar honestamente e não dispõem de meios para regularizar seus parcos negócios, além de outros argumentos humanistas quetais.&lt;br /&gt;E estabelece-se o debate, o foco gira, a ribalta se acende: César está lá, sobre o palco, fosforescente, lantejoulescente e purpurinescente, Maiamente preparado para ser amado ou odiado – só, nesta questão em particular, ambos os lados estão errados.&lt;br /&gt;Simplesmente porque neste exato momento crianças estão tentando estudar em escolas precárias, sem material adequado; velhinhas espirram, sentem falta de ar e se estabacam no chão em agonia porque não há médicos; ratos, baratas e outros bichos que a repugnância me impede de descrever pululam no lixo que se onipresenta em bairros menos nobres sem que haja, ao menos, caixas para seu recolhimento a distâncias regulares cabíveis (pude comprovar isto em visita recente a Madureira); a cidade, enfim, apodrece longe da orla e da ação do xerife, região geograficamente a salvo do mau-cheiro exalado pelos grotões.&lt;br /&gt;E César ri, de seu castelo, ao lado do Professor Moriarty, após preencher um cheque nominal a este, agradecendo pela consultoria e pela qualidade do arenque fornecido, sem licitações por sinal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#003333;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fernando Toledo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111780516887821966?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111780516887821966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111780516887821966&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111780516887821966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111780516887821966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/arenques-vermelhos.html' title='Arenques vermelhos'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111763738579809866</id><published>2005-06-01T11:43:00.000-03:00</published><updated>2005-06-01T11:53:07.616-03:00</updated><title type='text'>Deus e o Diabo na terra do choro</title><content type='html'>Nem precisei ontem de manhã abrir a &lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;: já na primeira capa estava estampada em uma bela foto colorida o nosso bom ministro-cantor Gilberto Gil defendendo que PT e PSDB não deviam "se oposicionar" (sic), mas sim "estar juntos". Confesso a vocês, caríssimos, que a idéia me apavorou. Porque se o que talvez ainda segure a entrega total do país aos que o compraram e estão levando embora aos poucos seja, digamos, a concorrência (que os ilusionistas da teoria da democracia chamam de "revezamento no poder"), o que não acontecerá quando os grandes líderes da rapinagem política se juntarem no assalto à dignidade final desta Nação? Assim meio como a Brahma e a Antárctica, só pra citar um exemplo mais, por assim dizer, presente no meu cotidiano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o governo do senhor Luiz Inácio não está somente igual ao anterior (e a muitos anteriores) no que concerne a condução econômica e "métodos" de prática política. Não esqueçamos que sua alteza Dom Fernando II era contumaz nas suas tentativas de desqualificar quem ousasse destoar do discursinho oficial. Quem discordasse da cartilha &lt;i&gt;pret à porter&lt;/i&gt; adquirida em Washington era "caipira", "néo-bobo", "órfão do muro" e outras preciosidades. Pois eu que há tantos anos denuncio esta como a forma mais nefasta e covarde de autoritarismo "branco" (que usa de uma violência que não precisa sujar de sangue as luvinhas brancas), inclusive como prática do então candidato tucano à prefeitura de São Paulo, não posso deixar de lastimar a encampação de mais esse &lt;i&gt;modus faciendi&lt;/i&gt; por nosso supremo mandatário e seus sequazes. A pérola desta semana da lavra de Sua Excelência é "quem torce contra vai quebrar a cara!", estampa o JB também de ontem. Contra quem, cara-pálida? Contra o Roberto Jefferson? Porque agora, também, quem discorda das pataquadas do governo é contra o Brasil. Qualquer semelhança como o "ame-o ou deixe-o" não é mera coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreveu meu irmão Eduardo que é o anti-PT que está no poder, do que discordou nosso bom J. Cardoso nos comentários. E tenho que com ele concordar que na verdade o PT, como qualquer grupamento humano que defende interesses, tem as suas contradições, suas incoerências, positividades e aspectos turvos. Essas estão, é verdade, exacerbando-se pelo exercício do poder e pela superexposição pública das práticas partidárias, mas não se pode negar - e quem acompanhou a coisa um pouco mais de perto está careca de saber - que sempre estiveram rondando o terreno. Mas o contraste maior não vem daí e sim do fato de que o partido, consciente e historicamente, forçou uma identificação da legenda com a bandeira da moralidade político-administrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode negar que o partido tenha congregado muita gente séria, o que equivaleria a não admitir justamente essas contradições naturais de qualquer grupo que haja politicamente, a ver tudo como uma questão da "turma de cá" e a "turma de lá", o que empobrece por demais a análise. Tem gente que embarcou de muito boa-fé no projeto de construção de uma alternativa política de esquerda para o Brasil, unindo parcelas mais organizadas do proletariado, intelectuais e setores da igreja, e é natural que esses queiram salvar o que sobrou do produto de seus esforços e dedicação. O grande problema é que o PT, valendo-se de circuntâncias históricas específicas que fizeram encontrar-se a continuidade contumaz no malbarato da coisa pública com o aperfeiçoamento dos mecanismos de investigação e informação, assumiu a bandeira da "ética" como a única e simplesmente esqueceu-se do dever de elaborar proposições políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe lembrar, &lt;i&gt;en passant&lt;/i&gt;, que moralidade sequer pode ser bandeira, porque já dizia minha avó que ninguém se pode gabar de ser honesto. Porque se honestidade, moralidade pública é &lt;u&gt;dever&lt;/u&gt; de não roubar, de gerir transparentemente os recursos públicos etc., a discussão ética envolve escalas muito mais profundas de questionamentos, numa permantente avaliação acerca da legitimidade dos meios utilizados em relação às finalidades almejadas. E se nós já temos tantas dificuldades no Brasil em estabelecer parâmetros de lisura de gestão pública, imaginem se formos pensar em legitmidade dos meios incorporados à &lt;i&gt;praxis&lt;/i&gt; política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o PT encampou com unhas e dentes, fundamentalmente durante e após a era Collor, o discurso por óbvio muito mais fácil de marcar sua diferenciação de outros segmentos do espectro político justamente pela defesa da "moralidade". Eram os paladinos da honestidade contra os assaltantes dos cofres públicos. Talvez precisamente por isso o partido tenha levado tantos anos para conseguir lidar com adversários - Fernando Henrique Cardoso, como maior exemplo - que não se encaixavam no arquétipo de bandoleirismo &lt;i&gt;alla&lt;/i&gt; Maluf, Collor, ACM etc. O que era dever, virou plataforma. Qualquer um minimamente lúcido podia prever que, assim que fosse o partido assumindo o poder nas variadas esferas, o surgimento de objeções à lisura da gestão adminsitrativa acabariam por aniquilar a única bandeira, a única diferenciação perceptível dos petistas no seio da opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim, pois, que o Brasil que conseguiu, emerso de anos de obscurantismo, viabilizar politicamente uma alternativa consistente e importante à esquerda - vejamos a falta que essa via faz no cenário político de outros países latino-americanos como a Argentina e o México, por exemplo - viu essa construção esvair-se por completo no mar das estruturas arcaicas e viciadas do exercício do poder. É tarefa que urge aos que pedem e esperam uma nação mais justa e igualitária sobre este solo de oito milões e meio de quilômetros quadrados, redesenhar uma utopia política que possa servir de norte para nossa prática. Uma sociedade em que se possa viver a liberdade, em que as subjetividades expressem-se, comuniquem-se e mutuamente se construam, banidas todas as formas de opressão e todas as razões absolutas. Em que as racionalidades sistêmicas não sejam simplesmente substituídas por outras igualmente totalitárias - como já vimos no século que passou o totalistarismo da razão capitalista ser substituída pelo da razão de estado socialista - mas confinadas a seus domínios estejam a serviço do provimento das necessidades materiais de todos os indivíduos e das necessidades administrativas do todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E urge sobretudo, senhores, porque o Brasil não está parado. Nossa sociedade caminha, sim, a passos largos justamente no sentido oposto, consumida pela generalização da violência, pelo assustador crescimento das esferas infensas a qualquer poder político regulador; subjugando todas as suas possibilidades de resistência e reação, entregando-se a uma pseudo-religiosidade individualista, moralista, calculista, igualmente orientada para fins. Mas isso é um papo para futuras conexões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fernando Szegeri&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br&gt;P.S. Fiquei feliz porque com todas as críticas que venho recebendo pelo meu endurecimento e esgotamento de paciência em relação ao governo de Sir Silva, ontem no JB o insuspeitíssimo Aldir Blanc exprimiu o mesmo sentimento a que me referira duas semanas atrás. Com a diferença de que ele ainda crê na virada de Lula. E eu só creio cada vez mais que é necessário fazer-se a Revolução neste país.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111763738579809866?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111763738579809866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111763738579809866&amp;isPopup=true' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111763738579809866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111763738579809866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/06/deus-e-o-diabo-na-terra-do-choro.html' title='Deus e o Diabo na terra do choro'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111738453592793851</id><published>2005-05-30T06:00:00.000-03:00</published><updated>2005-05-29T23:51:44.403-03:00</updated><title type='text'>Um xerife na zona sul do Rio de Janeiro (em busca do Brasil inteiro)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fui à praia ontem, domingão de sol sem nuvens, entre a Farme de Amoedo e a Vinicius de Moraes, como de praxe, bem em frente à Barraca do Mineiro, capitaneada pelo glorioso Miguel, morador do Vidigal, vítima do tráfico incandescente, trabalhador autônomo, casado, pai de três filhos, e que vende cerveja, côco, aluga cadeiras, barracas, suando atrás do dindim enquanto nós descansamos de uma semana intensa de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis o que assisti: uma corja de fiscais da Prefeitura chegou com pranchetinha nas mãos e câmeras digitais, fotografando tudo à volta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Explicação brevíssima: na semana passada, César Maia, capitão da corja, nomeou um xerife - o nome é esse mesmo - para uma "faxina" - o termo usado também foi esse - na área nobre da cidade - mais uma vez, o "nobre" foi vomitado pelo alcaide.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vai daí que os fiscais exigiram que o Miguel pintasse com tinta preta - baldinhos e pincéis fornecidos pelos fiscais - as propagandas expostas nas barracas que aluga. Exigiram que recolhesse cadeira por cadeira, eis que a atividade é ilegal segundo normas de posturas municipais. E deram de xeretar os isopores, exigir notas fiscais do gelo, das mercadorias etc etc etc&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parênteses: o porco do César Maia, que mandou seu exército de fiscais proibirem a propaganda ingênua do Miguel, entubou rios de dinheiro pra emporcalhar a cidade, inclusive a orla litorânea, com propagando ilegal da VIVO, companhia de telefonia celular, uma das que mamou na teta do Estado brasileiro na onda das privatizações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejam que nojo. Cidadãos morrem agonizando nas filas dos hospitais municipais, geralmente nas zonas consideradas menos nobres pelo porco do prefeito (com "p" minúsculo mesmo). Motoristas são achacados diariamente pelos radares eletrônicos que pululam na cidade inteira. Professores são mal pagos, falta merenda, o alunado não conta com material adequado, e lembrar disso tudo debaixo do sol escaldante deu-me um nojo profundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiscais, que cumprem ordens, logo são os menos culpados, invadem a praia num domingo de sol para perseguir um trabalhador que está ali ganhando a vida, sustentando os filhos, e dando conforto a quem não tem, como o alcaide, um piscinão particular no mais caro edifício de São Conrado, um dos metros quadrados mais caros da cidade, e sob o argumento de fazer cumprir as posturas municipais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando?, meu Deus, eu me perguntava, agiremos com fúria ativa para fazer essa gentalha ter o mínimo de compostura? Essa gentalha inclui o alcaide, seu filho, que mais parece um Führer-mirim, Severino, José Dirceu, Garotinho, Rosinha Matheus, Roberto Jefferson (a quem o Lula vergonhosamente chamou de parceiro), a toda a classe política brasileira que, salvo um ou outro, não tem postura, não tem vergonha na cara, não tem pudor, não tem caráter.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não estou aqui a bater o pezinho com raiva passageira. Estou apenas num quadro de indignação absurda tentando entender o por quê, embora as explicações sejam inúmeras mas incapazes de me fazer um conformado, dessa passividade gigantesca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será que chegamos no fundo do poço da humilhação e massacraram inclusive nossa capacidade de reação?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o PT? O anti-PT está no Planalto, e quando vemos, por exemplo, um Chico Alencar não dobrar-se diante da força da máquina se recusando a retirar sua assinatura do pedido de CPI e ser ameaçado de expulsão em dezembro quando a Executiva do PT reunir-se, como fizeram com a Heloísa Helena, temos certeza disso: é o anti-PT que está lá em Brasília.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí me lembro do Velho Caudilho quando dizia que o ex-operário iria mesmo se deslumbrar com os salões, com os lustres, com as mesas ovais e negar, dia após dia, sua origem e a origem dos votos que o levaram, depois de várias eleições, ao Poder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poder do qual não quer se desgarrar de jeito nenhum, o anti-PT.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo indica que o PFL, de figuras asquerosas como ACM, vai de Cesar Maia para a eleição presidencial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agirá, seguramente, o basbaque, como um xerifão nacional. E seguramente quererá fazer uma faxina no País de cima a baixo. Como se não fosse urgente justamente uma faxina nas Prefeituras, nas Câmaras Municipais, nos Governos Estaduais, nas Assembléias Legislativas, na Câmara e no Senado, cada vez semelhantes com uma privada, como iria demonstrar uma escola-de-samba carioca no carnaval passado, com Tio Sam cagando sentado numa de suas cúpulas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foram os homens do PT, ofendidos, coitados, que conseguiram a proibição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas mantiveram a caganeira, que parece irreversível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Eduardo Goldenberg&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111738453592793851?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111738453592793851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111738453592793851&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111738453592793851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111738453592793851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/um-xerife-na-zona-sul-do-rio-de.html' title='Um xerife na zona sul do Rio de Janeiro (em busca do Brasil inteiro)'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111720758667917039</id><published>2005-05-27T12:25:00.000-03:00</published><updated>2005-05-27T12:26:26.683-03:00</updated><title type='text'>Eras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma relação estranhíssima com o futebol: realmente não é dos assuntos que mais me tire o sono (minha conta bancária basta para isso), nunca tive capacidade para praticá-lo (não gosto de correr, logo só gosto de praticar três bravos esportes: sueca, porrinha e halterocopismo), não acerto um chute em linha reta (na verdade costumo errar a bola) e considero 90% dos jogos a que assisti de uma chatice atroz (detalhe: nunca fui ao Maracanã assistir a um jogo, não sei nem como se faz). Contudo, em determinados momentos, a beleza plástica do espetáculo, aliada a uma necessidade atávica que todos temos de nos entregarmos a alguma forma de catarse em algum momento da vida, me arrebata e um tricolor desde os sete anos de idade (era botafoguense, mas não resisti ás exibições da Máquina) se manifesta, inconteste, e lá vamos nós aos brados proferir impropérios contra a pobre senhora que mal nenhum perpetrou além de dar a luz àquele rapaz que está portando o apito e que acabou de anular um gol legítimo. Senhora esta que, aliás, raramente vai ao estádio, certa dos epítetos de que será alvo.&lt;br /&gt;Vibro, sim, durante jogos decisivos (apesar de ser incapaz de acompanhar qualquer campeonato do começo ao fim, com exceção, é claro, da Copa do Mundo – ocasião em que até o Stephen Hawkings se manifesta acerca do assunto e afirma peremptoriamente que aquele pênalti até ele fazia). Já chorei de alegria algumas vezes (mais com a Seleção Brasileira do que com o meu querido Fluminense, devo admitir). Mas costumo, na maior parte de meu tempo, manter uma distância crítica em relação ao assunto. Logo, creio poder dar minhas opiniões de leigo por aqui.&lt;br /&gt;A grande diferença entre Maradona e Pelé, a meu ver, consiste na natureza dos momentos históricos em que surgiram. Pelé surge para o futebol num momento em que o jogador começava a sair de um amadorismo quase absoluto para um profissionalismo ainda não completamente estabelecido, quase que em potencial. Malandro que era, foi um dos pilares do processo de profissionalização completa, graças a seu infinito talento e a um senso de responsabilidade e oportunismo irreprocháveis. A integração absoluta, o entrosamento perfeito entre um ser humano e seu instrumento de trabalho (instrumento este que nunca foi tão bem tratado em toda a sua existência e nunca mais voltaria a sê-lo) se aliaram a um faro para resultados concretos poucas vezes visto. Tinha que funcionar.&lt;br /&gt;A partir de Pelé – e com o advento, ao longo de sua carreira, da televisão – o jogador de futebol não seria mais apenas um atleta: torna-se, além disso, uma pessoa jurídica, uma griffe (como se costuma dizer hoje, nas rodas de rapazes que cedem suas respectivas caudas), uma estrela que atinge todas as idades e sexos. O futebol deixa de ser "coisa de macho" (com todas a carga de exclusão que a expressão possa carregar) para ser um produto consumido por toda a família, mesmo que por motivos diversos: qual a moçoila adolescente com o cérebro pouco habitado – esse híbrido entre adulto infantilizado e criança precocemente sexualizada que grassa pelas noites da Barra – que não sonha convencer o Ronaldinho a deixar a camisinha pra lá e aparecer uns meses depois munida de exame de DNA nas mãos? Isto não era imaginável antes do advento de Pelé, que demonstrou que se pode, sim, ser atleta com todas as letras e simultaneamente assumir ares de Alain Delon – ainda que esses ares sejam apenas virtuais.&lt;br /&gt;Pelé, pois, inaugura e é um dos principais responsáveis pela total profissionalização do jogador de futebol e por sua conversão em algo mais do que isto.&lt;br /&gt;Maradona já encontra o cenário armado. Desde que começa a despontar como extraordinário jogador que foi, uma mídia já sólida se volta para ele. A indústria de glamurização do jogador já existe, e se vale de Dom Diego muito bem. Todo o estilo de Maradona tem a ver com esse apelo midiático: um futebol quase acrobático, que muitas vezes não acreditamos estar se desenrolando frente a nossos olhos, um verdadeiro espetáculo. Espetáculo para o qual talvez nem mesmo Diego Maradona estivesse preparado, vide a desestabilização emocional que acabou por lhe causar, desestabilização esta que o levou a certos hábitos que conhecemos tão bem.&lt;br /&gt;A tentativa de aproximar o futebol de Maradona ao de Pelé é devida justamente a esta diferença de eras: um (Pelé) criou um método, apontou o caminho, criou toda uma estrutura; outro (Maradona) foi tomado por esta, que, com seus recursos, transformou a marca "Maradona" em algo mais do que ele efetivamente era. Pois, apesar de seu futebol excepcional, de sua genialidade entre as quatro linhas de um campo de futebol, Dieguito era um jogador de futebol, apenas. Pelé é algo mais, ainda que eu não saiba dizer o quê, exatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Fernando Toledo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111720758667917039?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111720758667917039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111720758667917039&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111720758667917039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111720758667917039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/eras_27.html' title='Eras'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111697367105595257</id><published>2005-05-25T06:00:00.000-03:00</published><updated>2005-05-24T19:28:37.783-03:00</updated><title type='text'>Entre Bozo e Arrelia</title><content type='html'>Olha, isso não se faz. Isto aqui é coisa séria, não faltam trapalhadas do governo e assuntos mundanos em geral pra gente deitar e rolar. Mas vou-me obrigar a parar e falar de futebol, o mais sério dos assuntos não sérios, por força de uma provocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez o meu irmão Eduardo, no texto de segunda-feira aí abaixo, como aqueles moleques que, depois de um quiproquó qualquer durante a pelada da rua, vias de fato evitadas pela turma do deixa-disso, põem-se encastelados atrás do muro de casa, bola embaixo do braço e bem protegidinhos pela saia da mamãe, a bradar chibanças e valentias. Saibam, essa bazófia toda vale-se da fraternidade siamesa e da distância, porque fosse com outro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequena pausa para a crônica dos fatos, para que entendais a dimensão do assunto para mim. Estávamos viramundando certa vez eu e o bom Marcão – que aparece por aqui não pela primeira e nem pela última vez – por essas brenhas de Brasil, quando numa boa conversa de praia, daquelas sem assunto e sem preocupação, conhecemos um sujeito das Alterosas, mineiro daqueles de fala miúda, bom de cachaça e prosa, atleticano até às últimas. Uma simpatia, o cidadão. Fomos embalando naquela camaradagem de butiquim, descompromissada, vários dias encontrando o sujeito e intensificando as amabilidades de parte a parte: "quando for em São Paulo, me procura, hein?"; "vou mandar uma cachaça que você nunca sonhou..."; "temos lá um médico que te cura dessa coluna em três dias...". Por aí. Até que uma hora o papo resvalou para o futebol... Pra quê, meu Deus? O mineirinho, já mais solto, com umas a mais na cachola, manda de bica: "O Reinaldo do Atlético jogou muito mais que o Pelé! Esse aí era um produto da mídia...". Confesso, caros, que a estultice era tamanha que mereceria até uma descompostura mais racional, mas qual o quê? Virei a mesa, incontinenti, ventas espumando em fúria, vociferando impropérios, os citados perdigotos arremessados como balas de metralhadora, contido pelo Marcão para não esganar com as próprias o sujeito que fugia apavorado ante a ferocidade instantânea da reação. Fim da pausa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, meus amigos, não consigo imaginar ignomínia maior. É um assunto, que na verdade, não gosto e não admito debater. Não porque futebol não se discuta: Pelé é que não se discute! É por isso que acabo de desistir de escrever um texto sereno, argumentativo, como convém aos temas de futebol. Até porque, o nosso bom Jota já se encarregou, lá nos comentários de segunda, dos dados mais, digamos, objetivos e nesses termos a comparação chega às raias do desarrazoado. Com uma observação apenas: o filme sobre o argentino ficaria melhor??? CADÊ??? Sobre o Pelé, com o pouquíssimo material disponível, há dois famosos, ambos de encher os olhos: &lt;i&gt;Isto é Pelé&lt;/i&gt;, de 1974, e o mais recente e encantador &lt;i&gt;Pelé eterno&lt;/i&gt;. Com esse tanto de imagem disponível sobre o baixinho deles, nunca vi nada que se aproximasse em espetáculo, beleza, graciosidade, vigor, plasticidade. Mas há por aqui quem se orgulhe de não freqüentar salas de cinema e outros que lêem durante os jogos de futebol. Será, meu Deus, que eu fiz Conexão para o ramal errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico lendo, relendo a tela do computador, as palavras do meu bom Eduardo embaralhando-se sob as minhas vistas, não sai da minha cabeça a imagem de um ressuscitado Nelson Rodrigues lendo isso e vomitando até uma segunda morte, ignominiosa e inglória, citado de maneira vil, apunhalado por um tão querido e querente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os argumentos do meu incauto irmão Edu suicidam-se uns, canibalizam-se outros. Marrentos? É preciso muito desconhecimento da história do futebol, é preciso pautar-se demais pela revista Caras e o seu vídeo-brinde com a "História das Copas" para ignorar que Pelé dentro de campo não é esse personagem que desfila pelo mundo empacotado no seu &lt;i&gt;smoking&lt;/i&gt; e derramando seu inglês claudicante, a enfeitar festinhas e solenidades; encampando causas nobres e duvidosas, arrastando multidões; anunciando vitaminas e aparelhos de ginástica, ajudando, é claro, a encher as burras do contribuinte Edson Arantes do Nascimento. O Pelé de dentro das quatro linhas era um animal indomável, trinta vezes mais marrento do que qualquer outro, porque obstinado pelo gol. Sabia pisar, chutar o adversário, dar cotovelada e cuspir na cara na mesma proporção que driblar e marcar gols, porque tudo isso fazia parte do jogo em que não admitia perder. Tanto que teve exaltada por seus mais tenazes marcadores, como a maior de suas qualidades, muito acima de qualquer característica técnica, o seu "olhar de fera acuada" (não consigo lembrar o autor da definição, ajudem-me pelo amor de Deus).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que Maradona foi um jogador brilhante, muitíssimo acima da média, gênio mesmo, não só pela habilidade como pela postura. Em campo, claro. Mas como Maradona, sim, se discute, volto a afirmar que ele foi e é, acima de qualquer coisa, o herói de um povo humilhado, sofrido, subjugado por uma tirania vil e derrotado numa guerra insana. Essa é a diferença, queiram ou não (ajude-me, Nelson!), dos argentinos para nós. Eles sabem construir seus mitos, seus heróis. Sabem como encher de sangue e lágrimas os olhos dos que encaram a bandeira azul-e-branca, mão no peito e frêmito latejante na garganta. A sua raça, o seu orgulho, a sua fibra nós não temos! É por isso que enquanto eles endeusam seu ídolo construindo-lhe altares e igrejas, insuflando nos mais jovens as memórias (exageradas, claro, como todo mito, todo herói nacional) de seus feitos, tratando de usar o tão pouco que lhes resta para não deixar morrer a idéia de uma nação argentina soberana, nós, vira-latas complexados, detratores maiores do Brasil, desdenhados de nossas melhores virtudes, deixamos escoar entre os dedos a figura de um gênio da raça, de um exemplar único de perfeição humana que, por acaso, veio nascer por essas plagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelé é indiscutível, mas por óbvio não é incomparável. Compara-se com Michael Jordan, com Bjön Borg, Gari Kasparov, Michael Schumacher, com Mark Spitz e suas sete medalhas de ouro, se for pra ficar no esporte. Com Sheakespeare, DaVinci, Bach, Pixinguinha, Fred Astaire, Einstein, Thomas Edison ou Pitanguy. Com qualquer um que tenha levado o engenho humano, nas suas mais variadas modalidades, aos limiares últimos da perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de bairrismo, de patriotada. Pode-se discutir se Maradona foi melhor que Zico ou Rivelino, ou se esses jogaram mais que o Platini ou o Puskas e eu posso opinar, ainda que sem muita convicção. Pelé não! Zizinho ou Leônidas? Vi tantas vezes meu avô se engalfinhando com meus tios... Jamais o Negrão! Porque sempre tiveram, senhores, vergonha demais em suas caras brasileiras, mulatas, sofridas, funcionárias públicas honestas até a morte. E morte de cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Os que embalam nessa lenga-lenga desinformada são os mesmos que, pautados pela Rede Globo, votaram na Maria Fernanda Cândido como a mulher mais bela do milênio, enquanto ela estrelava a novela das oito. São os que preferem o deformado Bozo ao gigante Arrelia, de quem eu pretendia, como homenagem a um Brasil que morre, falar no texto de hoje.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fernando Szegeri&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111697367105595257?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111697367105595257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111697367105595257&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111697367105595257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111697367105595257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/entre-bozo-e-arrelia.html' title='Entre Bozo e Arrelia'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111686158243318916</id><published>2005-05-23T12:17:00.000-03:00</published><updated>2005-05-23T12:25:33.240-03:00</updated><title type='text'>Discutindo futebol</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Conexão Irajá está rigorosamente dentro dos trilhos que imaginamos os quatro: eu, Fernando Szegeri, Fernando Toledo e Mariana Blanc, nossa querida editora que está a nos dever uma entrada nos vagões. Pau quebrando nos comentários, presenças constantes de impolutas figuras como o Jota, o VV, o Flavinho, Augusto, Marcão, e quero falar hoje sobre futebol, tendo como mote uma conversa que nasceu e morreu, em segundos, em São Paulo, mesa de quatro, eu, Szegeri, Augusto e Capitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos no Bar do Giba. Um poster imenso do Pelé na parede gerou um breve comentário do Capitão: &lt;em&gt;"Sabe que eu acho que o Maradona jogou mais que o Pelé?"&lt;/em&gt;. Amigos, o Szegeri só faltou destruir o jovem rosto do Capitão e quebrar o bar inteiro. Instalou-se um bate-boca de dois minutos, não mais que isso, e encerrou-se a conversa sob o argumento de que "futebol não se discute".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos discutir um bocadinho só, como diria Dorival Caymmi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não quis pôr lenha na fogueira em São Paulo por que o Szegeri estava realmente transtornado (quem o conhece sabe o que é aquele peludo irado; os braços branem, os olhos fervem, turbilhões de perdigotos são arremessados em direção ao desafeto) e eu não estava a fim daquele papo. Afinal, nossa principal intenção, naquele instante, era um ato de desagravo ao Aldir, mais detalhes no Sodói, no texto &lt;a href="http://www.sodoiquandoeurio.weblogger.terra.com.br/200505_sodoiquandoeurio_arquivo.htm"&gt;"A César o que é de César"&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas eu concordei com o Capitão, e é essa a bola que eu levanto. Não vi o Pelé jogar. Como não vi o Nilton Santos, que fez 80 anos semana passada. Como não vi o Mané. E decidi, até mesmo pra me facilitar a vida nessa seara de escolhas das preferências, meter o bedelho naquilo que meus olhos viram, ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí o Maradona é mesmo meu preferido, ali, pau a pau com o Romário. Ambos marginais na melhor acepção da palavra. Marrentos, que é um ingrediente fundamental para o gôzo do torcedor ser mais intenso depois da vitória. Nosso bom Szegeri ainda tentou filosofar, alegando que o Maradona teve mais importância para o povo argentino, o que acabou por transformá-lo num ídolo sem precedentes naquelas bandas de tango, inclusive num santo (é verdade!, é verdade!) com direito à igreja e tudo, a Iglesia Maradoniana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí lembrei-me do Pelé, a quem o Romário acusou, recentemente, de só abrir a boca pra falar merda. Pelé deu entrevista dizendo que o maior jogador de futebol dos últimos 10 anos é o Zidane. E os brasileiros, como diria o tricolor Nelson Rodrigues, sapatearam como espanholas sobre a pátria, revoltadíssimos, perguntando, e o Ronaldinho?, e o Ronaldinho Gaúcho?, e o Romário?, e o Zico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam que o assunto futebol é quase que para não ser discutido mesmo. Poderia escrever aqui centenas, milhares de linhas e o assunto não se esgotaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que toda lista de melhores é uma janela pra uma discussão que ferverá. E é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como o espaço de hoje é meu, vai meu pitaco final, aguardando a pancadaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Romário, quando ganhou sozinho do Uruguai, de 2 a 1, no Maracanã, levando o Brasil à Copa do Mundo, tendo sido convocado de última hora por pressão da torcida, tornou-se o melhor do mundo. Todo o resto brilhante de sua carreira é apenas o resto diante daquela vitória heróica, que ele construiu sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Maradona, quando fez uma fila de ingleses, do meio-campo à entrada da área, fechando o quadro com a bola na rede, quando meteu a mão na bola vingando a pátria portenha destroçada pela Guerra das Malvinas, tornou-se o melhor do mundo, e todo o resto de sua brilhante carreira (sem trocadilho, por favor) foi apenas o resto diante daqueles lances memoráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zidane destruiu o Brasil naquela final na França. A passionalidade me impede de concordar com o Pelé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhores, à porrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: ergo o copo, de dentro do balcão, ao Gilberto, freqüentador assíduo do Estephanio´s, professor de História, que mandou reservar mesas e mesas para quarta-feira, quando faria aniversário e seria festejado por uma multidão de amigos, não fosse o estúpido acidente que o levou, pra sempre, no sábado à noite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Eduardo Goldenberg&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111686158243318916?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111686158243318916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111686158243318916&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111686158243318916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111686158243318916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/discutindo-futebol.html' title='Discutindo futebol'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111659447613020777</id><published>2005-05-20T10:05:00.000-03:00</published><updated>2005-05-20T10:07:56.136-03:00</updated><title type='text'>Minha mãe não deixa eu maquiar press-release antes do almoço então ela é feia</title><content type='html'>O que define um jornalista como grande, como memorável? Vários fatores poderiam ser relacionados aqui, mas alguns são cruciais: capacidade de enxergar, em determinado fato, aspectos deste que passam despercebidos ao leitor médio e trazer estes aspectos à tona, permitindo a este mesmo leitor médio efetuar a análise e julgamento do fato; manter um compromisso de honestidade e clareza com o leitor, mesmo quando se trata de emitir opiniões suas, pessoais, sobre o fato, o que concerne ao jornalista, uma inquebrantável aura de credibilidade; ter a capacidade de exprimir-se pela linguagem escrita de maneira compreensível, sem abrir mão de um estilo de escrita própria, que, mesmo que não se pretenda literário no sentido de artístico, atraia a atenção do leitor e o cative, como que exercendo uma espécie de poesia da informação. No entanto tais premissas nos últimos tempos não têm sido devidamente levadas em conta.&lt;br /&gt;Desde que se estabeleceu que, para que possa escrever para periódicos, o jornalista tenha que ter cursado a faculdade de Jornalismo, a situação se tornou péssima. Membros de classes humildes foram afastados da profissão, e em seu lugar tomaram posse burguesinhos criados a leite-de-pato, que não possuem a mais importante condição para que se tornem profissionais de um ramo que perpassa o humano em todas as suas faces, que obrigatoriamente demanda o que, parafraseando o grande e subestimado João Antônio, é um corpo-a-corpo com a vida e a palavra – corpo-a-corpo este que, ausente, não permite que se exerça nenhuma atividade em que o humano constitui a própria essência. Como mergulhar nos meandros de toda uma sociedade, formada evidentemente por indivíduos (também, é claro, absolutamente díspares entre si), quando se é criado em redomas, em cristaleiras de cristal da Boêmia? Como compreender – não aprovar, disse compreender – a atitude de um peão desesperado que ateia fogo à mulher que o traiu com o entregador de gás quando se tem em mente o peão apenas como um número numa estatística, número que por acaso vivenciou uma tragédia? Cada tragédia é um universo em si (coisa que nossos amiguinhos gregos, lá atrás, sabiam muito bem), e não pode ser analisada sob uma lente completamente distanciada, não pode ser despida dos elementos que a conduziram e permitiram sua eclosão.&lt;br /&gt;E vivência, sinto muito dizer, é algo que a enorme maioria de nossos jornalistas mais jovens não possui, em absoluto: egressos de uma geração de classe média/alta que cresceu à sombra das televisões em flor, cujo lazer consistia em internar-se como um catatônico na multicolorida solidão egoísta dos videgames ou na sociabilidade anódina das salas de bate-papo da internet, como se pode esperar que cheguem sequer a ter um vislumbre acerca do povo sobre o qual e para quem estão escrevendo? Só pode resultar em pólos bem definidos: meros (utilizando um termo de Fausto Wolff) apanhadores de press-releases – os quais maquiam entre um danoninho e um gatorade, ou entre visitas a suas comunidades de orkut – , e os herméticos pseudo-detentores de uma sabedoria fuleira que não conseguem transmitir – aninhados numa empolação vulgar que não leva a nada, como no célebre caderno Mais! da Folha de São Paulo. Falta-lhes o dom da palavra, não carregam as dores do mundo em suas carnes, e vagam, inócuos, em seus mundinhos virtuais. Desta forma, diminuem, mesmo sem sabê-lo – pois que se julgam em patamares superiores – sua profissão, aos olhos de seu público.&lt;br /&gt;A iniciativa do Jornal do Brasil, de trazer de novo para a grande imprensa jornalistas de um período em que os ingredientes principais de um bom texto ainda eram seu próprio sangue e suor, que escreviam movidos a doses cavalais de lágrimas e risos extremamente humanos, e não a academias e sucos de açaí: nomes como Ziraldo, Luís Pimentel, Aldir Blanc e, principalmente esse ícone dos leitores que se dignam a pensar e que se chama Fausto Wolff (o jornalista mais honesto, talentoso e sério deste País e, por isso mesmo, o mais renegado pelos grandes meios de comunicação), é altamente louvável. É uma (se me permitem o chavão) luz no fim do túnel. O Caderno B ainda não atingiu o formato ideal, mas não se pode negar que uma balançada no meio que se afigura está bem clara. Esperemos que essa pedra, atirada na água desse lago que chafurdava em si mesmo, se multiplique em milhares de círculos e atinja outras publicações. Em respeito a todos nós que ainda sabemos ler nesse país.&lt;br /&gt;P.S.: Não posso deixar aqui de citar um dos maiores humoristas deste País, Otacílio Barros D’Assunção, o Ota, que também integra o time e cuja tira, "Dom Ináfio", é uma das mais bem-humoradas e cortantes sátiras ao Brasil de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Fernando Toledo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111659447613020777?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111659447613020777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111659447613020777&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111659447613020777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111659447613020777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/minha-me-no-deixa-eu-maquiar-press.html' title='Minha mãe não deixa eu maquiar press-release antes do almoço então ela é feia'/><author><name>Fernando Toledo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05811846210167199752</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111636800621100572</id><published>2005-05-18T06:00:00.000-03:00</published><updated>2005-05-18T17:22:38.186-03:00</updated><title type='text'>Um médico, por favor!</title><content type='html'>Fiz na semana passada uma coisa a que não me dava o trabalho há muitos anos: escrevi uma carta pro jornal. Parei de fazê-lo depois que fui sondado pelo Guiness para o recorde mundial de cartas não publicadas e que o ombudsman da Folha me disse por telefone que a minha ficha tinha esgotado a memória disponível do computador. Pra quê, afinal? Perde-se tempo, não te desopila o fígado e ainda arrisca-se a ir parar naquele impagável recanto das &lt;a href="http://cartasidiotas.blogspot.com"&gt;Cartas Idiotas&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desta vez achei que o motivo era justo e o jornal andava a merecer um voto de confiança. Escrevi, assim, para a seção de cartas do novo &lt;b&gt;Jornal do Brasil&lt;/b&gt; uma pequena mensagem em que parabenizava o matutino pela aquisição do "passe" do implacável Grande Lobo do Jornalismo brasileiro. As aquisições do &lt;b&gt;JB&lt;/b&gt; foram, na verdade, muitas a merecer encômios: Aldir, Luis Pimentel, Ziraldo, nosso bom Toledo entre outros. Mas a do Fausto Wolff é emblemática. Ninguém como ele – pelo menos da geração que ainda está por aí colocando o dedo na ferida – sofreu na pele tão duramente as conseqüências de se fazer um jornalismo que não precisa de muitos adjetivos para diferenciar-se do imenso valhacouto de pasmaceiras, gatunagens e patifarias de toda ordem em que se transformou a grande imprensa capitalista nacional. Simplesmente, um jornalismo HONESTO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia eu na mensagem curta que Fausto era daqueles profissionais tão hoje raros em cujas mãos a gente sente confiança de se abandonar... Sim, porque os de minha geração crescemos morrendo de medo dos advogados, sempre prevenidos de que qualquer conselho deles vindo esconderia o intuito subreptício de nos embromar, de nos assaltar; dos médicos, que vira e mexe sabemos esquecendo objetos nas barrigas dos operados e matando gente dos remédios; dos engenheiros que constroem prédios com areia da praia; e tantos etcéteras. Dos jornalistas, então, de meu avô aos professores, o coro unânime: SEMPRE desconfie do que você lê nos jornais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se aos causídicos falta a estrutura de uma formação decente, proliferadas as pseudo-faculdades como coelhos, aos esculápios as condições dignas de trabalho, equipamentos e salários condignos. Mas aos jornalistas, senhores, falta na média dos casos apenas e tão somente a velha e boa vergonha-na-cara. Porque se é preciso conhecer Shakespeare e Joyce para cravar o golaço o que o velho Lobo meteu ontem, de três dedos, na sua coluna diária do Caderno B, não são precisas filosofias nem literaturas muitas para simplesmente se falar a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fato que envelheço, por graça, mas é difícil viver assim. Desconfiando de tudo, encurralados, dormindo com um olho sempre aberto. Pois os médicos atendem pelos convênios e quando você acha um que gosta e vai voltar, certo de que ele conhece tão bem a sua dor no joelho, pronto: descredenciado! Pois quando você acha que aquele jornalista é sério, espere bem por aquele tema que contraria os interesses dos grandes donos dos grandes veículos (que são uma meia dúzia no Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe para lá os “jovens”, meu bom Eduardo. Qual é afinal o seu poder? O poder de arrebentar a língua com seus blogues imbecis e seu narcisismo psicopático? O poder de “descobrir” a música brasileira, a cultura popular e suas “raízes”, para expô-las no grande zoológico humano que por tudo espanta e comove? O que querem os que pedem a cabeça dos “dinossauros”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente que não se fale desse Brasil sujo e desagradável que se tenta evitar ao máximo – a não ser para o seus expressionismos batismais a purgar as culpas herdadas pelo esfacelamento completo de qualquer coisa que já se tenha sustentado sobre este chão – nos apartamentos refrigerados, ou nas sessões de cinema inteligente exibido nos cineclubes custeados (os filmes e as salas) pelos larápios do sistema financeiro “nacional”. E tome blogues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não se fale que a nação da cordialidade e das esperanças morre à míngua, provavelmente sem salvação, em cada cidade e cada vilarejo desse imenso território, espalhadas indiscriminadamente como bexigas fétidas e purulentas as mazelas ontem restritas aos grandes centros urbanos. Que não se diga que a originalidade que nos poderia salvar sucumbe dia-a-dia aos padres-palhaços e aos pastores-gatunos, único setor da economia brasileira que parece levar a sério seu caráter capitalista, com &lt;em&gt;franchises&lt;/em&gt; eficientes, concorrência dura e descarada, disputada nos centavos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu ache necessariamente que tenha jeito, mas é bom saber que você não está louco sozinho. Por isso que é tão bom – não, não é bom, é NECESSÀRIO - poder abrir o Fausto todos os dias e dizer pra você mesmo: aqui eu não corro perigo. “Ele vai ser demitido de novo, mas não vai me enganar”. Aqui eu posso desarmar as trancas, desativar os alarmes, sossegar os cães. Por mais que me doam, as verdades não me serão negadas. Por mais que chore e esperneie de dor e raiva, estará ali a mão segura apontando o que eu não merecia, mas infelizmente preciso ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses nossos “jovens”, senhores, são os que não cumprirão o mandamento rodrigueano de envelhecer. Não sobreviverão ao câncer que geramos e que alimentam, instalado, irreversível. O diagnóstico de sua metástase é iminente e dolorido demais de se ouvir. E é por isso que eu PRECISO me abandonar com tanta confiança a quem o destino incumbiu de mo anunciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fernando Szegeri&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111636800621100572?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111636800621100572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111636800621100572&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111636800621100572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111636800621100572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/um-mdico-por-favor.html' title='Um médico, por favor!'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111625466929792696</id><published>2005-05-16T11:43:00.000-03:00</published><updated>2005-05-16T11:44:29.303-03:00</updated><title type='text'>É o poder jovem esperneando...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não consigo conter minha euforia desde que Fausto Wolff, depois de mais de 40 anos afastado da grande imprensa, retornou ao JB para escrever sua coluna diária. A cada manhã, lá estou eu debruçado sobre o Caderno B lendo o Fausto, um defensor imprescindível do povo, sempre ao lado do povo, que fere como faca abrindo as feridas que têm que ser expostas. E imaginei-me um eufórico dentre tantos, eu diria mesmo que entre todos. Um país que tem um homem com os brios do Fausto, homem com uma inteligência e uma sensibilidade raríssimas - e sempre a serviço do povo, não é demais repetir - tem mesmo de comemorar o dobrar de joelhos da grande imprensa que, depois de quatro décadas tentando calá-lo, novamente o coloca num grande jornal e lhe dá a oportunidade de, diariamente, escrever o que ninguém mais tem a coragem de dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o Fausto, vieram outros tantos, todos para o Caderno B, reformulado e capitaneado pelo camarada Pimentel, o doce Pimenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com o que me deparo dia desses? Com um chororô incompreensível. Taxados de velhos, esses monstros, dentre os quais quero destacar e citar apenas o Fausto, um de meus declarados ídolos, estavam recebendo vaias e queixumes apenas por isso: por serem velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá. Eis as manifestações com que me deparei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Vai satisfazer o saudosismo "ai-como-era-bom-o-pasquim" e logo depois tomba de anacronite aguda, como foi com a Bundas e o neo-Pasca21. (Que além de não dialogarem com o nosso tempo - não em conteúdo, mas em termos de linguagem -, foram massacrados pelos dragões da publicidade."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O JB já vem agonizando há muito tempo. Com isso, ele está se transformando num Frankenstein. Fazem uma fórmula, aí não dá certo, tentam outra "agora vai!", aí também não dá certo e desmancham tudo pra começar do zero. Ficam nessa lenga-lenga de formatação do jornal, pegam um pedaço de olho aqui, uma perna ali, um braço acolá, e assim vai se levando enquanto o barco ainda flutua."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Como assinante do Jb, acompanho na maior frustração as muitas tentativas de capturar a alma do Caderno B. Ou a aura que se perdeu..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Apoio incondicionalmente. O B ficou uma merda, e merda de dinossauro on the rocks. Sempre a mesma tchurma. E sempre foi assim , e assim será. Vade retro!"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam vocês... foi impossível não lembrar das porradas que Nelson Rodrigues dava no que ele chamava de "poder jovem". Quem, Fernandos? - quero perguntar a vocês, mais sábios e mais frios que eu para uma análise do tema - quem pode hoje, na imprensa brasileira, querer ocupar o lugar do Fausto? Quem, como propõe um dos que vaiam a aquisição do JB, pode dialogar com o nosso tempo? (como me soa antiga essa proposta...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que querem esses moços, pobre moços?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente hoje espreme jornais do país inteiro, revistas do país inteiro, e estão no topo o Fausto, o Aldir, o Veríssimo, o Millôr, o Fritz, todos dinossauros, como outro babão sugeriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se são dinoassauros, meus caros, quero mais é ser pré-histórico e crer que com suas patadas ferozes são esses dinossauros os únicos capazes de massacrar os que nos massacram dia-após-dia com o apoio dos "dragões da publicidade", outra sugestão colhida em meio às vaias que escutei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem o quê, esses moços, pobres moços? Ana Cristina Reis? João Ximenes? Patricia Kogut? Não dá nem pra saída, francamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vou, assim, sentindo-me um velho contemporâneo do Borba Gato. Tenho saudades do Leonel Brizola, do João Amazonas etc etc etc&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês, Fernandos, com a bola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Eduardo Goldenberg&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111625466929792696?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111625466929792696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111625466929792696&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111625466929792696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111625466929792696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/o-poder-jovem-esperneando.html' title='É o poder jovem esperneando...'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111600537288871566</id><published>2005-05-13T14:28:00.000-03:00</published><updated>2005-05-13T14:29:32.893-03:00</updated><title type='text'>Quando erguem-se os traseiros</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Realmente me sinto envergonhado de um país cujo povo se recusa, como diz nosso venerável imprevidente Luís Inácio da Silva, o ex-Lula (só costumo aplicar apelidos a pessoas pelas quais nutro simpatia), a levantar seu respectivo traseiro e partir em frente, rumo a mares nunca dantes navegados (pelo menos no mercado econômico brasileiro acessível à média destes), a fim de procurar “juros mais baixos”. É evidente que a fonte de todos os males é esta: o brasileiro, este ente acomodado, não tem iniciativa para tão simples empresa, e prefere permanecer vítima dos banqueiros malvados, herdeiros diletos da linhagem que abriga Lex Luthor, Capitão Feio, Dr. Silvana, Dr. Destino e Dr. Estigma (como tem médico cruel por aqui! Começo a entender certos aspectos dos hospitais públicos do Rio...).&lt;br /&gt;Na verdade, a questão é bem outra: por que precisaria o brasileiro de recorrer a juros? Afinal, com o portentoso salário que nos é pago; com o bom uso que é feito de nossos impostos em termos de saúde, educação e segurança, para que necessitaríamos nos endividar e entregar, de graça, uma considerável parcela de nosso dinheirinho a instituições que cobram taxas pura e simplesmente para nos emprestar grana depositada por terceiros e por nós mesmos? No entanto, a questão mais interessante da questão não é esta, e partamos para a digressão antes que o artigo se torne extremamente chato e repetitivo.&lt;br /&gt;Por que nos aconselha Luís Inácio a levantar a bunda da cadeira? Terá efetivamente seu Governo levantado corretamente a bunda alguma vez? Não me parece. E o exemplo maior que pode ser empregado de bunda mal-levantada é a ridícula realização da dita Secretaria Especial dos Direitos Humanos que, no afã de pendurar uma sutil melancia fluorescente em seu rotundo pescoço (muito bem) pago com nosso erário, se entregou à nobre tarefa de estabelecer novos códigos para o preconceito e cercear o linguajar do brasileiro. E criou a tal cartilha do “Politicamente Correto”.&lt;br /&gt;A pronta substituição a ferro e fogo de termos já assimilados ao linguajar do dia-a-dia e a imposição de barreiras para a expressão do pensamento, alimentadas pelo nazismo às avessas (apenas em termos de outro lado da moeda, mas não da natureza desta) que é a pseudo-filosofia do politicamente correto, ali encontram o seu auge. Já se falou suficientemente sobre a cartilha para que eu perca meu tempo enumerando as bestialogias. Mas realmente não consigo me imaginar me virando para meu amigo Blecaut Jr., que é um negão de quase dois metros, e chamando-o de “afrão” (que deve ser a forma carinhosa de “afro-descendente”). É de um cretinismo cruel supor que por meio de um documento de mera orientação comportamental toda uma linguagem estabelecida cairá por terra.&lt;br /&gt;“Não se trata de destroçar a linguagem, mas o preconceito nela contida”, dirão os bonzinhos de Brasília – ah, claro, obviamente a partir da publicação deste nefando livrinho todos os preconceitos hão de ruir: os skinheads (ou seriam “indivíduos voluntariamente desprovidos de material capilar apreciadores de teorias teutônicas de pureza racial”?) abraçarão seus irmãos oriundos de regiões do Nordeste e seus priminhos afro-descendentes; hordas de fãs do Jece Valadão invadirão saunas para confraternizar com gays, entendidos, homoafetivos ou seja lá qual for o nome recomendado para os veados agora – e os pós-de-arroz (cosméticos torcedores, segundo a próxima cartilha) sairão para comemorar com os urubus (catartídeos futebolísticos – idem) após os Fla-Flus. Toda uma nova era de paz e harmonia estabelecer-se-á, graças à brilhante levantada de traseiro desta secretaria, que ninguém sabia existir até então, e que, graças a um princípio de hipocrisia que quer anular este rótulo por se pretender condescendentemente retroativa, subitamente ganha até mesmo as páginas desta notória Conexão Irajá.&lt;br /&gt;O que é necessário é que se compreenda que um vocábulo, para carregar ódio, necessita que este último lhe seja agregado. Ou seja: a maneira de proferi-lo (ou escrevê-lo, ou transmiti-lo) é a mensagem, e não o meio utilizado. Um conhecido criador inglês deu o nome de Son of a Bitch a um de seus melhores cavalos. Não consta que o odiasse ou que a progenitora do indefeso animal fosse uma, como se é orientado atualmente a dizer, “profissional do sexo”.&lt;br /&gt;Partindo-se da lógica norte-americana, onde, em certas regiões, Mark Twain foi banido dos currículos escolares porque seus livros eram escritos na linguagem racista (e, é claro, realista – afinal a intenção era esta) do Sul do país, qual será o próximo passo? Criar-se uma lista de autores proibidos, um Index Bennedictus (Da Silvus) – nome em homenagem a conhecida ministra e ao libertário Papa que o mundo hoje possui)? Banir Ernest Hemingway por suas descrições de sanguinárias touradas, em O Sol também se levanta? Melville por louvar a pesca à baleia em Moby Dick e demonstrar preconceitos em relação a antropófagos polinésios e seus tradicionais hábitos alimentares em Typee? Condenar James Barrie porque o vilão de Peter Pan não se chama Capitão Prótese? E os Irmãos Grimm por não terem tornado imortal a história de Eurodescendente de Neve e os sete portadores de necessidades verticais de baixa estatura? Com certeza Horace McCoy, autor de Mas não se mata cavalo?, seria queimado em praça pública, por incitar a crueldade contra os companheiros eqüinos dos criadores da tal cartilha.&lt;br /&gt;Foi-se o tempo em que certo membro do Partido dos Trabalhadores se elegia afirmando, com orgulho, ser mulher, negra e favelada, com todas as letrinhas que aí estão, aos brados em praças públicas. Hoje, no máximo, diria, com certo grau de vergonha, no tom comedido que sua atual posição política exige,  pertencer a um grupo de seres humanos do sexo feminino, afro-descendentes e residentes de moradias de baixa renda. Termos que, ao contrário do efeito esperado, não elevam, mas atiram os que os proferem numa velada sensação de vergonha.&lt;br /&gt;Mesmo que seja somente por se render a um dialeto tão antinatural e ridiculamente elaborado.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;strong&gt;Fernando Toledo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111600537288871566?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111600537288871566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111600537288871566&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111600537288871566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111600537288871566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/quando-erguem-se-os-traseiros.html' title='Quando erguem-se os traseiros'/><author><name>Conexão Irajá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111576534817538736</id><published>2005-05-11T06:00:00.000-03:00</published><updated>2005-05-10T19:49:08.183-03:00</updated><title type='text'>Da bunda ao saco</title><content type='html'>Olha eu tinha avisado que a minha vontade mesmo era de escrever sobre temas outros, entre os quais o ora destacado pelo grande Eduardo, mas o rumo da prosa estava pra falar mal dos arrasa-quarteirão que vêm vitimando nossos prestigiosos e amados butiquins. Isso porque a pecha de chato já me persegue como sombra. Os amigos, colegas de trabalho, a minha mulher, todos indistintamente (a não ser o Marcão, que gosta dos mau-humorados, mas dele falaremos oportunamente) não agüentam mais a minha compulsão por reclamar. Possivelmente o mundo vá mesmo bem e eu é que seja um baita desmancha-prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, fico bem contente quando alguém com a autoridade moral e intelectual do nobre Toledão sai da prisão das reclamações rasteiras na qual me encontro recluso e condenado, para lançar as luzes da razão e do conhecimento sobre o problema. "A cada vez que a carioquice é vendida como um produto, e não praticada no dia-a-dia, ela se torna menos carioquice e mais produto". É isso, meu Deus. E é com tudo. Quando o carnaval deixa de ser brincadeira, folguedo, cultura do povo, pra virar espetáculo, vitrine, &lt;em&gt;vernissage&lt;/em&gt;. Quando o futebol deixa de ser esporte pra se tornar profissão, mercado, &lt;em&gt;show business&lt;/em&gt;. Quando qualquer espaço ou manifestação que é mediada por lógicas outras que não a do lucro, da vantagem, da mais-valia - e onde, portanto, os indivíduos podem exercer originalidades e expressões que resistem ao processo de coisificação total das mentes e corações – é engoliga, digerida e vomitada sob uma forma enquadrável nas leis do capitalismo. Perdoem-me estar tão fora de moda, mas a culpa, senhores, é mesmo do tal do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí chegamos à pérola presidencial que vem acrescentar uma tese importante e, se muito não me engano, inédita numa das áreas do conhecimento acadêmico em que mais o cordial povo tupiniquim é versado: a bundologia. Sim, porque nós conhecemos talvez melhor que qualquer outra nação a importância desta destacada porção da anatomia humana, notadamente a feminina, graças em grande parte aos nossos ancestrais africanos que empiricamente entendem do riscado pra caramba, tanto que até a designação nos legaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel do traseiro já foi estudado na pedagogia clássica, pois ninguém aprende nada se não "sentar a bunda na cadeira". As implicações no direito civil são conhecidas, quando o sujeito leva o famoso "pé-na-bunda". A taxonomia moral dos cidadãos - importante categoria sociológica desenvolvida nos subúrbios cariocas da década de 20 - também não passou incólume ao taxar os borra-botas e joões-ninguém de toda espécie de "bundas-sujas", enquanto os mandriões e covardes são os "bundas-moles". A futurologia e as ciências esotéricas prontamente identificam destinos gloriosos para o sujeito que nasce de "bunda virada para a lua." E a botânica batizou aquela trepadeira (opa!) da família das acantáceas de "bunda-de-mulata". O &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; cultural nos presenteou com a "bunda &lt;em&gt;music&lt;/em&gt;", para não falar, é claro, das indiscutíveis implicações do estudo bundológico para a perfeita compreensão das variações populacionais no tempo-espaço geográfico brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso augusto mandatário por felicidade detém muito tempo para preocupar-se com tão alcandorada disciplina científica, até porque o país é bem e devidamente governado pelos escroques do sistema financeiro internacional corporificados no nosso bom ministro-doutor. Ao ex-sindicalista que um dia tomou sobre as costas as esperanças da nação cabe cada vez mais a tarefa única - e aparentemente divertida - de entreter a patuléia que vai se sentindo encurralada, enfarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, quem é que ainda atura o Lula? Eu que me matei nas campanhas, que chorei ridiculamente no dia da vitória de 2000, que perdi amigos e acalentei auspícios por sua causa, não consigo abrir os jornais a cada manhã sem sentir um enorme, um avassalador sentimento de enfado. O que já foi confiança e passou paulatinamente ao desencanto, à decepção, à desconfiança e à indignação, não é agora mais do que um tremendo e indizivel fastio. Das suas gracinhas sem-graça, da sua cara cansativa, dos seus improvisos-gafes que estão botando o Fernando Henrique no chinelo, das prosopopéias populistas, das analogias rasteiras e principalmente de sua inoperância mal-disfarçada. De tudo. Um saco-cheio tamanho que, pelo andar da carruagem, chegará bem depressa às náuseas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bons tempos aqueles em que estávamos abandonados à nossa própria sorte, porque são chegadas as eras em que a sorte dos nossos donos é que determina nosso destino. Ou pelo menos parte dele, eis que pelo menos os juros, singelos e inocentes, dependem exclusivamente do (mau) uso que fazemos dos nossos traseiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;Fernando Szegeri&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111576534817538736?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111576534817538736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111576534817538736&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111576534817538736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111576534817538736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/da-bunda-ao-saco.html' title='Da bunda ao saco'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111564725020661938</id><published>2005-05-09T10:59:00.000-03:00</published><updated>2005-05-09T11:02:13.866-03:00</updated><title type='text'>Uma nação de mulatas, eis a solução</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mariana Blanc é nossa editora. E ela foi de uma veemência assustadora quando de nosso primeiro encontro de trabalho, no Ex-Bar da Dona Maria, hoje comandado pelo Antipático. Disse a mim e ao Toledo, dedinho em riste, que as discussões não poderiam se estender perpetuamente, que não deveríamos brigar pela última palavra etc etc etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mudarei o assunto, mudarei o assunto. Não sem antes dizer que se eu, na estréia, apenas escorracei o buteco da Garibaldi 13, do texto do Szegeri e do Toledo emergem verdades inapeláveis. Os guias de botequins do Rio de Janeiro, e especificamente o Guia Rio Botequim, trataram de criar monstros que em nada se assemelham ao verdadeiro tesouro carioca. E o verdadeiro tesouro carioca a que me refiro inclui o autêntico buteco e o autêntico freqüentador de buteco. Vejam que são mentiras hodiendas o Belmonte, o Informal, o Manoel &amp; Joaquim, o Devassa. Imitam a forma, mas não têm o espírito. Têm clientes que surgem dos ralos, mas todos têm apenas pose. Isso. São apenas pose. E nós, que somos intransitivamente cariocas, como bem cravou o Toledo, somos responsáveis por, sem guia algum, lutar com unhas e dentes, cotovelos no balcão e escarros no chão, pelos pés-sujos que não entram, de jeito algum, nessas falsas bíblias que infelizmente têm tido êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando o rumo da prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, brizolista roxo, órfão, levava - ainda levo, ainda levo, pouca, mas levo - fé no governo Lula. Mas confesso que irritou-me sobremaneira sua última declaração envolvendo bancos, juros e o comportamento do povo brasileiro. Vejam vocês que nosso Lula propôs uma nação de mulatas do Sargentelli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse, o ex-operário, que o povo brasileiro, ao não mexer o traseiro (foi algo assim que ele disse) em busca de juros mais baixos, contribui para a manutenção dos juros estratosféricos que põem o Brasil no topo da lista, como a nação com os juros mais altos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É duro de ouvir. Os bancos, que desde sempre têm lucros que superam lucros, resultados que superam resultados, que contam com a benevolência do Estado, que contam com a vergonhosa esmola do PROER, que esfolam o pobre correntista com taxas absurdas, que pagam mal à categoria dos bancários, que têm, no presidente do Banco Central, hoje com status de ministro, um ferrenho defensor de seus interesses, não têm, na visão estrábico do Lula, responsabilidade alguma pelo patamar dos juros. A culpa é nossa, que não balançamos o rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fôssemos uma nação de mulatas do Sargentelli, agíssemos como se estivéssemos no Sambão &amp;amp; Sinhã, saíssemos por aí invadindo bancos ao som de ziriguiduns e telecotecos, tamborim e reco-reco na mão, e seríamos uma nação mais próspera, mais fraterna, mais igualitária, com juros ó, rentes ao chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta-me conhecimento técnico para ir mais fundo na questão. Só sei que tenho nojo do hábito, que já dura alguns anos, do Jornal Nacional entrevistar economistas que fazem pose - como os butiquineiros dos guias - quando falam do Mercado. O mesmo nojo que senti ao ouvir o patético pronunciamento do Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a palavra, os Fernandos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Eduardo Goldenberg&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111564725020661938?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111564725020661938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111564725020661938&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111564725020661938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111564725020661938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/uma-nao-de-mulatas-eis-soluo.html' title='Uma nação de mulatas, eis a solução'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111541956776399810</id><published>2005-05-06T19:40:00.000-03:00</published><updated>2005-05-09T11:01:50.783-03:00</updated><title type='text'>Um botequim é um botequim é um botequim é um botequim - ou era para ser...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;Sou eu, Eduardo Goldenberg, para explicar que, se ao Fernando Toledo sobram o vasto conhecimento, a rara inteligência, a tremenda habilidade do raciocínio, a impressionante erudição que me apequena, falta-lhe, como nem a um recém-nascido nesse século XXI, a habilidade com computadores, editores de blog etc etc etc. Não houve jeito. A Mariana, nossa editora, mandou-lhe cartilhas, apostilas, lições passo-a-passo, mas não houve jeito do Toledão fazer a coisa sozinho. Razão pela qual, escrevo eu - é como anunciará o post ao final - mas o texto é dele. Oremos, dentro dos vagões, para que até a semana que vem ele aprenda.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A idéia exposta por Szé, o Impronunciável, me pareceu muito boa, e gostaria de divagar um pouco sobre o tema, se me permitirem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“What is a botequim?”&lt;/em&gt; – pergunta a figura de calção largo, cheio de florezinhas pretensamente exóticas, com câmera no pescoço. Ao que um Michelin Guide sarará com pinta de flanelinha-pós-banho-de-loja lhe responde, em dialeto de Yázigi: &lt;em&gt;“Oh, mister, botequim é como um pub, só que sem fumaça, onde cariocas típicos (da espécie Homo carioquensis) se encontram com seus amigos para bebericar steinhagers e outros líquidos tipicamente tropicais, entre comentários espirituosos acerca de tudo o que os cerca. E rir desbragadamente desses mesmos comentários. Cabe ressaltar que o Homo carioquensis é um ser comunicativo e brilhante por natureza, capaz de proferir, a cada segundo, máximas que deixariam Oscar Wilde batendo seu vitoriano pezinho de inveja. Alimenta-se de mocotó, feijoada e manjubinhas fritas, e fala um estranho dialeto chamado samba. O míster pode ficar tranqüilo que ele geralmente não mordem – os que se atreveram a morder turistas foram devidamente vacinados, a fim de impedir a proliferação de pragas tropicais como o ebola, a AIDS e o salário mínimo”&lt;/em&gt;. E lá vai Mr. O’Neill iniciar sua longa viagem noite adentro, devidamente informado das características do território em que desenvolverá seu safári.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A imagem veiculada do conceito do botequim carioca não está muito distante da apregoada por nosso Zezinho Michelin. No entanto, esse botequim realmente existe? Não, lamento informar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cada vez que a carioquice é vendida como um produto, e não praticada no dia-a-dia, ela se torna menos carioquice e mais produto, o que pode significar que a mesma deixa de se tornar fator vivo e mutável de uma equação para assumir a feição de resultado da mesma, a partir de números arbitrariamente atribuídos. Vou tentar explicar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O espírito carioca nasceu de uma ferrenha e contínua assimilação de diversos espíritos: de um senso de cosmopolitismo assumido como modus vivendi e de uma exacerbação da idéia do Homo cordialis. O carioca é cordialis por natureza, e não por seguir regras escritas em alfarrábios pergaminhais. Quando tal cordialidade deixa de ser espontânea e passa a seguir manuais de conduta, sua carioquice deixa de ser inerente para se tornar inserida (e toda inserção é, forçosamente, artificial) – logo, deixa de ser carioquice para ser outra coisa, num processo de autofagia anunciada. Tal está se dando hoje, quando o interesse em relação ao samba e o choro, duas manifestações aprioristicamente cariocas, sofre – sofrer é o verbo correto, se observarmos o fenômeno sob certos ângulos – um – desculpem o palavrão – boom. Conseqüentemente, o espaço geográfico sob o qual o tal boom ocorre atrai os olhares de nossa malfadada, malbruxada e malcinderelada mídia. E dá-lhe Rio-de-Janeiro-debretiano-pós-pós em doses proboscídeas. Só faltam os blogs do amolador de facas e do acendedor de lampiões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Curiosamente, como se colocassem a demanda do mercado à frente de sua própria natureza, certos estabelecimentos se renderam ao folclore que criaram involuntariamente, quando tal advérbio ainda era aplicável. E se portam hoje como índios emancipados substituindo o terno pela tanga na hora do Kuarup (tal observação é extremamente pertinente quando se pensa nos caríssimos bares da Lapa carioca exibindo gloriosamente, a peso de ouro, sambistas mal-pagos com folclóricos dentes faltantes e cáries em profusão – &lt;em&gt;“Look, baby, he is old, ugly and poor, but he is from that Mango Tree Samba School. Marvelous!”&lt;/em&gt;). Tal procedimento corre o risco, hoje, de se transformar em um pequinês tentando pegar a própria cauda. E não se têm notícias de pequineses que o tenham conseguido. O que significa que, ou a espontaneidade retorna – e de forma espontânea –, ou os bares cariocas embarcarão numa espiral voluntária rumo à extinção de seus objetivos primários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tadinhos de nós que cariocas somos, intransitivamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;Fernando Toledo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111541956776399810?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111541956776399810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111541956776399810&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111541956776399810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111541956776399810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/um-botequim-um-botequim-um-botequim-um.html' title='Um botequim é um botequim é um botequim é um botequim - ou era para ser...'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111522219458666618</id><published>2005-05-04T12:50:00.000-03:00</published><updated>2005-05-05T12:03:14.066-03:00</updated><title type='text'>A carnavalização dos butiquins</title><content type='html'>Confesso que acordei hoje não nos meus melhores dias. Ou será que há dias é que não estou nos melhores hojes? Com certeza, os dias há hojes não estão nos melhores eus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei com vontade de escrever muito, aquele velho recurso mentiroso de que alguns podemos lançar mão pra poder desfrutar a sensação fugaz de escapar da mudez impingida como pena indelével ao gênero. Com vontade de escrever sobre a descoberta súbita do papel do meu traseiro nos destinos nacionais. Sobre o homem que morreu dançando um samba do Ismael no Bar do Tião e sobre o mau humor que ando destilando nas conversas de elevador. De contar velhas histórias sobre um &lt;em&gt;outdoor&lt;/em&gt; do Centro da Cidade com propaganda de &lt;em&gt;lingerie&lt;/em&gt; e de dois namorados que, de repente, perceberam que o prato de sopa de ervilha que compartilhavam os desapaixonaria para sempre. De como, quanto e porque eu babo pela Mariana e de como meus conectados amigos apareceram na minha existência bem errante. Sobre todos aqueles assuntos em que somos versados nos primeiros três minutos, como dizia o bom Otto, o original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que o tema é o butiquim, pra variar. Então vou-me permitir sair da casuística e ir pra teoria geral. Sobre o bar da Maria já disse eu certa feita que bom ou ruim, lenda ou realidade, só não se podia negar-lhe a condição de um butiquim típico, autêntico, ou se preferirmos, devidamente carioca. E aí está o xis da "qüestã", assim mesmo com trema e sem o "o" e com o palito de "fósfo" no canto da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, de uns tempos pra cá, o que era natureza acabou virando artifício. O hábito naturalíssimo de entrar no bar e tomar um cafezinho virou objeto de tese de doutorado. O tira-gosto que servia basicamente pra forrar o ninho da gelada derrubada pela goela foi alçado à condição de iguaria da gastronomia internacional, com direito a livro e, vira e mexe, matéria no jornal. Há sites especializados em botecos e até mesmo um prestigiado guia, igualzinho àquele antigo "Praias de Norte a Sul", e o muito mais antigo "Igrejas da cidade da Bahia de São Salvador".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer Zé Dentro d’Água salta hoje na cidade do Rio de Janeiro munido do seu guia – espécie de &lt;em&gt;vade mecum&lt;/em&gt; dos otários - e entra no Paulistinha pedindo uma "sacanagem" apimentada. A experiência básica e essencial de butiquinar entre quitudes insalubres, bebidas duvidosas e papos ainda mais duvidosos está deixando de ser aquela arte iniciática, que se descobre aos poucos, guiada pelos mestres e aprendida pela experiência progressiva e paciente observação daquele doce e simples mistério que congrega as almas abandonadas pelos bares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agoniza e estrebucha pelas esquinas fedorentas do Centro da Cidade a figura do butequeiro prático, aquele que faz do bar a sua sala de visita, copa, escritório e consultório sentimental, valendo-se do anonimato necessário e quase envergonhado que só os grandes pés-sujos propiciam. Que usa daquela agregação forçada e forçosa e da conseqüente profusão de conexões – ói nóis aí! – superficiais ali formadas como expediente pra driblar a solidão, a impessoalidade e a crueldade do mundo porta-afora. Esses são os nossos bares, com nossos bêbados chatos, os sentimentais, os filósofos, políticos. Brilhantes ou idiotas. Humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pululam, de outra parte, os butequeiros teóricos, aqueles que reconhecem na instituição butiquim um mediador social relevante para o encontro do &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt; da cultura popular com as categorias abstratas imersas no inconsciente coletivo. São o correlato necessário dos sambistas de Internet. Os doutores do balcão, que batem no peito propalando sua condição de bebedores e escrevem artigos e criam teorias que engendram modelos. Dos modelos surgidos não tardaram os simulacros, pensados, planejados. Tá cheio de pseudo-buteco em que a gordura escorrida no azulejo consta do projeto arquitetônico. Daí pros marqueteiros, um pulo. O Bar da Maria é só mais uma vítima, assim como o saudoso Belmonte da Praia do Flamengo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igualzinho fizeram com o carnaval, o futebol etc. etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fernando Szegeri&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111522219458666618?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111522219458666618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111522219458666618&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111522219458666618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111522219458666618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/carnavalizao-dos-butiquins.html' title='A carnavalização dos butiquins'/><author><name>Szegeri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111512512279472957</id><published>2005-05-03T09:55:00.000-03:00</published><updated>2005-05-08T09:25:13.563-03:00</updated><title type='text'>O bar era da Dona Maria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Preciso justificar os adjetivos com que os Fernandos, aí ao lado, me carimbaram. Apaixonado, obsessivo, combativo e fiel, disse o Szegeri. Brigão e passional, disse o Toledo. Pois bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou, de fato, confesso em voz alta, tudo isso. E um dos alvos de minhas paixões, uma de minhas obsessões, é o buteco. Brigo defendendo meus prediletos, sou fiel a eles, e devo confessar que quem implantou em mim essa tara, pela primeira vez, foi o Lélio Ruy, meu professor de química quando tinha eu 14, 15, 16 anos de idade, sendo importantíssimo esclarecer que não sei rigorosamente nada sobre química, orgânica ou inorgânica, mas de buteco entendo um bocado, sendo importantíssimo esclarecer que esse bocado é quase-nada diante do conhecimento vasto que os Fernandos carregam dentro de si. E é importantíssimo esclarecer também que minha inaptidão para a matéria química não se deve ao Lélio, mas apenas ao meu desinteresse absoluto. Ansiava pelo final das aulas quando íamos, com impressionante regularidade, aos butecos mais vagabundos da Tijuca e adjacências. Foi assim que conheci o Bar da Maria. Vão tomando nota, vão tomando nota!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apaixonei-me pelo Bar da Maria, ou Bar da Dona Maria, como queiram, na Rua Garibaldi, na Muda, rua que merece tombamento apenas pelo fato de que ali residem dois monstros sagrados: Aldir Blanc e Moacyr Luz. Um bar perfeito. Pé direito alto, balcão de mármore, geladeira das antigas, porta de madeira, uma portuguesa atrás do balcão, a dona Maria, e um cracaço no papel de meio-campo, o Célio, que já cantou pra subir. Mesinhas e cadeiras clássicas, uma frondosa árvore na calçada em frente, o menor banheiro do mundo, que dava um charme a mais, uma cerveja que era gelada ao extremo, segundo lenda do Môa, graças a um santo defeito no termostato, e uma seleção de sócios-atletas de fazer tremer a Muda: Aldir Blanc, Moacyr Luz, Walter Hack, Tupiara, Marquinho, Basile, Baiano, Sérgio Touro, Xanduca, o Lélio, o Bebiano, um troço, um troço. Passei a freqüentar até que eu mesmo abri meu bar, o Estephanio´s, o que afastou-me, lentamente, do número 13 da Garibaldi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Voltei lá no dia 30 de abril, sábado passado, atendendo convite da Mariana Blanc e do Fernando Toledo, para a primeira reunião de pauta (!!!!!) da Conexão Irajá. E de lá saí um triste sorumbático e pungente. É que o Bar não é mais da Dona Maria. Um de seus herdeiros tomou-lhe o cetro, a coroa, o trono, o leme, o timão, e aquilo não é mais um buteco, e quero lhes explicar o por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito tem uma pose assim de, digamos, pós-graduado em marketing, um dos males do século. E como todo marqueteiro, mente. A primeira mentira está estampada num quadro de mau gosto pendurado no batente da entrada: "ELEITO O MAIS TRADICIONAL BAR DO RIO DE JANEIRO". Eleito por quem, cara pálida?, eu perguntava antes mesmo do primeiro gole. A eleição não existiu, mas relaxei. Desce uma, desce duas, vou mijar. Anotem o segundo aviso que avistei, da lavra do marqueteiro: "NÃO É PERMITIDO TRAZER COMIDA DE FORA PARA O BAR QUE, COMO TODO ESTABELECIMENTO COMERCIAL, VISA O &lt;strong&gt;LUCRO&lt;/strong&gt;". Mijei e vomitei, muito por causa do negrito que destacava a palavra "lucro". Uma deselegância, uma grossura, e minha fidelidade às tradições e minha combatividade começavam a dar os ares da graça. Toledo acalmou-me com uma dose de maracujá-amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notando minha revolta, um dos sócios atletas ainda contou-me umas passagens recentes. Tomem nota, tomem nota!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01) não é mais permitido, aos sábados, sentar dentro do bar se você for apenas beber. É preciso que você queira comer a "tradicional feijoada com carnes nobres" (está assim no cardápio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02) você pede uma dose de uísque. Pede outra. Daí pede umas pedrinhas de gelo. O marqueteiro diz solene: &lt;em&gt;"Um real"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03) um dia o bar abre com um novo &lt;em&gt;outdoor&lt;/em&gt; bolado pelo marqueteiro que deixa o Washington Olivetto no chinelo: "É PROIBIDO BATUCAR E TAMBORILAR OS DEDOS NAS MESAS, CANTAR, E TOCAR QUALQUER INSTRUMENTO". O &lt;em&gt;outdoor&lt;/em&gt; foi retirado no mesmo dia, à tarde, depois que um telefonema anônimo ameaçou mandar o bar pelos ares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04) revoltado com a bagunça (ai, ai, ai...), no carnaval passado, o marqueteiro ameaçou não abrir o bar nos dias de ensaio do Nem Muda Nem Sai de Cima, o bloco da área. Convencido, abriu. Mas a cerveja saltou de R$2,50 pra R$5,00. Um gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peralá, Toledão! Peralá, Szegeri! Estou implicando à toa com o Antipático ou tenho meus dedinhos de razão? Você vai a um buteco e não pode apenas beber????? (como me revolta o "apenas"...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você está bebendo ali, quietão, aquele uísque cheio de mercúrio, está pouco preocupado com a origem do vasilhame, está observando o vai-e-vem das moças na calçada, daí pede um gelinho e o sujeito lhe esfrega o indicador na fuça pra dizer que isso vai lhe custar um real?????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você vai ao buteco que ganhou fama graças ao violão do Moacyr, às aparições do Blanc, ao surdo do Tupiara, ao tamborim do Julinho, ao Nem Muda Nem Sai de Cima, e se depara com um aviso de que música é proibido?????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias de festa, quando a rua está cheia, quando a festa é de Carnaval, a cerveja dobra de preço?????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardo vossas sábias impressões, Fernandos. Estou aqui, sentadinho no chão de pernas cruzadas, dentro do vagão do trem, esperando ansioso as lições que costumeiramente escapam de vocês quando abrem a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Eduardo Goldenberg&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111512512279472957?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111512512279472957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111512512279472957&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111512512279472957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111512512279472957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/o-bar-era-da-dona-maria.html' title='O bar era da Dona Maria'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12308992.post-111504863570358360</id><published>2005-05-02T12:37:00.000-03:00</published><updated>2005-05-02T19:22:17.526-03:00</updated><title type='text'>Em todo lugar sou estrangeira</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;strong&gt;Acqua Marcia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Ivan Lins e Marina Colasanti)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#999999;"&gt;"Em todo lugar sou estrangeira / &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#999999;"&gt;Menos na minha casa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#999999;"&gt;E mesmo na minha casa / &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#999999;"&gt;Nenhum habitante sabe / &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#999999;"&gt;Que o gosto justo da água&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#999999;"&gt;É aquele daquela água / &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que em minha terra se bebe"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;É da natureza de todo ser humano estar conectado, unido, ligado, relacionado, combinado. Nascemos da união de um óvulo e um espermatozóide. Nos desenvolvemos através do cordão umbilical. Vivenciamos conexões antes mesmo de nascermos que nos acompanharão para sempre, pra nossa alegria ou danação eterna.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Mas como o ser supremo não é parente do Severino Cavalcanti e ocupa seu cargo por méritos reais e não por ser pai nem padrasto, alguma compensação tinha que haver nessa história de conexões. É que nelas existem 3 pequenos milagres: a memória, o aprendizado, e as escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória é a parte mágica do que nos torna diferentes do Severino, é a criação na sua plenitude. Mais do que simples armazenagem de atos reflexos, a memória nos transporta a momentos tão importantes de nosso passado que se tornam indestrutíveis e indeléveis. A grande ligação da memória, ela própria construída por pequenas conexões chamadas sinapses, é que nos permite acumular experiências e com isso chegar ao segundo milagre: aprender.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Nós aprendemos o certo e o errado, o prazer e a vontade, o desespero e a solidão, a manhã e o bolo de fubá, a tardinha e a sesta, o choro e a chuva, a chuva e o abraço. Nós aprendemos e guardamos as melhores lições, as mestras das melhores escolhas. Aprendemos com nossos erros e ajustamos as nossas trajetórias por estarmos sempre atados à recompensa do acerto, à punição dos equívocos e à exuberância de nossas memórias.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Me lembro de ter entendido pela primeira vez o conceito de “mulher mal-comida” antes de saber de cama, quando me disseram “lembra da fulana, mulher daquele pianista? Então. Aquilo é uma mulher mal-comida”. Eu devia ter uns oito anos. Lembro de ter finalmente alcançado o conceito de boçalidade quando uma amiga do segundo grau me apresentou um primo que era nerd, punheteiro, espinhudo e babava numa gravatinha borboleta no final das risadas idiotas. Memória, aprendizado, escolha, experiência, memória.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Pareço estar me afastando num caminho sem volta, mas não. Estou nesta página. onde me trouxe o convite desses três loucos. Conectada por laços indizíveis a eles, vou ativando meu bluetooth e através de luminosos raios brilhantes vou ligando cada um deles à minha vida, religando as memórias desses amores, vou me ligando à melhor parte de mim. Às viagens pra Búzios, à saudade incessante do Marco Aurélio, à voz e ao abraço do Paulo Emílio, ao cheiro da casa de Saquarema. Ao riso do Mello, ao peito do meu pai, às mãos do meu avô. Vou conectando risoto com ovos nevados. Vou interligando os porres e as gargalhadas. Vou me conectando minhas irmãs que morreram com a enlouquecedora ausência do meu filho, filho inato do homem que eu mais amei, mortos meu filho, meu amor e meu futuro. O futuro, onde estão todos os meus erros e os sonhos que ainda vou frustrar. Vou estendendo os raios brilhantes pelos meus livros, pelos amigos, por garrafas de Schweppes e Jack Daniels, por peças inteiras de Prima Donna, pela coleção do Nelson e do Rex Stout, pelos CDs da Fátima Guedes, por praias de areia fininha, pelos oceanos, pelas bocas, pelos tesouros dos naufrágios... vou montando minha rede.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Agradeço o convite pra estréia. Estendo, respeitosamente, esse convite à vocês, 16 leitores que vieram dar com seus costados nessa enseada. O negócio agora é Conexão. Sem Manhattan, sem corte, sem juiz nem cartola. Sem champagne, sem gravata Hermes, sem ferryboat. Sem pedigree nem guarda-costas. Só uma linha de passe bem jogada, uma gelada com cotovelo no balcão, um prato de pirão com farinha, uma cachaça mineira, pau esfolado na xota roubada entre o cinto de segurança e o freio de mão. Um pouco de henê, blondor, esmalte vermelho comido na pontinha da unha, um sonoro “vai tomar no cu” pra desopilar o (alguém ainda reconhece esse termo?) fígado. É pedir muito?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Moço, negóseguim: dois bilhetes da linha dois. Eu tou indo embora que não se fazem mais histórias, vinganças, bisavós, rezadeiras, cafezinhos, machos, amores e navalhas e cortes e vizinhas nessa terra como as de lá. Um bilhete, pronto, um bilhete só seu moço, eu tou indo pra Irajá e não acho que vá voltar. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff9966;"&gt;Mariana Blanc&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12308992-111504863570358360?l=conexaoiraja.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/feeds/111504863570358360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12308992&amp;postID=111504863570358360&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111504863570358360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12308992/posts/default/111504863570358360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conexaoiraja.blogspot.com/2005/05/em-todo-lugar-sou-estrangeira.html' title='Em todo lugar sou estrangeira'/><author><name>Conexão Irajá</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
